Com a maior taxa de fatalidades em sete anos, Recife enfrenta excesso de velocidade, desligamento de radares e o impacto dos sinistros com motos
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A capital pernambucana tem enfrentado um agravamento da mobilidade urbana que se reflete diretamente no aumento da violência nas ruas e avenidas da cidade. Segundo dados do Relatório Preliminar de Mortes no Trânsito 2025, o Recife registrou um crescimento de 10% nas mortes por sinistros de trânsito entre 2023 e 2024. O total de vítimas saltou de 144 para 159 óbitos, elevando a taxa de fatalidade para mais de 10 mortes por 100 mil habitantes — o patamar mais alto registrado na cidade desde 2017.
O Recife realiza os relatórios de segurança viária desde 2021, via Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) e a partir da consultoria que a cidade recebe, desde 2020, da Iniciativa Bloomberg de Segurança Viária Global. O cenário do relatório mais recente, mesmo sendo preliminar e divulgado em meados de 2025, evidencia uma mobilidade urbana deficitária e insegura, e alerta para a necessidade de formulação de novas políticas de segurança viária.
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NA CIDADE QUE NEM PENSA EM REGULAMENTAR OS MOTO APPS, MOTOCICLISTAS E PEDESTRES SÃO AS PRINCIPAIS VÍTIMAS


O perfil da violência no trânsito recifense aponta para uma vulnerabilidade extrema de quem circula em duas rodas ou a pé. O excesso de velocidade permanece como o principal fator de risco, e os ocupantes de motocicletas consolidaram-se como as principais vítimas fatais. Em 2024, tanto pedestres quanto motociclistas representaram, cada grupo, 43% das mortes no trânsito, seguidos por ocupantes de veículos de quatro rodas (9%) e ciclistas (5%).
O perfil das vítimas é majoritariamente masculino (81%), com 34% das pessoas tendo entre 20 e 39 anos. Esse fenômeno é impulsionado pela “explosão” da frota de motocicletas, que em Pernambuco já ultrapassou a de carros, estimulada em grande parte pelo crescimento do transporte por aplicativos, como Uber e 99 Moto.
O PERIGO DA AUSÊNCIA DE FISCALIZAÇÃO ELETRÔNICA

Série de reportagens Mobilidade Travada. Arte produzida por IA com informações apuradas pela reportagem – Arte
Um dos pontos mais alarmantes sobre a insegurança viária no Recife é o horário em que os óbitos ocorrem. A maioria das mortes (55%) acontece durante a noite ou madrugada, no intervalo entre 18h e 5h59. O período da noite responde por 30% dos óbitos, enquanto a madrugada registra 25%.
Apesar dessa concentração de fatalidades, o Recife é a única capital brasileira que, por decisão judicial provocada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), mantém desligada toda a fiscalização eletrônica, inclusive a de velocidade, entre 22h e 5h. Essa ausência de monitoramento há 18 anos agrava a vulnerabilidade das vias em horários críticos.

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