Na terça-feira (13), às 19h, o Museu da Imagem e do Som, o MIS, exibe o filme “O Estrangeiro”, de François Ozon, adaptação do romance homônimo de Albert Camus, publicado em 1942. A sessão gratuita integra o Ciclo de Cinema e Psicanálise, parceria entre a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e o MIS, com apoio da Folha.
O debate, após a exibição, reúne o psicanalista e escritor Daniel Delouya e o escritor e tradutor Raphael Araújo, pesquisador da obra de Camus. A mediação é da psicanalista Luciana Saddi.
Na trama, Benjamin Voisin interpreta Meursault, francês que leva uma vida apática na Argélia colonial. Indiferente à morte da mãe e às relações afetivas, ele vê sua vida mudar após um episódio numa praia.
O clássico da literatura é marcado pela reflexão sobre o absurdo da existência humana e os limites da moralidade.
Ozon, que filmou em preto e branco, afirma que a opção estética buscava recriar a atmosfera da Argélia colonial e preservar a estranheza e a dimensão filosófica do romance.
“Aquele mundo do livro é um mundo perdido. Nós o redescobrimos, viajamos ao passado. E, pelo fato de ser um livro filosófico, eu tinha a sensação de que as cores nos perturbariam, afastando-nos da pureza, da abstração e do pensamento de Camus. Sem cores, seria mais fácil criar a atmosfera, o peso, o sol. E a estranheza também. Acho que em preto e branco, entramos no mundo do colonialismo”, disse à Folha.
A adaptação também atualiza o olhar sobre a obra ao dar maior visibilidade aos argelinos, quase anônimos no livro, sem abrir mão da ambiguidade que caracteriza o protagonista.
O escritor Raphael Araújo é autor de “A Estrela Invisível: Albert Camus e o Mito de Nêmesis“, publicado pela editora 7Letras, em 2025.
A partir de manuscritos inéditos e cadernos de Camus, a obra examina a figura de Nêmesis, deusa grega associada à justiça e à punição dos excessos, e a busca do escritor franco-argelino, Nobel de Literatura em 1957, por uma medida justa capaz de se opor aos abusos dos regimes totalitários e das ideologias extremistas.
O encontro acontece no auditório do MIS, na avenida Europa, 158, no Jardim Europa. Os ingressos, gratuitos, podem ser retirados na bilheteria do museu, com uma hora de antecedência.












