No dia seguinte, acontece como previsto nos manuais quando o mercado erra na aposta e se vinga na Bovespa e no dólar após o erro no candidato.
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Aqui para nós e o povo do mercado financeiro: Ninguém do mercado financeiro apostava R$1 na vitória de Lula, embora Luciana Chong, do Datafolha, e Felipe Nunes, da Quest, tenham preventivamente colocado nas explicações dos números das suas pesquisas da semana passada que havia uma chance para Lula se ele conseguisse reduzir a abstenção no Nordeste e aumentá-la nas demais regiões. Mas advertindo que tratava-se de um cenário remoto.
Isso explica a surpresa dos operadores econômicos, do mercado financeiro e analistas das consultorias que detêm o mando de bilhões de reais em aplicações nesta segunda-feira (26).
Confiança e erro
Pode-se dizer que havia uma confiança tão firme na vitória de Flávio Bolsonaro que a surpresa só foi percebida depois das duas horas que os ministros do STF e do TSE concederam de prazo para a votação.
Portanto, o setor financeiro e empresarial acordou de ressaca e mal-humorado ante a virada de Lula.
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Operadores do mercado especulam, apostam em tendências e cheiram oportunidades. Mas são pessoas que leem pesquisas e interpretam tendências. O problema é que pesquisa eleitoral é estatística e eleição é matemática.

Dolar explode
Isso explica os eventos da manhã de ontem, com o dólar comercial abrindo em forte alta, de 8,65% para R$ 5,42, e a Bolsa de Valores de São Paulo precisando ser interrompida após o Ibovespa, principal índice, cair mais de 10%, acionando o circuit breaker, mecanismo dos mercados financeiros que paralisa as negociações em momentos de variações muito bruscas. Às 13h, a B3 operava em queda de 14% e fechou o dia com 13,88%.
E como consequência, o governo precisou agir para parar a sensação de “Ai meu Deus!” do mercado, com o Tesouro Nacional intervindo e recomprando 7,067 bilhões em títulos prefixados (NTN-F) num leilão que fez as taxas de juros nos contratos privados recuarem.
Mercado de câmbio
Na outra ponta, o Banco Central entrou no mercado de câmbio, em leilões de swap cambial, numa operação que, na prática, injetou US$ 3,75 bilhões no mercado futuro de dólares. Isso cortou a alta do dólar, que perdeu fôlego, de modo que, às 12h30, a moeda americana era cotada a R$ 5,41, ainda embutindo uma alta de 8,42%.
Numa linguagem de ambulância do SAMU, é como atender um paciente que entra em colapso nervoso ou tem um quadro de pré-infarto, em que o médico socorrista precisa fazer manobras rápidas para entregar o paciente estabilizado na emergência de um hospital mais próximo.
Prevendo a crise
Isso mostra que o governo, depois do susto da vitória, sabia que a crise viria; que o mercado abriria explodindo e que, como recomendam os manuais de energia, tinha de seguir o protocolo. Ao final do dia, a B3 fechou em queda, o dólar em R$ e as compras de títulos prefixados (NTN-F) fechadas.
Mais por falta de informações sobre a equipe econômica a ser escolhida do que por outro motivo plausível. Até porque após o fechamento das urnas, as mesas de operação de grandes bancos e corretoras se preparam para um dia de fortes ajustes na Bolsa e no câmbio nesta segunda-feira.
Na Constituição
Mas o paciente não está de alta. Na verdade, ainda usando a linguagem do SUS, ele está apenas dando entrada na emergência, o que explica a declaração do ministro da Fazenda, Dario Durigan, de que ainda este ano se deve promover uma mudança na lei ou mesmo na Constituição para buscar o centro da meta fiscal.
Segundo ele, o governo debate se é possível ou não fazer mais ou menos contingenciamentos (contenção preventiva de despesas) por causa da obrigação de executar o Orçamento admitindo alterações para buscar o centro da meta.
Estouro no OGE
Pode ser. Mas o presidente e candidato à reeleição, Lula da Silva (PT), durante a campanha eleitoral estourou em R$ 39,8 bilhões o Orçamento de 2027 que ele mesmo mandou. Ou seja: a equipe terá de (re)negociar os valores com o Congresso Nacional se quiser manter as benesses.
O problema é que notícia ruim nunca vem desacompanhada. Ontem pela manhã, o Risco-Brasil (que mede a percepção dos investidores sobre o risco de investir no país) registrava alta de quase 27%, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Mudança de taxas
Normalmente, quando um presidente é eleito, a tradição é que a expectativa de mudança baixe as taxas. Mas a histórica vitória de Lula teve efeito contrário.
E tem as coisas que só terão efeito em 2027. Por exemplo. A mudança que diminui a arrecadação da União em 1,57 bilhão no ano que vem pelo aumento do teto do MEI. E tem ainda o custo do perdão das dívidas, e o PIX de R$ 5 MIL também dependerá de propostas legislativas.
O caso do perdão das dívidas do MEI é interessante porque significa uma renúncia fiscal de R$ 12 bilhões. Não tem um efeito de ter que pagar. Mas o perdão é uma perda de arrecadação. Tanto que a Receita Federal chama isso de custos tributários.
Orçamento 2027
Ontem, os ministros e assessores do governo passaram o dia tentando mostrar que o governo vai perseguir a meta fiscal de 2027, que é de 0,50% do PIB, equivalente a R$ 73,2 bilhões, embora o limite de tolerância inferior positivo possa ser de R$ 36,6 bilhões.
E como o orçamento enviado ao Congresso em agosto, com a previsão de superávit de R$ 83,4 bilhões em 2027, considerando todos os gastos, o superávit previsto caía para apenas R$ 18,6 bilhões.
No fundo, Lula teve um enorme sucesso em convencer os eleitores a lhe dar um novo mandato. Agora a missão de sua equipe econômica é convencer o mercado de que vai mirar o centro da meta fiscal para conter gastos. A conferir.

Terreno de Suape
O Complexo Industrial Portuário de Suape dá mais um passo na estratégia de desenvolvimento de novos negócios e atração de investimentos privados com a abertura de consulta pública para o projeto de arrendamento da área SUA08, destinada à movimentação e armazenagem de cargas.
Com aproximadamente 51 mil metros quadrados e investimentos estimados em R$1,4 bilhão, a iniciativa integra as ações de fortalecimento da infraestrutura logística e portuária de Pernambuco. Como parte dessa etapa preparatória para a futura licitação, a estatal realizará audiência pública nesta terça-feira (27), às 14h, em formato híbrido, no auditório do Centro Administrativo, localizado em Ipojuca.
Os documentos e as orientações para participação e envio de contribuições estão disponíveis em:
Custo de trabalho
Pesquisa nacional da Abrasel com 1.838 empresários de todas as unidades da federação, 94,3% dos estabelecimentos com empregados CLT. Os dados da RAIS 2025 confirmam o retrato. Quando o limite chegar a 40 horas, a mudança vai alcançar 1,55 milhões de vínculos, ou 88,7% do total.
Hoje só 11,3% dos empregados formais do setor trabalham até 40 horas. A conta das horas mostra o peso na operação. Só o corte de quatro horas semanais nos vínculos de 44 horas ou mais tira do setor pelo menos 5,9 milhões de horas de trabalho por semana.
Finanças no NERD
As transformações do mercado financeiro e o avanço das soluções digitais estarão entre os temas do Mapas do Amanhã, na próxima quinta-feira, dia 29, no NERD, do Porto Digital, no Recife Antigo. A programação prevê uma apresentação do Instituto Brasileiro de Finanças Digitais (IFD), com Rodrigo de Abreu Pinto. O encontro será no NERD, no Porto Digital, e integra a iniciativa do IBEF-PE para debater tendências e perspectivas para o futuro dos negócios. A entrada é gratuita.

REC’n’Play
Entre os dias 11 e 14 de novembro, o Bairro do Recife recebe o REC’n’Play 2026, realizado pelo Porto Digital e Sebrae Pernambuco, transformando a região histórica no maior campus urbano e gratuito de tecnologia, empreendedorismo e economia criativa do país. Guiada pelo tema “O Futuro Nasce Aqui”, a 8ª edição do Festival convida para uma imersão nas tendências que moldam o amanhã.
Inadimplência
O Brasil chegou a julho de 2026 com 83,9 milhões de pessoas inadimplentes e 348,3 milhões de dívidas em aberto, totalizando R$ 586,4 bilhões. Os dados são do Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa. No mesmo período, uma pesquisa da instituição em parceria com o Instituto Opinion Box revelou que 50% dos brasileiros gastaram mais do que planejavam nos primeiros seis meses do ano.












