Levantamento do JC sobre as 902 candidaturas mostra ainda idade média de 49 anos, baixa presença feminina e forte busca pela reeleição em 2026
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A maioria dos candidatos que disputa uma vaga de deputado federal ou estadual por Pernambuco nas eleições de 2026 é formada por homens, tem ensino superior completo e chega à campanha com idade próxima dos 50 anos. Levantamento feito pelo Jornal do Commercio a partir de dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) traçou o perfil das 902 candidaturas proporcionais registradas no Estado.
Ao todo, são 388 candidaturas para a Câmara dos Deputados e 514 para a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
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No conjunto, 65,5% dos postulantes são homens e 55,4% declararam ter concluído o ensino superior. A idade média fica em 48,7 anos. O retrato, porém, muda em alguns pontos conforme o cargo: entre os candidatos a deputado federal, os brancos são o maior grupo racial e 61,3% têm diploma universitário; na disputa estadual, predominam os pardos e a proporção de pessoas com nível superior completo cai para 51%.
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O perfil também contrasta com o de quem vai às urnas. Pernambuco tem 7.225.744 eleitores, dos quais 53,64% são mulheres. No cadastro eleitoral, apenas 8,35% declararam ensino superior completo. Entre as candidaturas, as mulheres representam 35,6% da disputa federal e 33,7% da estadual, enquanto o diploma universitário aparece em mais da metade dos registros.
Maioria com ensino superior completo
A escolaridade é um dos recortes que mais diferencia candidatos e eleitores. Dos 902 nomes analisados, 500 declararam ensino superior completo: são 238 dos 388 candidatos a federal e 262 dos 514 que concorrem à Alepe.
O ensino médio completo aparece em seguida, com 241 candidatos, ou 26,7% do total. Outros 89 informaram ter ensino superior incompleto. Na outra ponta, apenas três candidatos declararam ao TSE que “leem e escrevem”: dois na disputa federal e um na estadual.
O contraste ganha dimensão quando comparado ao cadastro eleitoral pernambucano. São 664.126 eleitores, 9,19% do total, classificados na categoria “lê e escreve”. Outros 432.693, ou 5,99%, são analfabetos. A Constituição permite que pessoas analfabetas votem, de forma facultativa, mas estabelece a inelegibilidade para esse grupo.
Homens representam dois terços das candidaturas; perfil racial muda por cargo
A predominância masculina é semelhante nas duas disputas. São 250 homens entre os candidatos a deputado federal, 64,4%, e 341 entre os estaduais, 66,3%. Ao todo, as mulheres ocupam 311 das 902 candidaturas, pouco mais de um terço do universo analisado, apesar de serem maioria no eleitorado pernambucano.
Na divisão por raça e cor, 411 candidatos se autodeclaram pardos, 373 brancos e 109 pretos. Há ainda cinco amarelos e quatro indígenas. Somados, pretos e pardos representam 57,6% das candidaturas.
A diferença aparece quando Câmara e Alepe são observadas separadamente. Na disputa federal, os brancos lideram com 43,6%, seguidos pelos pardos, com 41,2%, e pretos, com 13,4%. Para deputado estadual, os pardos são quase metade dos candidatos, 48,8%, contra 39,7% de brancos e 11,1% de pretos.
A política também é uma disputa de meia-idade. A idade média é de 48,4 anos entre os federais e 48,9 entre os estaduais. Apenas dez candidatos estão na faixa de 18 a 24 anos — seis federais e quatro estaduais — enquanto 88 têm 65 anos ou mais. Os extremos vão de 21 anos, idade mínima constitucional para deputado, a 85 anos.
Empresários e advogados são as ocupações mais comuns entre candidatos
As ocupações declaradas ao TSE também revelam padrões semelhantes entre as duas disputas. Empresário é a profissão específica mais frequente: são 55 candidatos a federal e 68 a estadual, totalizando 123. Advogados vêm depois, com 80 registros — 40 em cada cargo.
Também aparecem com frequência médicos e policiais militares. São 27 candidatos em cada uma dessas ocupações no conjunto das duas disputas. Outros 28 se identificam como estudantes, bolsistas, estagiários ou atividades semelhantes.
A ocupação declarada, porém, não é suficiente para identificar quem já exerce mandato. O cruzamento feito pelo JC com a atual composição das duas casas mostra uma presença bem maior de parlamentares na disputa do que o campo profissional do TSE sugere.
Busca pela reeleição
Dos 49 deputados estaduais em exercício, 45 concorrem novamente a uma vaga na própria Alepe. Isso significa que 91,8% da atual legislatura tenta a reeleição. Outros três deputados estaduais disputam vaga na Câmara Federal, deixando apenas uma parlamentar da atual composição fora da eleição proporcional.
Na bancada pernambucana na Câmara, 18 dos 25 deputados federais (72%) tentam renovar o mandato. Os demais seguiram outros caminhos na eleição, com candidaturas ao Senado ou à Alepe, participação como suplente em chapa majoritária ou decisão de não concorrer.
O peso dos incumbentes é pequeno quando comparado ao universo total de candidatos, mas grande quando o ponto de partida é a composição atual das casas: a maior parte de quem já ocupa uma cadeira está novamente nas urnas.
Patrimônios vão de nenhum bem declarado a R$ 48 milhões
A declaração de bens também expõe uma grande distância dentro do próprio grupo de candidatos. Entre os federais, 147, ou 37,9%, não declararam bens à Justiça Eleitoral. Na disputa estadual, são 237, equivalentes a 46,1%.
A mediana — valor que divide os candidatos em duas metades — é de R$ 71,2 mil entre os postulantes à Câmara e de apenas R$ 10,9 mil entre os que buscam uma vaga na Alepe. A média é bem maior, de R$ 851,5 mil e R$ 402,7 mil, respectivamente, influenciada pelos patrimônios mais elevados.
No topo da lista federal, o maior patrimônio declarado chega a R$ 48,3 milhões. Entre os candidatos estaduais, o maior é de R$ 15,1 milhões. Quatro postulantes à Câmara declararam mais de R$ 20 milhões em bens.
Os dados usados no levantamento foram extraídos da base de candidaturas do TSE em 21 de agosto. O raio-x considera os registros para deputado federal e estadual em Pernambuco e permite observar não apenas quem busca uma cadeira em Brasília ou na Alepe, mas também as diferenças entre o perfil de quem se candidata e o de milhões de pernambucanos que escolherão seus representantes em outubro.













