Abrir as páginas e descobrir um mundo de histórias, palavras e cores estimula a curiosidade, contribuindo para o desenvolvimento da criança
JC
Publicado em 18/04/2026 às 0:00
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Em homenagem à data de nascimento de Monteiro Lobato, criador do Sítio do Picapau Amarelo, o Brasil celebra, há mais de 20 anos, em 18 de abril, o Dia Nacional do Livro Infantil. De relevância inconteste para todas as idades, o livro é essa tecnologia tão antiga que continua sendo capaz de encantar, ensinar e congregar as pessoas em torno de interesses comuns. Para quem está apenas aprendendo a ler, cada volume é uma aventura, sobretudo quando as primeiras leituras são acompanhadas de ilustrações, que ampliam o gosto inicial das crianças para o universo descortinado pelo papel. Numa época em que as telas fazem parte da vida infantil desde muito cedo, cresce a importância da descoberta dos livros o quanto antes, tanto para o desenvolvimento cognitivo, quanto como alternativa ao vício prejudicial dos estímulos visuais e sonoros proporcionados no grude à vida digital.
O livro que se toca e se vê como um objeto diferenciado – um brinquedo de páginas abertas como asas para fazer a imaginação voar – segue sendo preferido de muitos leitores, crianças e adultos, apesar do avanço dos e-books. E os impactos da leitura são positivos para 70% dos entrevistados no Brasil, em levantamento da empresa de pesquisa de consumo online YouGov. Para David Eastman, diretor da empresa para a América Latina, “em um ambiente de atenção fragmentada e forte concorrência entre telas, redes e plataformas, os dados sugerem que o livro continua ocupando um espaço importante no imaginário e na rotina do público”.
Tal interesse parece não se abater com a cultura digital, e pode até fazer parte dela. Daí o valor atribuído à leitura que começa nos primeiros anos de vida, na alfabetização, e mesmo antes, no manuseio das páginas como diversão. “Mais do que um hábito de consumo, o livro permanece associado a formação, valor pessoal e ampliação de repertório, o que ajuda a explicar por que, mesmo em transformação, a leitura segue mobilizando interesse, mercado e políticas de acesso”, avalia Estman.
Os dados ratificam a percepção de uma realidade que traz otimismo, como o JC também tem mostrado há quase três anos na coluna Literária. A leitura na infância e adolescência não pode deixar de ser política pública para o desenvolvimento cultural, social e econômico de uma nação desigual como o Brasil. Vale dar a dimensão do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), que apenas em 2016 vai distribuir nas escolas da rede pública mais de 213 milhões de livros, incluindo livros digitais. Em depoimento ao portal do FNDE do governo federal, o professor William Cereja resumiu as vantagens da leitura na infância: “O caráter lúdico torna o ato de ler uma experiência que envolve imaginação, criatividade, emoção e reflexão. Por meio da leitura, a criança vive realidades diferentes, projeta-se nos personagens, vivencia emoções, desenvolve empatia e amplia seu conhecimento de mundo”.
Crianças leitoras podem ser adultos mais plenos em suas aptidões e capacidades, que exercem melhor a sua cidadania.
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