Demorou seis anos de carreira e três turnês mundiais para o Enhypen pisar na América Latina pela primeira vez. Os fãs brasileiros foram sortudos: além de quebrar esse jejum, o país foi a primeira parada da nova turnê e o show deste sábado (4) marcou o centésimo do grupo de k-pop.
A demanda era grande: o Enhypen esgotou os 41 mil ingressos no estádio Nubank Parque (antigo Allianz Parque), em São Paulo, segundo a produção. O número marca ainda uma das maiores platéias do grupo.
“Fico muito feliz em fazer um show tão simbólico como esse no Brasil”, disse Jake, um dos integrantes ao lado de Jungwon, Jay, Sunghoon, Sunoo e Ni-ki. Os fãs brasileiros também foram os primeiros a ouvir a prévia do próximo single, “Bloody Paradise”, que terá batidas de funk.
O público latino-americano, porém, encontra o grupo com um integrante a menos de sua formação original. Heeseung, o vocalista principal, deixou a boyband em março.
Ao menos, o sexteto trouxe na estreia a mega produção vista em outros países. Um telão com luzes de LED ocupava toda a largura e altura do palco principal, este decorado com neons e a figura de um morcego, e plataformas se elevavam durante a performance. A estrutura se equipara à dos maiores nomes do pop da Coreia do Sul que passaram por aqui: BTS, Twice e Stray Kids.
Em 15 minutos de apresentação, o Enhypen soltou fogos de artifício dentro e fora do estádio, fez um espetáculo de luzes digno de rave, lançou fumaça, fogo e papel picado. Eles abriram com “Knife”, a canção mais recente, acompanhados de dezenas de dançarinos.
Esse ritmo explosivo da abertura, no entanto, se perdeu ao longo das três horas de evento. As canções eram pontuadas por várias pausas para exibição de vídeos e saídas dos membros do palco. Alguns momentos se repetiam: música, papel jogado na plateia, pausa, outra música, mais efeitos. Eles se despediram três vezes e fizeram dois bis.
Além disso, cantaram “Go Big or Go Home”, de 2021, duas vezes, e “Knife”, três. O clima voltou a ficar mais agitado quando eles tocaram o remix de funk de “Knife”, nos minutos finais, com efeito de luzes com as cores da nossa bandeira. “O Brasil é o único país onde podemos tocar essa música”, comentaram.
Esse momento era aguardado pelos fãs e não podia ficar de fora. Foi a única hora em que os artistas quebraram o protocolo ensaiado e corretinho do k-pop, além de quando falaram da Copa do Mundo —a Coreia do Sul foi eliminada e causou revolta na população. O japonês Ni-ki disse que torce para o Brasil ganhar. Jake, que cresceu na Austrália, endossou a torcida.
“Tínhamos grandes expectativas quando ouvíamos falar do Brasil. A gente escuta de outros artistas e staffs que já fizeram show aqui, então criamos bastante expectativa”, disse Jay, que nasceu nos Estados Unidos. Para completar, Sunoo cantou em português um trechinho do cover que fez de “Arrependidaço”, de Ferrugem.
Depois do BTS, o Enhypen é apenas o segundo artista de k-pop da Hybe –conglomerado de gravadoras do criador do BTS– que vem ao Brasil. Apesar de serem gerenciados pela mesma empresa, Katseye e Santos Bravos, que vieram neste ano, não são k-pop.
O setlist da noite equilibrou os principais sucessos da boyband, como “Bite Me”, “Drunk-Dazed” e “XO (Only If You Say Yes)” com músicas do álbum mais recente, “The Sin: Vanish”, lançado em janeiro.
A “Blood Saga Tour” agora segue para o Peru, México (que recebe três datas) e outros dez países.
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