Pré-candidato ao Governo de Pernambuco afirmou que trecho foi retirado de contexto e acusou adversários de tentar “desvirtuar” declaração
Pedro Beija
Publicado em 20/05/2026 às 18:48
| Atualizado em 20/05/2026 às 19:39
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O ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), reagiu nesta quarta-feira (20) às críticas recebidas após a circulação de um vídeo em que aparece fazendo uma fala sobre “ministro da eucaristia” durante agenda política no município de Jupi, no Agreste pernambucano.
No trecho que passou a circular nas redes sociais, João conversa com aliados ao fim de uma visita política quando responde, em tom descontraído: “se nada der certo, a gente vira ministro da eucaristia”. A fala provocou reação de integrantes da comunidade católica e de adversários políticos, que classificaram a declaração como desrespeitosa.
Diante da repercussão, João publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que o conteúdo foi retirado de contexto e que a frase fazia parte de um “causo político” contado por ele e pelo pai, o ex-governador Eduardo Campos.
“Agora, tentam me atacar tirando uma história de contexto, um causo político que eu contava, que inclusive meu pai gostava muito de contar. Pegam um trecho para desvirtuar”, afirmou.
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Na gravação, o socialista reforçou sua identificação com a religião católica e acusou setores da oposição de explorarem eleitoralmente o episódio em meio à intensificação de suas agendas pelo interior do Estado.
“Eu sou católico, eu sou cristão e tenho um orgulho arretado disso. E respeito todo mundo, respeito todas as igrejas, denominações religiosas”, declarou.
Sem citar nomes diretamente, João afirmou ainda que há uma “parte minoritária da oposição” tentando atacá-lo “a qualquer custo”.
“Não vale tudo na política. Eu vou seguir fazendo a minha parte e levando a vida com leveza”, disse.
No vídeo divulgado nesta quarta, João Campos também fez referência a uma polêmica anterior envolvendo símbolos religiosos que carrega no pescoço. O episódio ocorreu após adversários questionarem o momento em que ele retirou uma corrente antes de uma caminhada política.
Segundo João, as medalhas têm valor afetivo e religioso, por terem sido encontradas após o acidente aéreo que vitimou seu pai, o ex-governador Eduardo Campos, em 2014.
“Primeiro tentaram me atacar com as medalhinhas que eu carrego com muita fé e muito orgulho”, afirmou.
Ao final da gravação, o ex-prefeito voltou a defender respeito à fé das pessoas e disse que seguirá conduzindo sua pré-campanha “com tranquilidade”.
“Eu amo meu estado e respeito a fé das pessoas. Fé em Deus sempre”, concluiu.
Opositores criticam fala de João
A repercussão ganhou força após vídeos de reação começarem a circular nas redes sociais, especialmente entre políticos ligados ao segmento conservador e católico.
O líder da oposição na Câmara do Recife, vereador Felipe Alecrim (Novo), criticou a fala de João, embora tenha afirmado não acreditar que ela tenha sido feita “por maldade”.
“Tem coisa que a gente não transforma em piada. Ser ministro extraordinário da sagrada comunhão não é um plano B de carreira”, afirmou.
Segundo o vereador, o ministério exercido dentro da Igreja Católica envolve “missão de serviço, fé e profundo respeito ao corpo de Cristo”.
Já o ex-ministro do Turismo Gilson Machado, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), também entrou na polêmica e classificou a declaração como inadequada.
“Virar ministro da eucaristia virou piada?”, questionou em vídeo publicado nas redes sociais.
Gilson afirmou ainda que ministros extraordinários da comunhão exercem papel importante junto a enfermos, idosos e pessoas impossibilitadas de frequentar missas. Em tom mais duro, acusou João de tratar um tema religioso “com blasfêmia e ignorância”.
João Campos volta a defender fim da escala 6×1
Em meio às agendas pelo interior de Pernambuco, João Campos também voltou a defender publicamente o fim da escala 6×1, pauta que ganhou força no debate nacional nos últimos meses.
Durante entrevista concedida em Lajedo, no Agreste, o pré-candidato afirmou que o PSB deverá fechar questão a favor da proposta no Congresso Nacional e associou a discussão à valorização das relações de trabalho.
“O meu posicionamento e o do PSB é bem claro: somos pelo fim da escala 6×1 e vamos votar para defender o trabalhador”, afirmou.
Na declaração, João argumentou que trabalhadores precisam ter mais tempo de convivência familiar e lazer, além de condições dignas de descanso.
“O trabalhador e a trabalhadora merecem mais do que sobreviver. Merecem viver uma vida com seu trabalho valorizado e com a garantia de ter tempo para aproveitar bons momentos com quem amam”, disse.
Presidente nacional do PSB, João também afirmou acreditar que a bancada federal do partido apoiará a proposta de mudança na jornada de trabalho, defendendo ainda medidas compensatórias para pequenos empreendedores.
O socialista vem incorporando o tema à sua agenda política em Pernambuco nas últimas semanas. Antes da fala em Lajedo, já havia defendido a proposta em eventos no Recife, incluindo agenda ao lado da senadora Teresa Leitão (PT), no sábado (16).
Ao justificar o posicionamento, João também citou o legado político do avô, Miguel Arraes, e do pai, Eduardo Campos, afirmando que ambos sempre estiveram “ao lado do trabalhador brasileiro”.
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