Ivanildo Sampaio: A morte não anda a cavalo

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Ivanildo Sampaio: A morte não anda a cavalo


A bem da verdade, a maioria das rodovias de Pernambuco foi planejada e construída há décadas, para um tráfego de bem menos intensidade


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Foi na madrugada desta última quinta-feira, dia 23 de julho, que Pernambuco registrou, novamente, mais um acidente nas rodovias do Estado, com um saldo imediato de sete mortes, sendo algumas dessas vítimas, pessoas humildes e carentes, que vinham buscar tratamento médico no Recife. Não foi apenas “mais um acidente” ocorrido nas precárias rodovias do Interior do Estado. As estatísticas registram números preocupantes e, infelizmente, ocorrências como esta continuarão a acontecer, diante da realidade com a qual temos de conviver.

A bem da verdade, a maioria das rodovias de Pernambuco foi planejada e construída há décadas, para um tráfego de bem menos intensidade, veículos de menor potência, ausência de motos ao longo do percurso, que aumentam a cada dia, cometem imprudência, e criam situações de perigo, além de outros componentes que tornaram o ofício de guiar um automóvel nas estradas de Pernambuco uma tarefa muito perigosa.

Além disso tudo tínhamos, antes, um bom número de integrantes da Polícia Rodoviária Federal ao longo dessas rodovias, fazendo fiscalização preventiva, orientando condutores, apreendendo veículos sem condição de circular, motoristas alcoolizados ou sem habilitação, etc. Hoje não temos. Ou temos muito poucos.

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Esse acidente mais recente, ocorrido no Sertão do Estado, na PE-360, entre os municípios de Floresta e Ibimirim, foi apenas mais um – e infelizmente não será o último. Grande parte da malha rodoviária que corta o Estado de Pernambuco apresenta más condições; milhares de quilômetros são de estradas esburacadas e mal sinalizadas, não possuem asfalto nem acostamento, convivem com animais soltos caminhando ao longo do percurso, silenciosos e quase invisíveis, até que desponta a claridade da manhã.

São, portanto, vários os fatores que ocasionam mortes e acidentes – que poderiam ser evitados com políticas de prevenção e investimentos na recuperação ou reconstrução dessa malha. Que enfrentam o abandono de seguidos governos.

É bom dizer que o problema não é recente, vem de longe, atravessou gestões das mais diversas legendas – mas piorou ao longo dos últimos anos, com os acidentes crescendo na mesma proporção que aumentou o volume do tráfego. Ao longo do tempo, todas as intervenções feitas na malha rodoviária foram paliativos que não resolveram o problema; os usuários estão sempre “à espera do acidente anunciado”.

Segundo estatísticas, desatualizadas, 1.632 pessoas morreram em Pernambuco, no exercício de 2023, vítimas de acidentes de trânsito. Nos últimos três anos, os números cresceram ainda mais. Assim como cresceram os acidentes provocados por motocicletas, na Região Metropolitana do Recife, e pela má condição das rodovias federais e estaduais, no Interior do Estado, sendo a “campeã” de todas elas, a BR-232. Hoje, os sertanejos já não andam a cavalo. Abriram mão de seu sadio e seguro meio de locomoção, em troca de motocicletas assassinas; de veículos antigos e mal conservados; de um transporte escolar inseguro que já ceifou a vida de centenas de crianças e de adolescentes a caminho da escola, pelas estradas esburacadas e carentes de sinalização, cobrando a presença do poder público, que muitas vezes tarda, e quase sempre falha.

Ivanildo Sampaio, jornalista, é sertanejo






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