Após bombardeios, governo iraniano organiza junta de transição e nomeia novo chefe da Guarda Revolucionária Islâmica com histórico na Interpol
JC
Publicado em 01/03/2026 às 7:58
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Após o ataque coordenado pelos Estados Unidos e Israel que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei e de grande parte da cúpula militar no último sábado (28/2), o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reapareceu publicamente. Pezeshkian classificou a ação militar como uma “declaração de guerra contra os muçulmanos” e afirmou categoricamente que a vingança é um “direito legítimo e um dever” do Estado iraniano.
Em uma tentativa de demonstrar continuidade e estabilidade institucional, o governo organizou uma junta governamental provisória. Este colegiado é composto pelo próprio Pezeshkian, pelo chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, e pelo aiatolá Alireza Arafi, que representa o Conselho dos Guardiões. O grupo exercerá o poder até que a Assembleia dos Peritos, formada por 88 membros, realize a escolha definitiva do novo líder supremo.
No âmbito militar, a poderosa Guarda Revolucionária também passou por mudanças imediatas após a morte de seu antigo comandante no sábado. O novo chefe nomeado é Ahmed Vahidi, uma figura cercada de controvérsias internacionais por possuir um mandado de prisão emitido pela Interpol. Vahidi é suspeito de organizar o atentado contra uma entidade judaica em Buenos Aires, em 1994, evento que vitimou 85 pessoas e é considerado o maior ataque da história da América do Sul.
CÚPULA MILITAR IRANIANA TERIA MORRIDO UNIDA
Segundo a mídia estatal do Irã, a cúpula militar do país foi morta durante uma reunião presencial para avaliar o ataque dos EUA e de Israel contra o país, em Teerã. Morreram no bombardeio o chefe da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, o poderoso conselheiro de Defesa Ali Shamkhani, o ministrro Aziz Nasirzadeh e o chefe do Estado-Maior, Abdolrahim Mousavi, além de outros oficiais.
Com isso e a morte do líder supremo, Ali Khamenei, o caráter de tentativa de decapitação do regime da ação fica cristalizado, restando saber se as sinalizações de resistência ao longo desta manhã terão fôlego ante a continuidade do conflito
DESAFIOS AO REGIME: PRESSÃO POPULAR E OPOSIÇÃO
O maior desafio à continuidade da República Islâmica pode vir das ruas e não apenas da cúpula política, segundo especialistas. Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, o Irã foi palco de protestos massivos que resultaram em milhares de mortos, representando um dos momentos de maior fragilidade da história do regime. Uma pressão popular contínua poderia, teoricamente, forçar uma abertura política, embora ainda não haja sinais claros de que isso ocorrerá a curto prazo.
No cenário externo, figuras da oposição tentam se viabilizar como alternativa. Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979, busca posicionar-se como líder para uma transição rumo a uma democracia secular, embora ainda enfrente ceticismo por parte de outros setores da oposição no exílio.
O que se sabe sobre a sucessão iraniana
O processo de escolha do novo líder e o contexto político atual envolvem os seguintes pontos:
Processo Constitucional: Formalmente, o líder supremo é escolhido pela Assembleia de Especialistas, um órgão composto por 88 clérigos que possuem mandato vitalício.
Poder de Veto: Todos os candidatos da Assembleia precisam ser aprovados pelo Conselho Guardião, composto por 12 membros, metade dos quais são indicados pelo próprio líder supremo (ou seu grupo político) e a outra metade pelo chefe do Judiciário.
Ajustes Retroativos: Especialistas sugerem que as regras constitucionais podem ser ignoradas ou ajustadas retroativamente para legitimar qualquer indivíduo ou grupo que vença a disputa interna entre facções.
Fim do Sucessor Natural: O ex-presidente Ebrahim Raisi era o favorito para suceder Khamenei, mas sua morte em um acidente de helicóptero em 2024 deixou o caminho sem um herdeiro óbvio.
Interferência Externa: Donald Trump afirma ter um nome para a sucessão, mas não detalhou como pretende impor essa escolha ou se o escolhido teria o status de líder supremo.
Liderança de Fato: Atualmente, o poder é exercido por um colegiado que inclui o presidente Masoud Pezeshkian e o chefe do Judiciário Gholam-Hossein Mohseni-Eje’i.


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