Inflação corrói renda dos mais pobres e expõe falhas na produção de alimentos

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Inflação corrói renda dos mais pobres e expõe falhas na produção de alimentos


Especialistas alertam que o alto custo de vida é reflexo de problemas estruturais, do modelo de exportação e da ausência de políticas de Estado



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A inflação no Brasil vai muito além do simples aumento de preços nas prateleiras dos supermercados. Em debate na Rádio Jornal, economistas destrincharam os fatores estruturais que encarecem o custo de vida, especialmente para as famílias de baixa renda.

Custos logísticos, a dolarização de insumos e o avanço do modelo agroexportador em detrimento da agricultura familiar formam a base desse cenário de escassez.

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O peso desproporcional para a baixa renda

O impacto inflacionário afeta a sociedade de forma profundamente desigual. Enquanto as classes mais altas possuem mecanismos de defesa financeira e capacidade de poupança, a população mais vulnerável não tem margem de manobra no orçamento mensal.

“A depender da sua cesta de consumo, você pode sentir mais ou sentir menos. E os pobres, quem tem baixa renda, vão sentir certamente mais, principalmente de alimentos. Porque a composição da renda do indivíduo vai para a alimentação, quase 40%”, explica a economista Sônia Fonseca, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

O encarecimento constante empurra as famílias para um ciclo de endividamento e pode levar ao agravamento da insegurança alimentar. Segundo a especialista, as medidas governamentais atuais não solucionam o problema estrutural.

“O governo, sabendo disso, está tentando fazer algumas políticas na direção para ver talvez liberar novamente FGTS, parte dele, mas são políticas pontuais que não resolvem de fato”.

Logística, dólar e a formação dos preços

A explicação para o prato mais caro passa por uma cadeia complexa de produção. Fatores operacionais invisíveis ao consumidor, como a alta dos combustíveis fósseis e dos fertilizantes importados, encarecem toda a operação, alerta o economista Edgar Leonardo.

“A gente tem um impacto muito forte de combustíveis. O frete está ficando muito caro para tirar o arroz do campo, passar para a distribuidora que precisa embalar. A embalagem também está mais cara porque é plástico derivado de petróleo”, explica.

A superação desse cenário exige planejamento governamental robusto e perene, não se restringindo a reações temporárias do mercado.

“Ou seja, é preciso ter políticas públicas reais que têm um objetivo definido e políticas públicas de longo prazo, porque isso não se constrói ou destrói em dois, três anos. Precisam ser políticas ao longo do tempo. É política de Estado, não é de governo”.

Modelo produtivo e agricultura familiar

Para compreender o valor da cesta básica, é fundamental analisar a matriz produtiva nacional. A economista e técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Milena Prado, aponta que o foco excessivo no mercado externo prejudica o abastecimento local.

“Temos que olhar o modelo agroexportador desse país, que privilegia a exportação de carne ao consumo da carne interna. As commodities são mais importantes do que o cultivo de áreas de alimentos in natura, de alimentos que chegam à mesa da classe trabalhadora”, diz.

A redução de terras destinadas ao plantio de itens de subsistência tem gerado escassez e alta de preços nas feiras.

“Isso importa para quem vai na feira, que encontra uma produção agrícola menor, porque essa produção vem da Ceasa, essa produção vem da agricultura familiar, ela não vem do grande. O grande produtor não é diretamente o responsável sobre isso que está lá na sua mesa, porque ele está preocupado com produções que dão lucro”, completa.

 






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