Em estreia da série ‘IA e Empregabilidade’, Cláudio Marinho alerta que a falta de preparo de gestores trava a requalificação do profissional
JC
Publicado em 07/06/2026 às 4:00
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A chegada da Inteligência Artificial (IA) ao cotidiano das empresas e escolas traz um impacto econômico e social comparável ao advento da internet comercial na década de 1990 — um movimento que o JC pioneiramente desbravou em 1994. Hoje, no entanto, enquanto o mercado privado corre para integrar algoritmos aos seus modelos de negócios, o Brasil esbarra em um obstáculo estrutural e perigoso: o “analfabetismo digital” dentro das esferas de poder.
Assista à entrevista
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A constatação é do engenheiro, consultor e cofundador do Porto Digital Cláudio Marinho. Em entrevista aos jornalistas Fernando Castilho e Laurindo Ferreira, no primeiro episódio da série especial IA e Empregabilidade, do programa JC Negócios Entrevista (assista ao episódio no canal JC Play, no Youtube), Marinho foi categórico ao afirmar que o futuro do trabalho no país depende diretamente de um choque de gestão pública.
“Há muito pouco letramento nos formuladores de política pública para entender o que é esse danado desse bicho [a IA]”, pontuou Marinho. “O grande risco da falta de política é alguém colocar o carro na frente dos bois: começar a fazer a regulamentação da IA no Congresso sem nem saber o que é isso. O risco é engessar a tecnologia e não permitir a liberdade de inovação que é essencial.”
O desafio nas escolas: Educação ‘COM’ a IA
Se o topo da pirâmide governamental carece de clareza, a base do sistema educacional brasileiro já opera no improviso. O especialista cita um dado alarmante que reflete a desconexão entre a realidade dos estudantes e a estrutura pedagógica do Estado: cerca de 70% dos jovens do ensino médio já utilizam alguma ferramenta de Inteligência Artificial, como o ChatGPT, para tirar dúvidas ou fazer trabalhos. No entanto, apenas 30% deles afirmam receber qualquer tipo de orientação de seus professores sobre como usar a tecnologia corretamente.
O gargalo não está na ausência da ferramenta, mas na ausência de diretrizes. Para Marinho, o modelo de ensino atual precisa ser urgentemente revisto. Não se trata apenas de colocar computadores nas salas de aula, mas de implementar o conceito de “Educação COM IA” — capacitando os educadores para que eles possam guiar os alunos a explorar as ferramentas de forma crítica, ética e produtiva.
O Paradoxo de Talentos
A ausência de uma estratégia governamental consolidada cria distorções profundas. Marinho utiliza o próprio Recife como exemplo desse paradoxo tecnológico. Hoje, a capital pernambucana abriga o maior número absoluto de PhDs em informática do país — são mais de 700 profissionais com altíssima qualificação.

JC Negócios Entrevista estreia série IA e Empregabilidade, entrevistando Cláudio Marinho. Com Fernando Castilho e Laurindo Ferreira – Jailton Jr/JC Imagem
Por outro lado, o volume de jovens nas periferias e áreas centrais que têm acesso a cursos presenciais básicos de informática ainda é irrisório se comparado à demanda exigida pela nova economia. “Temos um problema lá embaixo, no uso direto pelo jovem em formação, e um problema lá em cima, na gestão escolar e na estratégia acadêmica para capacitar quem orienta esses jovens”, explica.
Um Projeto de Estado (não estatal)
A resposta para que o Brasil — e em especial o Nordeste — não perca o bonde da história passa pela criação de um Projeto de Estado. Marinho faz questão de diferenciar o conceito para evitar equívocos: não se trata de inchar o governo criando “estatais de IA”, mas sim de desenhar um plano nacional, de longo prazo, focado em letramento, capacitação e atração de investimentos em infraestrutura (como data centers sustentáveis).
O trabalhador que está entrando no mercado, seja na programação, na consultoria ou no direito, precisa de uma rede de apoio governamental que traduza as novas exigências em capacitação acessível. A IA, por si só, não causará o desemprego em massa daqueles que souberem utilizá-la. Contudo, sem líderes públicos que entendam e orientem essa transição, o Brasil corre o risco de formar uma geração de profissionais obsoletos antes mesmo de entrarem no mercado de trabalho.
*Esse texto foi criado com auxílio de Inteligência Artificial. O conteúdo da entrevista, não












