A marca 4Town Streetwear está no lineup da passarela do DFB Festival 2026 este ano e o desfile da coleção acontece nesta terça-feira, 9, no evento itinerante em vários pontos da Praia de Iracema, em Fortaleza (CE) O projeto encabeçado pelos estilistas Guilherme Carvalho, 35 anos, Deyse Herle, 26 anos, e Wendy Candy, 24 anos, completa 10 anos de existência. “Existe muita potência criativa nas ruas, muita identidade e muita verdade sendo produzida fora dos lugares tradicionais da moda“, afirma o estilista Guilherme Carvalho.
“Eu enxergo essa oportunidade como um verdadeiro momento de virada de chave. Eu confio muito no trabalho que venho construindo com a 4Town ao longo desses anos, e acredito que toda a atenção e visibilidade que o desfile vai proporcionar podem render muitos frutos para a marca e para tudo o que ela representa. A moda feita na periferia, por pessoas reais e para pessoas reais, merece ocupar esses espaços e ter esse destaque”. É o que reflete o estilista, CEO e diretor criativo Guilherme Carvalho sobre a presença da 4Town Streetwear no DFB Festival 2026.

O Site Negrê realizou uma entrevista exclusiva com o estilista Guilherme Carvalho, CEO e um dos diretores criativos da 4Town Streetwear. Confira na íntegra abaixo!
Negrê – Vocês já haviam participado de algum desfile antes? Como tem sido os preparativos pra este momento?
Guilherme Carvalho – A 4Town já participou de um desfile anteriormente, mas nunca em uma proporção como a do DFB. Nesses 10 anos de caminhada, a passarela nunca foi o foco principal da marca, não por falta de vontade, mas porque a 4Town sempre esteve muito conectada às ruas, ao cotidiano, às vivências e aos diálogos reais da cidade. A marca nasce dessa experiência do dia a dia, da moda de rua na sua essência mais verdadeira. E esse é justamente um dos grandes desafios e também uma das propostas deste desfile: levar essa verdade para a passarela, sem perder a identidade da 4Town, mas ao mesmo tempo apresentando peças mais elaboradas, que mostram um novo momento da marca. Desse entendimento nasce também o nome do desfile: “Na Passarela de Asfalto, Todo Dia Tem Desfile da 4town, porque pra gente a rua sempre foi a primeira passarela”.

Negrê – Fazer parte da passarela do DFB Festival era um sonho? Como esse convite chegou pra vocês da 4Town Street Wear?
Guilherme Carvalho – Pra ser bem sincero, as passarelas nunca foram o principal foco da 4Town. Durante esses anos de marca, eu estive muito mais conectado ao trabalho nas ruas, aos movimentos culturais, à música, ao grafite e à moda rua vivida no dia a dia. Inclusive, eu já tinha participado de um evento do DFB antes, mas acompanhando um amigo que iria cantar, não exatamente dentro desse universo dos desfiles. Também não foi um caminho com muitos convites, mas a gente sempre manteve constância, identidade e representatividade nas ruas, o que eu costumo chamar de “passarela de asfalto”. A 4Town sempre buscou construir relevância primeiro dentro da sua própria realidade e comunidade. O convite surgiu depois de uma roda de conversa no Expo Favela, onde o Cláudio, CEO do DFB, também estava participando. Na ocasião, eu falei sobre a trajetória da marca, a nossa identidade e a força que a 4Town tem dentro da moda de rua em Fortaleza. Alguns dias depois dessa conversa, recebi o convite para participar do Festival.
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Negrê – Qual a importância de ocupar lugares como o do DFB Festival para marcas periféricas como a 4Town Street Wear?
Guilherme Carvalho – Eu enxergo essa oportunidade como um verdadeiro momento de virada de chave. Eu confio muito no trabalho que venho construindo com a 4Town ao longo desses anos, e acredito que toda a atenção e visibilidade que o desfile vai proporcionar podem render muitos frutos para a marca e para tudo o que ela representa. A moda feita na periferia, por pessoas reais e para pessoas reais, merece ocupar esses espaços e ter esse destaque. Porque existe muita potência criativa nas ruas, muita identidade e muita verdade sendo produzida fora dos lugares tradicionais da moda. E eu também fico feliz de não estar vivendo isso sozinho. Ter a marca Mancuda junto nesse momento fortalece ainda mais essa representatividade e mostra para outras pessoas que sonham em criar uma marca – ou que estão apenas começando – que elas também podem chegar nesses espaços, nessas passarelas e nesses holofotes, sem precisar deixar de lado a moda em que acreditam e a realidade com a qual se identificam.

Negrê – Como a visibilidade que espaços como o DFB Festival pode impactar em marcas periféricas como a 4Town? Como vocês pretendem usar isso a favor de vocês?
Guilherme Carvalho – Com certeza. Quero aproveitar ao máximo tudo o que vier desse momento tão especial. A 4Town está completando 10 anos de história este ano, então eu vejo esse desfile como um presente, mas também como uma grande oportunidade de ampliar a visão das pessoas sobre a marca e sobre tudo o que ela representa. Ter uma plataforma como o DFB abrindo esse espaço é algo muito impactante para marcas periféricas como a minha, porque muitas vezes existem talentos, ideias e potência criativa, mas faltam oportunidades e visibilidade. Então, quando um espaço desse porte acredita no nosso trabalho, isso muda muita coisa. E eu acredito que esse impacto não fica só na 4Town. Um momento como esse reflete também em quem acompanha, se inspira e acredita no nosso corre. Mostra que é possível construir algo verdadeiro dentro da moda de rua e ocupar espaços importantes sem perder a própria identidade. Nossa intenção é usar toda essa visibilidade para fortalecer ainda mais a marca, criar novas conexões e abrir caminhos para projetos maiores no futuro.

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Negrê – Como vocês pretendem aproveitar dessa visibilidade do evento para alcançar o público de vocês pós DFB Festival 2026?
Guilherme Carvalho – Acho que o principal agora é transformar toda essa visibilidade em conexão real com as pessoas. A 4Town sempre cresceu muito através da identificação do público com a nossa história, com o nosso jeito de criar e com tudo que a marca representa nas ruas. Então quero usar esse momento do DFB para aproximar ainda mais as pessoas da marca. A ideia é fazer com que quem conhecer a 4Town no desfile continue acompanhando depois, entendendo nossa trajetória, nossas coleções e tudo que existe por trás das peças. Também queremos fortalecer nossos lançamentos, nossos conteúdos e os projetos culturais que a marca já desenvolve dentro da cidade. E acredito que, depois do DFB, a responsabilidade também aumenta. Muita gente vai passar a olhar pra 4Town de outra forma, então quero aproveitar isso pra mostrar que existe profissionalismo, identidade e propósito no que estamos construindo há 10 anos. Mais do que ganhar visibilidade, quero que as pessoas criem conexão e permaneçam acompanhando o nosso trabalho.
Foto de capa: Divulgação.
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Jornalista profissional (nº 4270/CE) preocupada com questões raciais, graduada pela Universidade de Fortaleza (Unifor). É pós-graduanda em Comunicação 5.0: Inteligência Digital e Novos Ambientes Comunicacionais pela Universidade Potiguar (UnP). É Fundadora, Diretora Executiva (CEO) e Editora-chefe do Site Negrê, o primeiro portal de mídia negra nordestina do Brasil. É autora do livro-reportagem “Mutuê: relatos e vivências de racismo em Fortaleza” (2021) e do livro de poesias “Relicário das coisas simples” (2025). Foi Coordenadora de Jornalismo da TV Unifor. Soma experiências internacionais na África do Sul, Angola, Argentina e Estados Unidos.














