Filme retrata os riscos e as seduções das experiências gays em São Paulo

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Filme retrata os riscos e as seduções das experiências gays em São Paulo



São Paulo


Uma série de encontros sexuais bizarros enquanto um assassino ronda as esquinas matando jovens gays. A premissa de “Labirinto dos Garotos Perdidos” parece inusitada. O cenário, contudo, é familiar: a cidade de São Paulo.

O longa, que acaba de chegar às salas de cinema, explora o limiar entre realidade e fantasia das vivências queer na metrópole. Por trás da fábula está o diretor Matheus Marchetti, nome do cinema independente nacional, que também é roteirista, produtor e parte do elenco do projeto.



Cena de ‘Labirinto dos Garotos Perdidos’, fantasia queer dirigida por Matheus Marchetti


Filmicca

A ideia surgiu em 2019 e tomou forma ao decorrer dos anos com base em experiências do próprio Marchetti e de outros conhecidos que compartilhavam suas aventuras entre quatro paredes.

A narrativa retrata os lados bons e ruins de ser gay em um grande centro urbano. “Em conversas com amigos que se mudaram para São Paulo, percebi que eles vêem nesse espaço um refúgio, um senso de comunidade”, diz. “Ao mesmo tempo, é uma região perigosa e assombrada por homofobia.”

“O prazer foi perigoso e ainda é, mas isso não pode impedir o indivíduo de exercer sua sexualidade, porque fugir disso não é a solução”, conta Lucas Bocalon, que vive Pedro, um dos personagens da produção que experimenta encontros casuais.

No cinema brasileiro, o acolhimento e a hostilidade da capital paulista para com pessoas LGBTQIA+ já foi tema de outros filmes, como o premiado “Baby”, de 2024. O diferencial do lançamento, por sua vez, não se detém no ambiente que representa, mas em como traduz essa atmosfera.

As referências foram essenciais para definir o tom da trama. “A principal era ‘Depois de Horas’ (1985), do Martin Scorsese, que acompanha um homem durante uma madrugada insana em Nova York”, explica Henrique Natálio, que interpreta um dos desconhecidos com quem o protagonista, vivido por Giuliano Garutti, se envolve.

Para compor Miguel, seu personagem, Garutti recorreu a obras como “Midsommar – O Mal Não Espera a Noite” e “Alice no País das Maravilhas”. O resultado é uma fantasia erótica autêntica com toques cômicos de estranheza social.

Entre tensão e excitação, o público assiste às graças e às desgraças eróticas de Miguel de forma verossímil, mas embalada pela fotografia e trilha sonora oníricas.

O Labirinto dos Garotos Perdidos

Brasil, 2026. Dir.: Matheus Marchetti. Com: Giuliano Garutti, Lucas Bocalon e Henrique Natálio. 82 min. 16 anos





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