Festival Fronteiras volta a Porto Alegre para debater cultura e autenticidade

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Festival Fronteiras volta a Porto Alegre para debater cultura e autenticidade


Com mais de 50 convidados distribuídos por dez palcos no centro histórico de Porto Alegre, o Festival Fronteiras aposta no diálogo e temas centrais de cultura e autenticidade para atrair o público em sua segunda edição, que inicia nesta sexta-feira (15) e segue até sábado (16).

O Festival Fronteiras é uma derivação do Fronteiras do Pensamento, série de conferências com pensadores influentes criada em 2006, e ocorre justamente no ano em que o projeto original completa 20 anos. Desde seu surgimento, o Fronteiras trouxe a Porto Alegre nomes como o cineasta David Lynch, o compositor Philip Glass, a crítica cultural Camille Paglia, o filósofo Edgar Morin, o sociólogo Zygmunt Bauman e o escritor Mario Vargas Llosa.

“Uma cultura só abre espaço para autenticidade se ela tiver abertura à diferença, à espontaneidade, eventualmente até a uma certa excentricidade, originalidade, ruptura com padrões”, diz o filósofo e cientista político Fernando Schuler, curador do projeto.

Segundo Schuler, o modelo de festival é voltado à experiência cultural e ao diálogo entre convidados —a maior parte da programação conta com dois ou mais participantes em cena ao mesmo tempo.

Esta é a segunda edição do festival a ocorrer este ano no país: em março, o evento chegou pela primeira vez a São Paulo, realizado no Parque da Água Branca.

Schuler diz que o festival funciona como um espaço de encontro entre diferentes visões de mundo. “Quando você cria um ambiente extremamente plural, descontraído, com um elemento histórico e cultural forte, cria-se um ambiente favorável a um certo risco cultural. Um festival que não toma algum risco perde um pouco o sentido. Ele precisa dessa provocação, desse cultivo da diferença.”

O evento reúne artistas, intelectuais, escritores e jornalistas. Entre os brasileiros, participam o dramaturgo e ator Miguel Falabella, os escritores Ignácio de Loyola Brandão, Cristóvão Tezza, Milton Hatoum e Carla Madeira, o produtor musical Nelson Motta e as psicanalistas Ana Suy, Maria Rita Kehl e Vera Iaconelli, colunista da Folha de S.Paulo. Também participam o romancista espanhol Javier Cercas, o jornalista e cientista político português João Pereira Coutinho e o psicanalista argentino Mariano Horenstein.

Entre os destaques da programação estão um debate sobre dramaturgia com Miguel Falabella; uma conversa sobre música popular brasileira com Nelson Motta; um painel sobre a obra de Clarice Lispector com a atriz Beth Goulart, que interpreta a escritora no espetáculo “Simplesmente Eu, Clarice Lispector”; e uma performance da atriz e diretora Bárbara Paz. Também haverá a gravação ao vivo de dois podcasts: o Neural, da jornalista Patrícia Campos Mello, repórter especial da Folha de S.Paulo, e o “Isso não é uma sessão de análise”, de Vera Iaconelli, tendo como convidada a cantora Catto.

Também participarão os colunistas e colaboradores da Folha como Luiz Felipe Pondé, Mirian Goldenberg, Ronaldo Lemos, Demétrio Magnoli, Fernanda Mena, Camila Appel e Jéssica Moreira.

Segundo o curador, o projeto simboliza uma tentativa de contraponto ao momento atual de uma sociedade obcecada pela padronização.

“É uma sociedade de vigilância, das redes sociais, da cultura do cancelamento, das guerras culturais”, disse. “Muita gente imaginou, nos anos 1990, que o surgimento da internet e da tecnologia digital iria facilitar o diálogo, a abertura à diversidade e à pluralidade de ideias, mas isso não aconteceu porque houve o que chamamos de tribalização.”

Em meio a debates acalorados a menos de seis meses do primeiro turno das eleições presidenciais, o evento não deve promover um debate de natureza político-partidária, mas uma discussão estrutural sobre o Brasil a longo prazo, diz Schuler.

“As questões culturais muitas vezes tangenciam essas visões de mundo, culturais e comportamentais. E muitas vezes afastam as pessoas. A nossa expectativa é exatamente que o diálogo, a conversa descontraída, permita uma quebra da rigidez dos pontos de vista e abra espaço para o diálogo.”

Festival Fronteiras Porto Alegre 2026

Quando: sexta-feira (15) e sábado (16) de maio, das 9h às 20h.

Onde: Praça da Matriz, no centro histórico de Porto Alegre

Ingressos à venda em festivalfronteiras.com.br

Bilheteria presencial: Praça Mal. Deodoro, 55, Centro Histórico

Classificação: livre



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