Na manhã do primeiro dia de Feira do Livro, neste sábado (30), o sol não apareceu, mas os leitores, sim.
Entusiastas dos livros se reuniram na praça Charles Miller, em São Paulo, para a quinta edição deste evento que, desde o ano passado, é parte do calendário oficial da cidade.
Foi um início de dia movimentado, mas não lotado, principalmente considerando a grande quantidade de eventos aguardados para os próximos oito dias.
Antes de Luiz Antonio Simas e Alberto Mussa abrirem a programação no Palco da Praça, um quinteto de metais do Instituto Baccarelli tocava canções clássicas e populares para os visitantes.
No encontro entre o autor do livro “Umbandas” e o de “Meu Destino É Onça”, a mediação de Fernanda Mena, jornalista da Folha, discutiu seus trabalhos como historiadores da contemporaneidade e pesquisadores da cultura popular.
Os dois são contadores de mitos e, como disse Simas, esse é uma forma de seguir adiante olhando para trás porque, na roda do mundo, “o que ainda vai passar é o mesmo que já passou”.
“Não se constrói futuro e não se entende presente se você não sair na porrada para disputar o passado”, afirmou o autor. Crescido em terreiros e ligado a religião mais por ritos do que por fé, Simas encara Exu e outras figuras religiosas como fontes históricas.
Mussa afirmou que as mitologias são um patrimônio humano. A arte narrativa, segundo ele, é a mais antiga da humanidade.
Os escritores são amigos do samba, como apontou Simas, e eles foram bastante entoados ao longo da conversa. O destaque foi o momento em que cantaram juntos o samba-enredo “Destino Dom Pedro 2º”, apresentado em 1984 pela escola paulistana Em Cima da Hora. A apresentação espontânea teve até harmonização e intercalação de versos.
O companheirismo era também reforçado pelo visual de ambos: quase uniformizados, vestiam calças pretas, sapatos confortáveis e camisas (verdes) de seleções de países estrangeiros –Simas de Congo e Mussa de Arábia Saudita.
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A mesa foi uma benção para guiar o início da feira, como disse o organizador Paulo Werneck, diretor da Associação Quatro Cinco Um e também uma forma de acordar aqueles que estão mortos. Como afirmou Simas, a morte não acontece quando alguém para de respirar, mas quando se perde o encantamento com a vida.
Ao longo dos próximos dias, até 7 de junho, a Feira do Livro ainda recebe mais de cem convidados e atrações de forma aberta e gratuita em frente ao estádio do Pacaembu.
O primeiro final de semana da feira coincide com outros eventos nos entornos da Mercado Livre Arena Pacaembu, como a Feira de Arte Arpa e o Fight Music Show, à noite, além da recorrente feira de alimentos e de encontros para troca de figurinhas da Copa.













