Escassez de mão de obra aflige as empresas brasileiras, e o conhecimento para ser aplicado em IA e tecnologia é o mais problemático
JC
Publicado em 07/07/2026 às 0:00
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Na longa trilha da educação para um indivíduo, em trajeto que não se completa sem a necessária experiência na aplicação do conhecimento adquirido, a travessia para o exercício profissional é um desafio que vem da base de formação, desde o ensino fundamental. E se prolonga na escolha da vocação, na apreensão teórica e no aprimoramento técnico do caminho do ofício selecionado. Especialmente numa época em que a atualização do saber se impõe rapidamente, alongando a demanda formativa para o aproveitamento pleno do potencial da atividade profissional.
No Brasil, a questão se agrava diante das dificuldades decorrentes da desigualdade na educação e no acesso ao conhecimento especializado, e do déficit de profissionais no mercado de trabalho. De acordo com a nova pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026, do ManpowerGroup, realizada em 41 países em outubro do ano passado e divulgada agora, 80% dos empregadores brasileiros afirmam não conseguir encontrar facilmente os profissionais de que precisam, praticamente o mesmo percentual de um ano antes. A média de insatisfação entre todos os países analisados, nesta edição, é de 72%.
O estado mais rico do Brasil, São Paulo exibe quase 90% de empregadores insatisfeitos com as condições de contratação de pessoal especializado. O problema é maior no segmento de serviços profissionais, científicos e técnicos. Até no setor de construção e imobiliário as dificuldades são altas, acima de 75%, mesmo a construção civil sendo responsável por milhares de empregos no país. A concorrência de outras funções, relacionadas sobretudo à tecnologia e ao comércio, como os serviços por aplicativos, pode estar afastando as novas gerações da construção civil. Um dos empresários entrevistados declarou: “Filho de pedreiro não quer ser mais pedreiro”.
O estudo revela que as habilidades mais escassas são o desenvolvimento de modelos e aplicações de Inteligência Artificial (IA), letramento em IA, Tecnologia da Informação e Dados. Ou seja, novas aptidões que implicam em formação atualizada para a ocupação das posições oferecidas por um mercado atrativo, mas altamente concorrido e exigente. Neste sentido, vale reconhecer a importância de um polo formador de TI, no Recife, que fornece mão de obra – por assim dizer – para o resto do Brasil e para diversos lugares no mundo.
O investimento próprio em formação e atualização profissional é o roteiro comum dos empregadores brasileiros. Muitos também apoiam ou financiam projetos sociais, tendo entre os objetivos a superação da falta de qualificação profissional e outros gargalos para os negócios. O cenário desafiador persiste apesar da ampliação das escolas técnicas federais e estaduais no território nacional, talvez porque a formação tecnológica requer atualizações que o poder público não é capaz de acompanhar. Os bons exemplos de formação técnico devem ser multiplicados, a fim de suprir as demandas e garantir a geração de renda para os mais jovens.
A falta de formação profissionalizante nunca deixa de ser tema de debate nas campanhas eleitorais. A ocasião volta nos próximos meses, com a proximidade das eleições para presidente, governos estaduais, Congresso e assembleias. A pesquisa que aponta o vácuo no mercado tem que ser levada em conta.












