Endividamento atinge dois em cada três brasileiros e economista alerta para ‘tragédia’ financeira

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Endividamento atinge dois em cada três brasileiros e economista alerta para ‘tragédia’ financeira


Especialista aponta juros “estratosféricos” como agravante e questiona eficácia do projeto do governo para que vai liberar FGTS para quitar dívidas

Por

JC


Publicado em 21/04/2026 às 11:55



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Dois em cada três brasileiros (67%) afirmam ter dívidas financeiras, como empréstimos e parcelamentos, segundo pesquisa Datafolha divulgada na última segunda-feira (20). Um em cada cinco (21%) está com pagamentos em atraso.

De acordo com o levantamento, a inadimplência é mais intensa entre quem recorreu a amigos e familiares para pegar dinheiro emprestado: 41% desse grupo estão devendo. No cartão de crédito parcelado, 29% dos que têm esse tipo de dívida estão inadimplentes. Empréstimos em banco aparecem em seguida, com 26%, e carnês de lojas com 25%.

Além disso, 27% dos entrevistados utilizam o crédito rotativo com alguma frequência. O rotativo é acionado automaticamente quando o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura do cartão, parcelando o restante com juros. Desses, 5% afirmam usar o recurso com alta frequência, enquanto 22% dizem recorrer a ele às vezes ou raramente.

O levantamento também investigou atrasos em contas de consumo e serviços. Entre os ouvidos, 28% afirmam estar em atraso com esse tipo de obrigação. As mais citadas são as de telefone, celular e internet (12%), IPTU, IPVA e carnê-leão (12%), energia elétrica (11%) e água (9%).

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No panorama geral, 45% dos brasileiros vivem em situação financeira apertada ou severa, sendo 27% na primeira categoria e 18% na segunda. Outros 36% se enquadram em condição financeira moderada, e 19% estão classificados como isentos ou em situação leve.

O Datafolha entrevistou 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 117 municípios brasileiros nos dias 8 e 9 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo, com nível de confiança de 95%.

Economista aponta juros estratosféricos como “verdadeira tragédia”

Para o economista André Magalhães, o alto índice de endividamento por si só não seria um problema grave, o que preocupa é a incapacidade de pagar. “Quase um quinto dessas pessoas, das famílias, não estão conseguindo pagar as dívidas. Essa é a verdadeira tragédia”, afirmou em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta terça-feira (21).

Magalhães destacou que o cenário se agrava pelo custo do crédito no país. Quem não consegue quitar a dívida no cartão de crédito, segundo ele, muitas vezes não tem acesso a outras linhas de financiamento e acaba recorrendo a agiotas, amigos ou familiares. “Se ele não consegue pagar, isso vira uma bola de neve. É uma tragédia familiar, pessoal”, disse.

Ouça a entrevista na íntegra

O economista também apontou um comportamento cultural como raiz do problema. “O brasileiro não faz conta de juros, faz conta de parcela que cabe no bolso”, afirmou, ressaltando que o endividamento crônico não é uma novidade no Brasil.

Sobre a medida do governo federal de liberar recursos do FGTS para quitar dívidas, Magalhães avaliou que a iniciativa pode ter mérito, mas levantou dúvidas sobre a execução. “Se o governo conseguisse de fato liberar o dinheiro para as pessoas pagarem as dívidas e se livrar desse problema, não seria uma coisa ruim”, disse. Porém, ele questionou os mecanismos de controle: “Como é que o governo vai garantir isso? Como é que ele vai amarrar essa ponta?”.

O economista também criticou o contexto político da proposta. “No momento de eleição, essas coisas saem assim. Tem uma ideia, ninguém sabe exatamente como amarrar essa ideia”, afirmou.

Magalhães ainda alertou para um aspecto pouco discutido sobre a dívida antiga. Após cerca de cinco anos, as empresas deixam de fazer cobranças ostensivas e o nome do devedor é retirado dos cadastros de inadimplência — mas a dívida não desaparece. “Simplesmente seu nome fica limpo para você pegar mais dívida, mas você continua devendo. As empresas não podem cobrar mais daquela mesma forma, mas sua dívida não desapareceu”, concluiu.






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