Criado como um encontro voltado ao audiovisual, o Rio2C chega à sua nona edição com expectativa de receber mais de 50 mil participantes ao longo de seis dias, cerca de 2.000 palestrantes, 21 palcos e a presença de 483 empresas, plataformas, produtoras e instituições ligadas à indústria criativa.
O evento acontece nesta semana, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, depois de ampliar bastante seu escopo desde a criação, em 2018. Segundo Rafael Lazarini, idealizador do Rio2C, essa transformação acompanhou mudanças da própria indústria criativa.
“Uma série pode vir de um game, criadores podem atuar como empresas de mídia e o músico hoje pode se transformar numa plataforma de comunidade em volta dele mesmo”, diz Lazarini.
Nascido a partir do RioContentMarket, mercado dedicado ao audiovisual, o encontro incorporou ao longo dos anos música, games, publicidade, influenciadores, tecnologia e outras áreas que passaram a se misturar de forma mais intensa.
Hoje o Rio2C é dividido em quatro frentes —”Summit”, “Conferência”, “Mercados” e “Festivalia”. A primeira reúne debates mais concentrados sobre áreas específicas; a segunda abriga painéis e keynotes; os Mercados funcionam como área de negócios; e a Festivalia foi criada para estudantes e jovens profissionais.
Entre os convidados anunciados para esta edição estão o produtor executivo Adam Chase, ligado a “Friends”, o humorista Fabio Porchat e o cantor João Gomes. O evento também terá painéis com roteiristas, executivos, artistas e criadores ligados a audiovisual, música e plataformas digitais.
Parte importante do evento acontece fora dos palcos. Nos “Mercados”, projetos são apresentados em sessões de pitching, rodadas individuais de negócios e encontros com empresas e executivos do setor. Na edição passada, foram realizadas mais de mil rodadas de negócios.
A organização estima impacto próximo de R$ 500 milhões na economia do Rio de Janeiro nesta edição. Cerca de um terço desse valor corresponderia ao impacto econômico direto na cidade, com geração de emprego e renda. O restante estaria ligado a negócios gerados a partir dos encontros realizados durante o evento.
Outra mudança apontada pela organização foi o crescimento da presença internacional, principalmente de países latino-americanos. Segundo Lazarini, executivos, artistas e produtores da região passaram a enxergar o Rio2C como espaço de encontro. Neste ano, o evento terá também um encontro de autoridades ligadas à cultura de países ibero-americanos.
Durante a semana, o perfil do público é predominantemente profissional. Lazarini afirma que a maior parte dos participantes vem de fora do Rio e que, nesses dias, o evento recebe mais pessoas de São Paulo do que da própria capital fluminense.
No fim de semana, o ambiente muda. O evento assume características mais próximas de um festival e passa a atrair principalmente estudantes, universitários e jovens profissionais interessados em ingressar em áreas ligadas à economia criativa.
A inteligência artificial aparece espalhada por praticamente toda a programação deste ano, mas a organização afirma ter evitado criar um palco específico para o tema. A ideia foi discutir a tecnologia em diferentes contextos, do audiovisual à música, sem transformá-la em atração isolada. “A inteligência artificial é um assunto transversal”, diz Lazarini.
Ele afirma que a curadoria tenta evitar tanto o entusiasmo automático quanto leituras puramente catastróficas sobre novas ferramentas. Para Lazarini, a experiência recente mostrou que parte das tendências tecnológicas costuma gerar ciclos rápidos de euforia antes de perder força.
Ao lembrar exemplos recentes, ele cita os NFTs e o Clubhouse. No caso da rede social de áudio, Lazarini recorda discussões sobre transmissões esportivas comentadas dentro da plataforma, apresentadas então como novidade. “Meu Deus do céu, o nome disso é rádio”, diz.













