Com música e brilho, Alcione é tema de exposição no Museu das Favelas, em SP

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Com música e brilho, Alcione é tema de exposição no Museu das Favelas, em SP



São Paulo


O Museu das Favelas inaugura nesta sexta (10), na região central, a exposição “Com Amor, Alcione“, dedicada à trajetória da cantora maranhense, que tem mais de 50 anos de carreira.

São mais de 650 itens selecionados por Deyla Rabelo e Gabriel Gutierrez, diretor do Centro Cultural Vale Maranhão, em São Luís (MA), onde a mostra foi criada e exibida no ano passado, e pelo curador institucional do museu, Jairo Malta.



Exposição ‘Com Amor, Alcione’, no Museu das Favelas


Luan Batista/Divulgação

A novidade da montagem é colocar em paralelo a trajetória de Alcione, que deixou o Nordeste rumo ao Sudeste na década de 1960, e os fluxos migratórios que transformaram São Paulo.

Fotografias, figurinos, documentos, instrumentos, discos, objetos pessoais e instalações estão distribuídos em 12 núcleos.

O primeiro destaca sua formação musical. Filha de um maestro de banda militar, Alcione aprendeu música ainda na infância e estudou clarinete e trompete —que está exposto na mostra.

A sala seguinte acompanha sua saída do Maranhão e o início da carreira profissional. O visitante encontra registros das primeiras viagens —a passagem por São Paulo, a mudança para o Rio de Janeiro, a assinatura do contrato com a gravadora RCA e as turnês internacionais.

A primeira instalação da exposição é um altar. Ele reproduz o ambiente na casa da artista e reúne santos católicos, entidades afro-brasileiras e objetos de diferentes tradições religiosas, mostrando o sincretismo presente na crença de Alcione.

A cenografia também incorpora elementos da construção de sua imagem pública. Paredes de paetês aparecem ao longo do percurso, mas é no núcleo “Rainha do Brilho” que as referências ganham mais destaque. Nele, estão figurinos originais usados por ela em desfiles e apresentações, todos com pedraria e outros materiais brilhantes.

Na mesma sala, um espaço aborda sua relação com a Estação Primeira de Mangueira. Além das roupas, reúne sua carteirinha de sócia número 002, revistas em que foi destaque do Carnaval e registros de sua participação em iniciativas educativas, como o projeto Mangueira do Amanhã e a Vila Olímpica da Mangueira.

Em seguida, a sala dos prêmios reúne Grammy, Discos de Ouro e reconhecimentos recebidos ao longo da carreira. Segundo os curadores, esse núcleo funciona como contraponto ao altar da fé. “Em um espaço, Alcione faz seus pedidos; no outro, recebe o reconhecimento público por sua trajetória”, afirma Gutierrez.

Ele também explica que uma das paredes dessa mesma sala é dedicada às diferentes mulheres retratadas nas canções da artista. “Ela cantou a dor, a alegria, a paixão e os sentimentos das mulheres. Quando canta ‘A Loba’, ‘Filhas de Guiné’ ou músicas contra a violência e a intolerância religiosa, ela aborda esses temas de forma muito contundente”, diz.

Essa identidade feminina e o fortalecimento das mulheres negras também marcam sua trajetória fora dos palcos. Durante entrevista na pré-abertura da mostra, Alcione afirmou que gosta de estar bem consigo mesma para impor respeito.

“Fica muito bem em uma mulher saber quem ela é. Uma pessoa não vai chegar para mim e dizer qualquer coisa, eu aprendi a me respeitar. Para receber o respeito dos outros, precisamos primeiro reconhecer o nosso próprio valor”, disse.

O percurso segue com discos autografados, dedicatórias de outros músicos e uma instalação interativa. Uma jukebox permite ouvir as músicas da Loba, enquanto um karaokê fica disponível para quem quiser cantá-las.

Um destaque da exposição está na sala dedicada à migração. Nela, uma linha do tempo cruza acontecimentos da vida de Alcione com episódios da história do samba, do Brasil e dos movimentos migratórios. Uma carta escrita pelos curadores e interpretada pela cantora em vídeo homenageia brasileiros que deixaram suas cidades para construir novas trajetórias.

Colaborou Paola Ferreira Rosa

Com Amor, Alcione

Museu das Favelas- lgo. Páteo do Colégio, 148, Centro. De 10/7 a 6/12. Ter. a dom., das 10h às 17h. Grátis





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