Alcance de liberação de recursos do FGTS alcança menos da metade das pessoas endividadas e apenas os que têm carteira assinada nem depósitos no fundo.
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No meio dessa discussão que o governo Lula está colocando no sentido de usar o FGTS para a quitação de débitos devido ao alto endividamento das famílias, tem uma coisa meio torta com uma mistura detox de números que passam a idéia de que se os trabalhadores com carteira assinada receberem autorização para sacar parte de seus saldos, o Brasil vai respirar aliviado com milhões de famílias saindo do vermelho e, no limite, voltarem a ser adimplente o que não é bem assim.
Números reais
Para começo de conversa, é importante colocar alguns números para se ter uma melhor percepção de como essa ideia do ministro da Fazenda, Dario Durigan parece ser mais uma sugestão de novato querendo se mostrar serviço quando o problema é bem mais sério.
Para começo de conversa, se o programa for adotado, estará restrito ao universo de 39,2 milhões de empregados no setor privado com carteira assinada segundo o último número da PNAD do IBGE de março.
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Já pediu crédito
E esse universo de possíveis candidatos já tomou, segundo o relatório de Estatísticas Monetárias de Crédito de fevereiro do Banco Central, R$ 92,506 bilhões na modalidade do crédito consignado a trabalhadores do setor privado. E nem por isso temos qualquer indicação de que as estatísticas de endividamento das famílias tenham baixado de abril de 2025 para cá quando o programa começou.
Ao contrário, em março último, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência (PEIC) da CNC apurou que o percentual de famílias que relataram terem dívida chegou aos 80,4% – o maior da história da pesquisa. A PEIC da CNC apura dívidas em Cartão de Crédito, Cheque Especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, cheque pré-datado, prestação de carro e crédito consignado, portanto, pega um quadro geral.

Ministro Luiz Marinho quer liberar R$ 7 bilhões de 10 milhões de trabalhadores – Kayo Magalhães
Ativo imprtante
O FGTS, entretanto, restringe muito o alcance da medida sugerida pelo ministro da Fazenda. Embora seja mais um ataque aos recursos do fundo que fechou novembro de 2025 (o balanço do ano ainda não foi publicado), com um patrimônio de R$ 830 bilhões (R$ 829.780.877.052,21) e um patrimônio líquido de R$ 111.322 bilhões que seria muito maior se, desde Bolsonaro, o governo não viesse autorizando saques especiais como esse que o ministro de Lula deseja.
Saque Aniversário
Pouca gente presta atenção, mas em 2024 o Saque Aniversário criado por Paulo Guedes usou mais dinheiro do saldo do FGTS (29,0%) para financiar o consumo do que para bancar a construção de habitação. Só perdeu para os pagamentos dos saldos de demissão sem Justa Causa que foram de 41,3%.
Como Lula criou o Crédito do Trabalhador (que, como revela o BC, já emprestou R$ 92 bilhões até fevereiro), é possível que no balanço de 2025, o Saque Aniversário mais o Crédito do Trabalhador superem os pagamentos dos saldos de demissão.

Novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, – Divulgação
FGTS na resolve
Os números mostram que não será com novo saque de FGTS que as famílias pagarão suas dívidas. Porque existem números que apontam que a coisa é mais séria. E tem a ver com o cartão de crédito, modalidade que, segundo o mesmo relatório do BC, levou os brasileiros a dever R$ 702,864 bilhões.
É quase do dobro do que os brasileiros tomaram, por exemplo, no crédito pessoal (não consignado) que chega a R$ 399,516 bilhões e que tem uma taxa de inadimplência de 9,2%, maior que a do crédito pessoal não consignado que em fevereiro era de 8,9%.
Mas o problema talvez esteja no cartão de crédito. Temos 240 milhões deles ativos e carregam o maior número de CPFs negativados no Serasa, chegando a 26,8% dos 81.300 milhões de inadimplentes.
Isso significa dizer que temos 21.788 milhões de pessoas negativadas apenas com dívidas no cartão de crédito. Talvez porque no Brasil exista a cultura de distribuir cartão de crédito sem anuidade por financeira que é ligada a lojas de varejo a pessoas com renda de até três salários mínimos.
Financeiras
Depois dos cartões de crédito vêm as financeiras (crédito pessoal) que somam 20,3% ou mais de 16,503 milhões de devedores. Dito de outra forma: os devedores de cartão de crédito e das financeiras inscritos no Serasa somam 38,291 milhões de CPFs. Esse é, por exemplo, um número muito próximo do número de trabalhadores com carteira assinada no Brasil.
Todo esse quadro assusta o governo. Porque quando numa pesquisa como a CNC (diferente do Serasa que trabalha com CPFs negativados) 80,4% dos respondentes declaram estarem com dívidas, é um sinal claro de que o estímulo ao consumo que o governo Lula vem dando desde 2023 bateu no teto.

Luiz Inácio Lula da Silva pediu estudos ao Banco Central e ao Ministério da Fazenda para reduzir os juros do cartão de crédito – Foto Ricardo Stuckert01 PR.
Muito endividados
Segundo a CNC, ainda assim apenas 16,0% se consideram muito endividados, embora 56,1% afirmem que têm metade de sua renda comprometida. Tem a ver com a percepção do que é endividamento, pois 33% declaram que suas dívidas são de até um ano de compromisso, o que, segundo a pesquisa, sugere um alongamento dos débitos.
Segundo as projeções da CNC, o endividamento das famílias deve continuar avançando no primeiro semestre do ano até que os efeitos da flexibilização da política monetária cheguem ao consumidor. Já a inadimplência dependerá de possíveis impactos na inflação provocados pelos aumentos de energia e combustíveis, fatores que a CNC diz serem um risco.
Ação de Lula
Resta saber se o presidente Lula vai ficar parado diante do quadro geral que – como se pode observar – está ligado do Cartão de Crédito, Cheque Especial e Carnê de Loja ao empréstimo pessoal, o cheque pré-datado, à prestação de carro e crédito consignado? O que certamente uma liberação de mais dinheiro do FGTS não vai resolver o problema.
Cresce o número de pessoas que usam terceiro para aprovar crédito. – Divulgação
Usando o nome limpo no SPC
Num cenário de dificuldades de acesso ao crédito bancário e alto índice de inadimplência, o brasileiro tem buscado cada vez mais amigos e familiares para realizarem suas compras. Pesquisa da pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil com Offerwise Pesquisas, revela que 34% dos consumidores a recorrerem ao nome de terceiros para realizar compras a prazo nos últimos 12 meses.
O dado mostra que a maioria desses brasileiros (62%) é a única saída diante de restrições como o ‘nome sujo’ (23%), o estouro de limites de cheque ou cartão (20%) ou aprovação de crédito (19%). De acordo com o levantamento, o uso do nome de terceiros para a compra de vestuário, calçados e acessórios disparou, atingindo 26% das ocorrências, um salto de 11 pontos percentuais em relação a 2025.
Venda de dívidas
Um efeito desse quadro é uma nova frente de risco jurídico e reputacional. A cada dia mais consumidores relatam cobranças sem comprovação formal da cessão, divergências de valores e questionamentos sobre tratamento de dados pessoais à luz da LGPD. É a face real da cobrança de empresas especializadas em cobrar dívidas contraídas pelos consumidores com outras empresas.
A venda de carteiras inadimplentes atingiu R$ 34 bilhões em 2025. Um aumento de 21,4%, se comparado com 2024, que registrou R$ 28 bilhões. No ano passado, 43 empresas cedentes participaram de operações de venda de carteiras inadimplentes. O nome desse mercado é NPL (Non-Performing Loans), que consiste em comprar créditos vencidos de empresas e bancos e cobrar. Os consumidores reclamam que são abordados por cobranças de débitos com água, luz, gás e telefonia em nome das concessionárias.

Cartao de crédito para terceiros – Divulgação
Comprando fiado
Um dado chama atenção na pesquisa PEIC da CNC relacionado às famílias que ganham acima de 10 salários mínimos e que declararam ter dívidas e dívidas em atraso. Mesmo com maior capacidade de controlar sua inadimplência, essas famílias foram as maiores responsáveis pelo aumento do endividamento. Ou seja, em lugar de usar o seu capital para comprar à vista, elas preferem usar o crédito e pagar as prestações em dia.
Mulher que deve
O cartão de crédito segue como a principal dívida também entre as mulheres brasileiras. Em 2025, a Recovery, empresa do Grupo Itaú e plataforma especialista em recuperação de crédito no Brasil, tinha sob sua gestão 15 milhões de contratos ativos nessa modalidade. No total, considerando todas as categorias de dívidas, o volume relativo somente às mulheres chegou a 30 milhões no período — ante 29 milhões em 2024 —, o que indica crescimento da inadimplência feminina no período.
Depois do cartão de crédito, no ano passado, o segundo maior volume de dívidas femininas é referente a produtos bancários (oito milhões), seguido por dívidas relacionadas a veículos (142 mil). No comparativo com 2024, houve crescimento principalmente em produtos bancários (sete milhões). Na modalidade cartão de crédito, o número de 2024 se repete: 15 milhões.

Para o Secovi-SP, o FGTS não deve ser encarado apenas como uma reserva financeira individual, mas como um pilar de desenvolvimento social – Divulgação
Contas ativas
O FGTS tinham em dezembro de 2024 um total de 146.960 de contas ativas no fundo com saldo R$ 615.476.651,00. Mas também carrega um total de 84.246 contas inativas com saldo de R$ 22.616.077,00. Analistas avaliam que como essas contas não recebem mais créditos elas poderiam fazer parte do pacote de contas a serem liberadas pelo novo pacote do governo. Até porque boa parte delas referem-se a trabalhadores que pediram demissão.

Cresce o número de universitários com o nome do Sersa e no SPC. – DIVULGaÇÃO
Universitários
A questão da inadimplência chegou com força nas universidades particulares com o início do ano e rematrículas. Uma pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box revela que dois de cada três alunos (66%) com dívida ativa junto a instituições de ensino já deixaram de comprar itens básicos, como alimentação, transporte, água, entre outros, para conseguir pagar a mensalidade.
Também revelou que 48% dos estudantes tiveram que trancar o curso por não conseguir pagar as mensalidades em dia; 89% consideram muito importante quitar essa dívida; 85% são os responsáveis sozinhos pela despesa da universidade e o desemprego lidera entre as principais razões de dívidas com instituições de ensino. Na costa de inadimplentes estão 2,8 milhões de universitários de todo o país que podem quitar suas dívidas com 78 instituições.

Pesquisa mostra brasileiro cada vez mais assediado pelos jogos das bets – Divulgação
Bets edividam
A questão do endividamento também tema ver com o impacto da regularização das bets no Brasil. O mercado de apostas online legalizadas no Brasil encerrou 2025 com 26,4 bilhões de acessos, consolidando o primeiro ano completo da nova fase regulada em escala massiva. O número de acessos às bets equivale a uma média de 2,2 bilhões de visitas por mês ou 71 milhões de acessos por dia no Brasil. O setor operou com receita estimada pela plataforma Aposta Legal de R$ 36,1 bilhões para bets legais.
O recorde de acessos do ano aconteceu em agosto, com 2,7 bilhões de visitas a bets legalizadas. E ganhou de mercado importantes. Por exemplo: o faturamento total do e-commerce brasileiro na Black Friday de 2025 girou em torno de R$ 4 bilhões e foi maior que toda a receita anual prevista para a indústria de brinquedos no país (estimada em R$ 10,2 bilhões).
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