Câmara do Recife aprova moção de repúdio a Luciano Bivar após fala sobre exterminar tubarões

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Câmara do Recife aprova moção de repúdio a Luciano Bivar após fala sobre exterminar tubarões


Discussão em plenário expôs divergências sobre medidas para enfrentar os ataques de tubarão, mas maioria apoiou o repúdio ao deputado federal

Por

Pedro Beija


Publicado em 15/06/2026 às 14:26
| Atualizado em 15/06/2026 às 15:57


Clique aqui e escute a matéria

A Câmara Municipal do Recife aprovou, nesta segunda-feira (15), uma moção de repúdio às declarações do deputado federal Luciano Bivar (MDB), que defendeu o extermínio de tubarões como resposta aos recentes ataques registrados no litoral pernambucano. O requerimento, de autoria do vereador Douglas Brito (Avante), recebeu 15 votos favoráveis e cinco contrários.

A iniciativa foi apresentada após Bivar afirmar que seria necessário reduzir a população de tubarões em Pernambuco. A declaração ocorreu depois dos ataques registrados nas praias de Boa Viagem e Piedade, na Região Metropolitana do Recife, que deixaram uma jovem de 19 anos e uma criança de 11 anos com membros amputados.

No texto da moção, Douglas Brito argumenta que o debate sobre segurança nas praias deve ser conduzido com base em evidências científicas e políticas públicas voltadas à prevenção, e não por meio de medidas consideradas extremas.

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“A defesa do extermínio de tubarões não constitui solução legítima, nem técnica, nem moralmente aceitável para um problema complexo que envolve fatores ambientais, históricos, territoriais e de gestão costeira”, afirma o vereador na justificativa do requerimento.

Durante a discussão da matéria no plenário, Douglas Brito voltou a criticar a proposta apresentada pelo deputado federal.

“É preciso dizer o óbvio: toda vida humana importa. Cada ataque ocorrido em nossas praias representa uma tragédia para as vítimas e para o povo pernambucano. Mas, justamente por respeitarmos essa dor, não podemos permitir que ela seja utilizada para justificar discursos simplistas, irresponsáveis e contraditórios ao conhecimento científico. Defender a extinção de uma espécie não é uma solução, é um erro”, declarou.

O vereador afirmou ainda que a moção não tinha caráter pessoal.

“Essa nota de repúdio não é um ataque pessoal a Luciano Bivar, é uma defesa ao meio ambiente e da responsabilidade que todos nós devemos ter ao ocupar cargos de representação popular”, acrescentou.

A vereadora Jô Cavalcanti (PSOL) pediu aparte para manifestar apoio à iniciativa e reforçar o posicionamento contrário ao extermínio dos animais. Já o vereador Thiago Medina (PL) defendeu que todas as alternativas para reduzir os ataques de tubarões sejam debatidas, considerando também os impactos econômicos provocados pela insegurança nas praias da capital.

Ao final da votação, o requerimento foi aprovado por 15 votos favoráveis e cinco contrários, sem abstenções.

Ao Jornal do Commercio, Luciano Bivar informou que recebeu a moção de repúdio com surpresa.

Confira a nota na íntegra:

“O Deputado Luciano Bivar recebe a moção de repúdio com surpresa e lamenta profundamente que o debate sobre a segurança da população pernambucana tenha sido reduzido a distorções políticas e narrativas superficiais. Em nenhum momento o deputado defendeu o extermínio ou a extinção da espécie. O que o parlamentar propõe — e sustenta — é o manejo e a redução controlada da densidade populacional de espécimes que hoje se encontram em superpopulação no topo da cadeia alimentar local, gerando um desequilíbrio ecológico e social grave.

Essa proposta não é um ‘crime ambiental’, mas uma prática de gestão ecológica prevista no direito ambiental. O próprio Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) já autorizou o ICMBio a realizar o abate controlado de 5000 búfalos-asiáticos na Reserva Biológica do Guaporé (RO) para proteger a biodiversidade local. Governos de nações com forte tradição de preservação, como o Quênia, também já utilizaram o manejo populacional de elefantes para restabelecer o equilíbrio de savanas.

O mandato do deputado continuará focado no pragmatismo, na defesa da vida humana e no restabelecimento do uso democrático das praias de Boa Viagem e Piedade, sem demagogia”.

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