Bruno Olly: “Depois de tantas coleções seguidas assinando e confeccionando tudo, este ano eu precisava desacelerar um pouco”

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Bruno Olly: “Depois de tantas coleções seguidas assinando e confeccionando tudo, este ano eu precisava desacelerar um pouco”


O trabalho do estilista Bruno Olly, 38 anos, na Moda começa muito antes de seu nome ser o nome de sua própria marca. Lá em 2014, o seu projeto de moda e marca autoral ganhava vida, energia e proporção, somando hoje uma importante jornada de 13 anos no universo da Moda. Na edição do DFB Festival deste ano, após sete anos seguidos, a marca do estilista piauiense não estará na passarela, pois decidiu não levar uma nova coleção como nos anos anteriores. O público poderá encontrá-lo em seu stand para conversas olho no olho e muitas trocas durante o evento.

“Para mim, diminuir o ritmo tem sido uma forma de transformar a minha relação com o trabalho, me permitindo criar com mais afeto, com mais tempo para a pesquisa e, acima de tudo, humanizar quem está por trás da máquina de costura. A moda precisa ser viva, e os criadores também.”. É o que reflete e declara o estilista Bruno Olly em conversa com a equipe do Site Negrê.

​Pensando nisso, o Site Negrê realizou uma entrevista exclusiva com o estilista piauiense Bruno Olly. Confira na íntegra abaixo!

Negrê Como começou a sua marca? Ela sempre carregou o seu nome?

Bruno Olly Até 2022, ela [a marca] se chamava ATTOFAVO, certo? Só que a gente ia fazer um processo de transição porque a gente passou a sair em revistas de moda grande, né? Tipo a Harper’s Bazaar, essas revistas de moda que são referências no mercado nacional. Eles e a Helena [diretora do DFB] me fizeram o questionamento sobre o porquê se chamar Attofavo, ao invés de ter o meu próprio nome como o nome da marca. E isso já estava nos meus planos, só que aí eu tive que acelerar para poder ter essa possibilidade de sair na revista.

O estilista piauiense Bruno Olly. Foto: Jaylson Martins.

Negrê Você já participou muitas vezes do Festival com os seus desfiles… E neste ano, você recebeu o convite novamente e decidiu ir por outro caminho?

Bruno Olly – São 7 anos de história com o DFB Festival. É uma trajetória linda, de muito chão e de uma troca muito intensa com a moda cearense. Mas, depois de tantas coleções seguidas assinando e confeccionando tudo sozinho; este ano, eu entendi que precisava desacelerar um pouco. Decidi ir por outro caminho exatamente para priorizar a minha saúde mental e física, organizar meus processos internos e dar o tempo que o meu corpo e a minha mente estavam pedindo. A gente que é criativo e independente às vezes precisa dar um passo atrás para respirar e continuar com fôlego pro mercado. O peso das coisas só é aquele que a gente decide dar, e eu resolvi que este ano o meu foco principal seria o meu bem-estar e a reestruturação do meu ateliê.

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Negrê Apesar do fato de que a sua marca não vai estar na passarela este ano, vai ter coleção nova da sua marca na feira do DFB Festival 2026?

Bruno Olly – O corre não para! Embora eu não esteja na passarela oficial de desfiles, estarei presente na feira do DFB Festival 2026 com o meu stand. E sim, vamos ter novidades! Vou levar para o público as peças da nossa última coleção (aquela que apresentamos recentemente na Feira da Indústria). É um trabalho muito fresco, cheio de identidade, com aquela nossa alfaiataria desconstruída e cheia de recortes que a galera ama. Vai ser incrível poder receber todo mundo de um jeito mais calmo, direto no stand, conversando olho no olho.

Desfile da marca Bruno Olly na Feira da Indústria 2026. Fotos: Eduardo Maranhão.

Negrê Quais serão os planos e projetos da sua marca após o DFB Festival 2026?

Bruno Olly – Bom, a ideia é estruturar o processo de produção da marca, né? Ver situações que não se conseguia enxergar antes devido o corte de desfiles de passarela. E como sou eu que penso em todos os detalhes e tudo, embora exista uma equipe por trás quando a gente participa de desfiles, o resto do ano sou eu. Então, eu tô tirando esse tempo também para desacelerar, dar essa reorganizada e pensar em possibilidades maiores, como, por exemplo, uma casa de criadores, né? Algo por São Paulo ou outras possibilidades em si, né? E ter outros projetos de desfiles para que a marca esteja sempre próxima dos clientes, seguidores e admiradores dos trabalhos que eu faço junto com o meu trabalho com a marca.

O estilista piauiense Bruno Olly na Feira da Indústria 2026. Foto: Eduardo Maranhão.

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Negrê Por que alguns estilistas estão falando sobre desacelerar e diminuir o ritmo? Como a velocidade da moda e do mercado tem afetado e transformado a vida de quem atua nesta área?

Bruno Olly – Essa sua pergunta é cirúrgica e toca num ponto que a gente precisa muito debater de verdade. O mercado da moda, principalmente nos moldes tradicionais, dita um ritmo que, muitas vezes, é insustentável para quem faz moda independente. A velocidade com o que tudo acontece e a cobrança por novidade o tempo todo geram uma pressão estética e mental que chega a ser absurda, afetando a saúde de muita gente boa na área. Quando se fala sobre desacelerar, não é sobre desistir ou parar de produzir, sabe? É sobre um ato de sobrevivência e de respeito ao processo criativo. Para criar com verdade, os estilistas precisam de tempo, precisam de vida, precisam sair do ateliê e ver o mundo lá fora para se inspirar. O ócio criativo tá cada vez mais difícil de alcançar nessa correria, e quando a engrenagem do mercado engole a nossa saúde, o produto acaba perdendo a alma. Trazendo isso para a minha realidade, eu participo de cada etapa e coloco a mão na massa em tudo, desde a criação, a modelagem até o corte e a costura. Eu percebi que o peso de tudo isso só é aquele que eu decido dar, e que nenhuma coleção vale o meu esgotamento físico ou psicológico. Para mim, diminuir o ritmo tem sido uma forma de transformar a minha relação com o trabalho, me permitindo criar com mais afeto, com mais tempo para a pesquisa e, acima de tudo, humanizar quem está por trás da máquina de costura. A moda precisa ser viva, e os criadores também.

Foto de capa: Vitor Marques.

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