Brasileiros sancionados pelos EUA por elo com PCC são alvo da PF

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Brasileiros sancionados pelos EUA por elo com PCC são alvo da PF


Mais de 50 policiais federais cumpriram 13 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de prisão temporária expedidos por Vara Criminal de São Paulo

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Estadão Conteúdo


Publicado em 03/07/2026 às 21:07
| Atualizado em 03/07/2026 às 21:13


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O anúncio das primeiras sanções americanas a brasileiros e empresas com supostos elos com o Primeiro Comando da Capital (PCC) fez a Polícia Federal acelerar a Operação Exchange, que foi às ruas ontem para prender 11 suspeitos e cumprir 13 mandados de busca e apreensão contra um núcleo financeiro da facção.

A ação mirou principalmente os empresários Stella Stefanie Nunes e Victor Henrique de Oliveira Shimada, os primeiros brasileiros sancionados pelos Estados Unidos desde que o governo de Donald Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais. Segundo a PF, as sanções prejudicaram a operação.

Shimada é apontado como líder e coordenador logístico de um esquema de lavagem de R$ 10 bilhões. Para isso, estruturou um vasto arcabouço com 73 empresas de fachada para ocultar e movimentar cifras bilionárias do tráfico de drogas, especialmente de haxixe, diz a PF.

Stella foi presa de manhã, e Shimada seguia foragido até a noite A reportagem não conseguiu contato com as defesas. “Essa investigação deflagrada hoje (ontem), a representação policial e a decisão judicial são anteriores inclusive ao decreto americano que colocou essa organização criminosa como terrorista”, afirmou o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, Dennis Cali da PF, em encontro com jornalistas. “Em razão dessa publicação, tivemos de adiantar e deflagrar a operação. Tínhamos algumas questões operacionais de identificação do alvo. Com a divulgação na imprensa (das sanções), a gente adiantou e deflagrou.”

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Já o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, voltou a criticar a decisão dos EUA e disse que “tecnicamente é um erro grosseiro”. “São propósitos diferentes, objetivos diferentes e, portanto, estratégias diferentes. A legislação e o sistema processual são diferentes para se fazer o enfrentamento de um grupo ou de outro “

Ele disse que a PF tem combatido as facções, mas ressaltou que nem todo investigado por lavagem de dinheiro é integrante do PCC ou vinculado à facção. “É importante salientar que esse cidadão citado (Shimada) já foi preso preventivamente pela PF em uma operação nossa iniciada em 2024 e foi condenado em 2025, fruto dessa operação”, afirmou.

PARA ENTENDER

Na quarta, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou sanções contra Shimada, Stella, três empresas com sede no Brasil e uma de Portugal por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Segundo o governo americano, o grupo movimentou mais de US$ 30 milhões provenientes do tráfico internacional de drogas.

O Estadão apurou que a PF estava no encalço dos suspeitos havia semanas e já havia representado à Justiça pela decretação da prisão de Shimada e dos outros investigados antes da sanção americana. Todos os alvos estavam sob monitoramento. Os investigadores avaliam que a divulgação dos EUA sobre a sanção prejudicou o trabalho de campo e precipitou a operação.

As 73 empresas utilizadas por Shimada foram bloqueadas por decisão do juiz Paulo Cezar Duran, da 7.ª Vara Federal Criminal em São Paulo. A medida também determinou o bloqueio e sequestro de bens, direitos e valores até o limite de R$ 10.386.527 419,19, de forma solidária, envolvendo os investigados e as pessoas jurídicas citadas na investigação.

Na investigação, a PF constatou que Shimada utilizava as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda. e Hi Quality Importação Comércio e Distribuição Ltda. para movimentar, ocultar e dissimular recursos do PCC. A apuração reúne análises de relatórios de inteligência financeira e laudos periciais contábeis que apontam movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada de Shimada.

Segundo os investigadores, a empresa Hi Quality, que não possui empregados registrados, foi citada em centenas de comunicações que somam R$ 29,3 bilhões. Já Shimada aparece em dezenas de registros envolvendo valores expressivos.

Os documentos indicam ainda o uso de estruturas financeiras para dissimular a origem dos recursos. E incluem uma planilha de controle atribuída a um usuário identificado como Harry Thompson, também referido como Bryan Willians, apontado como apelido de Shimada em grupo de WhatsApp, com registros de operações descritas sob o campo “TOKEN”, com dados de valores, câmbio, cidades e saldos, além de movimentações estimadas em US$ 7,5 milhões em cidades americanas, como Houston, Chicago, Denver, Atlanta, Cleveland, Nashville, Memphis e Los Angeles. Os operadores do esquema também tinham forte atuação no ramo de criptomoedas.






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