A escritora brasileira Ana Paula Maia perdeu o prêmio Booker Internacional, a que concorria como finalista pelo livro “Assim na Terra como Embaixo da Terra”, publicado no Brasil pela editora Record. A obra vencedora foi “Taiwan Travelogue”, da taiwanesa Yang Shuang-zi.
O anúncio aconteceu na noite desta terça-feira (19) em uma cerimônia foi no museu Tate Modern, em Londres. A competição reconhece o melhor da ficção traduzida para o inglês, com publicação no Reino Unido ou na Irlanda, e é um dos mais importantes reconhecimentos do mercado internacional.
Maia concorria pela tradução do romance feita pela professora canadense de origem indiana Padma Viswanathan para a editora britânica Charco Press, especializada em literatura latino-americana.
O prêmio concedido pelo Booker é de 50 mil libras, equivalente a pouco mais de 300 mil reais, reconhecendo também o trabalho do tradutor, que divide o valor em dinheiro com o autor.
“Taiwan Travelogue” (ou “relato de viagem taiwanês”) foi traduzido ao inglês por Lin King e já teve seus direitos comprados no Brasil pela Record, mesma editora do livro de Maia.
Na trama passada em 1938, uma jovem escritora japonesa visita Taiwan, então ocupada pelo seu país. Durante a estadia, uma intérprete local a acompanha nos compromissos da agenda imperialista para a qual a autora foi convidada.
Mas, entre viagens de trem, refeições compartilhadas e conversas íntimas, as duas mulheres começam a se aproximar, e a protagonista percebe que se interessa muito mais pela verdadeira Taiwan que pelo país que o regime quer lhe mostrar.
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A obra de Maia, lançada originalmente em 2017, conta a história de uma colônia penal em seus últimos dias, acompanhando o matador indígena Bronco Gil entre um grupo de prisioneiros sob os cuidados de um diretor abusivo que tem um hobby sanguinário.
O projeto literário de Maia é marcado por um universo quase todo masculino, com protagonistas que costumam ser assassinos e brutamontes. Hoje, a autora é publicada pela Companhia das Letras, apesar de ter lançado quatro livros na Record e outros volumes nas independentes 7Letras e Língua Geral.
Nascida na Baixada Fluminense, a escritora cresceu em meio a trabalhadores braçais do Rio de Janeiro, mas acabou seguindo um caminho mais próximo da mãe, professora de português.
No Brasil, “Assim na Terra como Embaixo da Terra” já tinha sido reconhecido pelo prêmio São Paulo de Literatura, em 2018, como melhor romance. No ano seguinte, a autora ganhou de novo com “Enterre Seus Mortos”, adaptado para o cinema em 2024.
O último autor brasileiro a concorrer ao Booker foi Itamar Vieira Junior, finalista em 2024 pela tradução de “Torto Arado”. Antes dele, apareceram na lista de semifinalistas “Marrom e Amarelo”, de Paulo Scott, em 2022, e “Um Copo de Cólera”, de Raduan Nassar, em 2016.
Entre os semifinalistas de 2026, estava também a argentina Gabriela Cabezón Cámara com seu “As Meninas do Laranjal”. Desde a criação do prêmio, no entanto, nenhum livro escrito originalmente em língua espanhola ou portuguesa saiu vencedor.
Nesta terça, concorriam também os alemães Shida Bazyar e Daniel Kehlmann, a francesa Marie NDiaye e a búlgara Rene Karabash —a única publicada no Brasil até agora. Seu romance “Aquela que Restou” acaba de sair pela editora Ercolano. O alemão “The Nights Are Quiet in Tehran”, de Bazyar, teve seus direitos adquiridos pela Instante.
A vencedora mais recente do Booker Internacional foi a indiana Banu Mushtaq. Seu “Heart Lamp” foi o primeiro livro de contos a levar o troféu e está previsto para sair no Brasil em agosto, também pela Instante e traduzido por Julia Dantas.














