Com menor investimento e resultados prejudicados em pesquisa, instituições de ensino brasileiras perdem posições na lista das melhores do mundo
JC
Publicado em 02/06/2026 às 0:00
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O sentido individual da formação em nível superior oscila entre o avanço no caminho da curiosidade pela aquisição de conhecimentos, de descoberta em descoberta, e a preparação de excelência para o desempenho da vocação em determinado campo profissional. A experiência universitária marca não apenas o início da vida adulta, mas também convoca muitos jovens a permanecerem no ambiente acadêmico, como professores ou pesquisadores. E daí surge o sentido coletivo da existência das universidades, originado séculos atrás como oportunidade para o convívio de estudantes, mestres e comunidade em geral: a universidade é a referência de um trabalho de ponta, no desenvolvimento de métodos, técnicas, conceitos e tecnologias voltadas para o proveito comum, em conquistas que se desdobram em benefícios para toda a humanidade.
Perder o reconhecimento obtido nessa referência significa, em muitos casos, desestimular a vida acadêmica, desviar o rumo de talentos que poderiam contribuir para a vida coletiva, ou mesmo, ver corroída a tradição de anos e anos na formação e na transmissão do conhecimento. O Brasil acaba de ver as melhores de nossas universidades perdendo espaço de reconhecimento no contexto global – o que não é bom para as instituições, para os indivíduos que estão nelas, e para o país.
De acordo com o mais recente levantamento do Center for World University Rankings (CWUR), nada menos que 45 de 52 universidades brasileiras listadas perderam posições em comparação ao ano passado. Ou seja, houve uma regressão quase geral, com exceções que mantiveram a qualidade e a competitividade. A maioria, no entanto, deu um passo atrás nas pesquisas, sendo passada para trás por instituições de outros países. Até a melhor do Brasil e da América Latina, a USP, de São Paulo, perdeu uma posição no ranking – e caiu para o 119º lugar, o que já demonstra o baixo desempenho do país e do continente no panorama global.
Outras quedas são ainda mais reveladoras de nossos problemas no nível superior, que se disseminou geograficamente sem ganhar fôlego de performance destacada no planeta. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), caiu 15 posições e está em 346º lugar, e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), dez posições, ocupando o 379º lugar – e são sabidamente duas das mais respeitadas entidades de ensino superior no Brasil. O retrocesso nos indicadores de pesquisa é apontado como o principal fator de decadência nas universidades brasileira. Como se sabe, pesquisa demanda recursos de financiamento, com sua viabilização mantida durante anos para a esperada apresentação de resultados. Como no país tem vigorado a incerteza e os cortes de recursos, até para as despesas de custeio, os pesquisadores em atuação no Brasil estão cada vez mais avaliando oportunidades de trabalho fora daqui, num ambiente mais estável e favorável à dedicação ao que fazem.
A propósito, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) também está no ranking: em um longínquo 891º lugar – ainda assim, melhor do que as federais do Rio Grande do Norte, do Ceará e da Bahia, entre outras mais para baixo.














