São Paulo
O Museu do Ipiranga apresenta a exposição “Liberdade: Bairro Plural”, que revisita a história de um dos bairros mais conhecidos de São Paulo para além de sua associação com a imigração japonesa.
A mostra, em cartaz até janeiro de 2027, aborda a formação da região desde o período colonial, quando era ocupada por indígenas, portugueses e escravizados. Reflete também sobre mudanças subsequentes no século 19 e as diferentes ondas migratórias que passaram por ali.
Exposição “Liberdade: bairro plural” no Museu do Ipiranga
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Helio Nobre/Divulgação
O eixo da exposição reúne instituições que já existiram ou ainda permanecem no bairro, apresentadas por meio de fotografias, vestimentas, instrumentos musicais e projetos arquitetônicos. A curadoria destaca apagamentos ligados às transformações da região e revisita a presença de povos como taiwaneses, russos, africanos e libaneses. A organização é assinada por Paulo Garcez Marins, Monica Schpun, Aline Montenegro Magalhães, Francisco Andrade e David Ribeiro.
A história da comunidade japonesa, entretanto, também está representada em diferentes momentos, entre eles a perseguição a essa comunidade durante a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945), quando o país asiático se aliou à Alemanha nazista.
Também mostra como, a partir da década de 1970, intervenções urbanas e políticas ligadas ao turismo consolidaram a imagem da Liberdade como bairro japonês.
Conheça, a seguir, algumas das entidades que integram a exposição e contam outra história do bairro —elas também continuam de pé e podem ser visitadas.
Associação Okinawa Kenjin do Brasil
Fundada em 1926, é mantida por descendentes de imigrantes do arquipélago de Okinawa, anexado pelo Japão no fim do século 19. Embora integrados à imigração japonesa, os okinawanos mantiveram línguas, costumes e tradições próprias. A sede atual, inaugurada em 1978 na Liberdade, abriga um museu com objetos que documentam essa trajetória.
R. Dr. Tomas de Lima, 72, Liberdade, região central. @aokb.ccob
Capela dos Aflitos
Construída em 1779 no antigo Cemitério dos Aflitos, desativado em 1858, a capela reabriu neste ano após restauro. O local preserva a memória de um dos primeiros cemitérios públicos de São Paulo, destinado a pessoas escravizadas, pobres, condenados pela Justiça e mortos da Santa Casa. A capela também é um espaço de adoração a Francisco José das Chagas. Conhecido como Chaguinhas, o militar negro liderou uma revolta por melhores salários e foi condenado à forca em 1821.
R. dos Aflitos, 70, Liberdade, região central. @aflitos.unamca
Catedral Maronita Nossa Senhora do Líbano
Aberta em 1967, é sede da eparquia maronita em São Paulo e representa a tradição cristã oriental de origem libanesa. Embora muitos descendentes de libaneses vivam em outros bairros, a igreja foi construída na Liberdade por sua localização central. Reformada em 2013, recebeu revestimentos e obras de arte trazidos do Líbano e mantém missas em árabe aos domingos.
R. Tamandaré, 355, Liberdade, região central. @catedralnslibano
Catedral Ortodoxa Russa
Pertence à Igreja Ortodoxa Russa no Exterior, criada por cidadãos que deixaram a Rússia depois da Revolução de 1917. A paróquia foi fundada em São Paulo em 1925, e a atual igreja, inaugurada em 1939, destaca-se pela cúpula em formato de bulbo. O interior reúne ícones trazidos por imigrantes russos. Celebra cultos em russo e português.
R. Tamandaré, 710, Liberdade, região central. @catsaonicolau
Centro Cultural da Guiné
Criado em 2016 pelo artista Abou Sidibé, o centro promove culturas da África Ocidental e articula diálogos com tradições afro-brasileiras. Funciona como espaço de aulas, oficinas e encontros, além de ponto de acolhimento para migrantes. Em outubro, promove uma atividade para crianças na exposição do Ipiranga.
R. dos Estudantes, 279, Liberdade, região central. @centroculturaldaguine
Centro Cultural de Taipei
Ligado ao escritório de representação cultural e comercial de Taiwan, a instituição é dedicada à prestação de serviços à comunidade taiwanesa, além de oferecer atividades culturais. Também preserva acervos documentais que narram a experiência dessa população no Brasil.
R. São Joaquim, 460, Liberdade, região central. @taiwan_no_brasil
Igreja Nossa Senhora da Paz
Criada em 1940, a igreja reúne paróquias de diferentes comunidades, como a italiana, a latino-americana e a filipina. Desde 2013, também realiza celebrações para a comunidade haitiana. O local abriga ainda a Missão Paz, referência no acolhimento a refugiados.
R. Glicério, 225, Liberdade, região central. @missaopazsp
Liberdade: Bairro Plural
Museu do Ipiranga- r. dos Patriotas, 100, Ipiranga, região sul. Até 31/1/27. Ter. a dom., das 10h às 17h. Ingr.: R$ 30 (inteira)












