Após três anos do 8 de janeiro, relembre a cronologia da tentativa de golpe contra a democracia

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Após três anos do 8 de janeiro, relembre a cronologia da tentativa de golpe contra a democracia


Da contestação do resultado eleitoral aos atos terroristas, sequência de ações culminou na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes

Por

Agência Brasil


Publicado em 08/01/2026 às 11:02
| Atualizado em 08/01/2026 às 14:15



Clique aqui e escute a matéria

As imagens da depredação das sedes dos Três Poderes da República, ocorrida em 8 de janeiro de 2023, completam três anos nesta quinta-feira (8). O episódio correu o mundo e entrou para a história como uma das páginas mais dramáticas e sombrias da trajetória da democracia brasileira.

Naquela tarde nublada de domingo, em Brasília, milhares de apoiadores do então ex-presidente Jair Bolsonaro, derrotado nas urnas dois meses antes, marcharam pela Esplanada dos Ministérios, romperam um bloqueio policial e invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF), destruindo tudo o que encontravam pelo caminho.

O ataque reafirmava um pedido que já ecoava em segmentos extremistas da sociedade: a defesa de um golpe de Estado para depor o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eleito democraticamente e empossado havia apenas uma semana.

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×350-area” });
}

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×250-4” });
}

A invasão representou o marco culminante da chamada trama golpista, um conjunto de atos e movimentações – alguns articulados entre si, outros mais isolados – que tinham como objetivo final romper a ordem democrática e manter o grupo bolsonarista no poder.

Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que levou à condenação de Jair Bolsonaro e aliados no STF, o plano de ruptura começou a ser delineado ainda em 2021, poucos dias após Lula recuperar sua elegibilidade.

A partir daquele momento, o núcleo da organização criminosa passou a cogitar que o então presidente da República afrontasse e desobedecesse decisões do Supremo Tribunal Federal e defendesse a deslegitimação do processo eleitoral brasileiro em caso de derrota.

Com a confirmação da derrota eleitoral de Bolsonaro no pleito de 30 de outubro de 2022, uma sequência de episódios passou a se espalhar pelo país, incluindo protestos golpistas, atos de violência e ações de cunho terrorista. A seguir, a Agência Brasil reconstitui, de forma cronológica, os fatos ocorridos entre o fim das eleições e o 8 de janeiro.

Bloqueios de rodovias

Em uma das eleições presidenciais mais acirradas da história do Brasil, Lula venceu Jair Bolsonaro com 50,9% dos votos válidos, contra 49,1%. O resultado não foi bem recebido por apoiadores do então presidente – nem por ele próprio, que demorou dois dias para se pronunciar e o fez de maneira ambígua, alimentando especulações golpistas.

Na mesma noite do domingo da apuração, enquanto eleitores de Lula comemoravam em diversas cidades, grupos de caminhoneiros e apoiadores de Bolsonaro iniciaram bloqueios de rodovias em vários estados. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), foram registradas mais de mil interdições totais ou parciais em estradas federais.

Os bloqueios atingiram o auge nos primeiros dias de novembro, provocando transtornos como riscos pontuais de desabastecimento e cancelamentos de voos em aeroportos. Diante da pressão, Bolsonaro veio a público pedir a desobstrução das rodovias, em sua primeira manifestação após o resultado das urnas. Na declaração, agradeceu aos votos recebidos, mas não parabenizou o adversário pela vitória.

Com o passar dos dias, os bloqueios perderam força e foram encerrados ainda no fim da primeira semana de novembro.

Acampamentos em quartéis

Após o enfraquecimento dos bloqueios rodoviários, grupos bolsonaristas passaram a montar acampamentos em frente a quartéis das Forças Armadas em cidades como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Salvador, Recife e municípios do interior. Nos locais, os manifestantes exigiam intervenção militar e questionavam a legitimidade das eleições.

Foram registrados mais de 100 acampamentos em todo o país. O principal deles foi montado em frente ao Quartel-General (QG) do Exército, na capital federal, de onde partiram os manifestantes que invadiram e depredaram a Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

Diferentemente dos bloqueios nas rodovias, Bolsonaro não pediu o fim dos acampamentos. Segundo a denúncia da PGR, as estruturas tiveram aval direto do então presidente da República e seriam usadas como justificativa para uma eventual intervenção militar. Entre as provas citadas está uma nota dos comandantes das três Forças Armadas autorizando a permanência dos manifestantes em frente aos quartéis por ordem de Jair Bolsonaro.


Marcello Casal Jr./Arquivo Agência Brasil

Manifestantes bolsonaristas mantêm acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, pedindo intervenção militar após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro. – Marcello Casal Jr./Arquivo Agência Brasil

Os acampamentos deram novo fôlego ao movimento golpista e se transformaram em centros de conspiração, contando com indiferença e até conivência de autoridades. A logística de manutenção desses espaços — com alimentação e alojamento para milhares de pessoas — foi posteriormente alvo de processos no STF, que resultaram na condenação de envolvidos diretos.

Atos terroristas e violência política

Ao longo de novembro e início de dezembro de 2022, a tensão nos acampamentos, a recusa em reconhecer a derrota eleitoral e até uma ação do PL, partido de Bolsonaro, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pedindo a invalidação de votos de parte das urnas eletrônicas, intensificaram o ambiente golpista. Em dezembro, os episódios passaram a escalar para a violência política explícita.

No dia 12 de dezembro de 2022, data da diplomação de Lula no TSE, Brasília viveu uma de suas noites mais violentas. Manifestantes bolsonaristas tentaram invadir a sede da Polícia Federal (PF) e promoveram protestos que fecharam o Setor Hoteleiro Norte e parte do Eixo Monumental. Diversos carros e ônibus foram incendiados.

Na véspera de Natal, em 24 de dezembro de 2022, o motorista de um caminhão-tanque de combustível estacionado nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília identificou um artefato explosivo no veículo e acionou a polícia. O episódio revelou uma tentativa de atentado a bomba organizada por apoiadores de Bolsonaro ligados ao acampamento do QG do Exército. A tragédia não ocorreu porque o explosivo falhou.

Dois dos envolvidos foram condenados pela Justiça do Distrito Federal ainda em 2023 pelos crimes de explosão, incêndio e posse de arma de fogo. As investigações apontaram que o objetivo era causar grande comoção social e precipitar uma intervenção militar.

No fim do ano passado, George Washington de Oliveira Sousa, Alan Diego dos Santos Rodrigues e Wellington Macedo de Souza, envolvidos na tentativa de atentado, tornaram-se réus no STF pelos crimes de associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e atentado contra a segurança do transporte aéreo.

Os episódios de violência em dezembro elevaram ainda mais o nível de alerta. As autoridades montaram um forte esquema de segurança para a posse de Lula, em 1º de janeiro de 2023. O evento ocorreu sem intercorrências, o que gerou uma sensação momentânea de tranquilidade, quebrada exatamente uma semana depois, com os atos golpistas de 8 de janeiro.


Marcelo Camargo/Arquivo Agência Brasil

Bolsonaristas invadem e depredam as sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023, uma semana após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – Marcelo Camargo/Arquivo Agência Brasil

Por memória e democracia

Para marcar os três anos da invasão, eventos em defesa da democracia ocorrem nesta quinta-feira. No Palácio do Planalto, o presidente Lula participa de uma cerimônia com autoridades e representantes da sociedade civil, realizada anualmente como forma de reafirmar os valores democráticos após a depredação das sedes dos Três Poderes.

O Supremo Tribunal Federal também preparou uma programação especial dentro da campanha Democracia Inabalada.

Saiba como assistir aos Videocasts do JC


 





Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *