O estilista Anthony Vaccarello deixa a Saint Laurent, anunciou a marca nesta sexta-feira, após uma década à frente da lendária grife francesa, período em que multiplicou seu faturamento, e depois de um último desfile apoteótico, tendo o dourado praticamente como única cor.
“Na última década, Anthony Vaccarello desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da Saint Laurent, contribuindo para reforçar sua identidade, bem como sua influência no mundo da moda e da cultura”, afirmou em comunicado a marca, pertencente ao grupo Kering.
A saída de Vaccarello representa um novo abalo no setor de luxo, após dois anos de grandes mudanças no comando de pesos-pesados da moda, como Chanel e Dior.
A saída do estilista belga representa a maior mudança entre diretores artísticos na gigante francesa Kering, também proprietária da Gucci e da Balenciaga, desde a chegada do novo diretor-geral, Luca de Meo, em setembro do ano passado.
De Meo elogiou “a visão criativa e o rigor” de Vaccarello, que contribuíram para consolidar de forma duradoura o prestígio da Saint Laurent, que abre “um novo capítulo de sua história”, segundo o comunicado.
A grife informou que anunciará em breve quem substituirá o estilista belga. Entre os nomes cogitados está o da alemã Chemena Kamali, diretora artística da Chloé desde 2023.
Vaccarello escreveu nesta sexta-feira um simples “até breve” em sua conta no Instagram, acompanhado de um coração e de um vídeo com os momentos que marcaram esta década na Saint Laurent.
No fim de setembro, apresentou aquela que se tornou sua última coleção para a grife, em um desfile deslumbrante.
Com a Torre Eiffel ao fundo e sob uma fileira de luminárias gigantescas, praticamente todos os looks do desfile eram dourados. Entre eles, destacaram-se silhuetas emblemáticas da grife, como as jaquetas safári e os vestidos de renda transparente.
“O que parte às vezes deixa mais luz do que aquilo que permanece”, afirmou enigmaticamente o estilista em sua declaração de intenções.
Para vários especialistas, esse foi um dos momentos de maior destaque desta Semana de Moda de Paris.
“Um desfile e uma coleção que se alinharam perfeitamente para criar algo que permanecerá por muito tempo na memória de quem teve o privilégio de presenciá-lo”, afirma Simon Longland, diretor de compras da loja de departamentos londrina Harrods.
O fato de apresentar uma proposta inteiramente em ouro reflete “a genialidade” do estilista: “Conseguir criar verdadeiras coleções com apenas uma ou duas ideias, sem levar em conta as exigências comerciais”, afirma Elvire von Bardeleben, jornalista de moda do jornal francês Le Monde.
Vaccarello, nascido na Bélgica em uma família italiana, formou-se em 2006 na prestigiosa escola de artes visuais La Cambre, em Bruxelas. Após uma passagem pela Fendi, criou sua própria marca em 2009.
Foi nomeado diretor artístico da Saint Laurent em 2016, sucedendo o carismático Hedi Slimane, que trouxe uma era de prosperidade à marca.
O criador levou vários anos para encontrar seu lugar, especialmente na moda masculina, área em que nunca havia trabalhado antes de chegar à grife. O ponto de virada ocorreu em 2022, em Marrakech, quando transferiu diretamente as silhuetas femininas para a coleção masculina, em um gesto muito “Yves”.
Na moda feminina, soube impor seu estilo inconfundível: transparências, smoking, metal e preto.
Sob sua direção, a marca quase triplicou o faturamento, alcançando 3,2 bilhões de euros (3,6 bilhões de dólares) em 2023, antes de sofrer, assim como todo o setor de luxo, uma desaceleração nas vendas.
Entre as estrelas que costumam comparecer a seus desfiles estão Dua Lipa, Kate Moss, Bella Hadid e Zoe Saldaña.
Com Vaccarello, a Saint Laurent também se tornou a primeira grife de moda a se aventurar no mundo da produção cinematográfica, coproduzindo, desde 2024, três filmes selecionados em Cannes, entre eles o musical sobre o narcotráfico “Emilia Pérez”.













