Sem orientação, o uso frequente de remédios para dor de cabeça pode agravar crises, aumentar frequência dos sintomas e dificultar tratamento
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A cefaleia, popularmente conhecida como dor de cabeça, faz parte da rotina de milhões de brasileiros e, embora muitas vezes seja encarada como um incômodo passageiro, pode representar um importante sinal de alerta do organismo. Especialistas alertam, inclusive, que o uso excessivo de analgésicos também pode provocar o efeito rebote, o que tende a agravar o problema e aumentar a frequência das dores.
Em alusão ao Dia Nacional de Combate à Cefaleia, lembrado em 19 de maio, especialistas chamam a atenção para a necessidade de investigar dores frequentes, intensas ou acompanhadas de outros sintomas. A Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe) dissemina um alerta: 3 é Demais, com o objetivo de mostrar que ter três episódios ou mais de dores de cabeça por mês, durante pelo menos 3 meses, é sinal de que é preciso procurar um médico para ter tratamento correto.
O neurologista Eduardo Aquino, do Hospital Pelópidas Silveira (HPS), no Recife, ressalta que a “cefaleia é qualquer dor de cabeça e pode acontecer por conta de doenças virais, traumas, sinusites”.
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Mas, apesar de comum, a cefaleia não deve ser negligenciada, especialmente quando frequente, intensa ou associada a outros sintomas, pois pode impactar diretamente a qualidade de vida, o desempenho profissional, as relações sociais e a saúde emocional dos pacientes.
Dor de cabeça pode ser causada por abuso de analgésicos
O tratamento da dor de cabeça depende do diagnóstico correto. Segundo o neurologista José Luiz Inojosa, do Hospital Santa Joana Recife, da Rede Américas, o fácil acesso a analgésicos favorece a automedicação, especialmente entre pacientes com migrânea (enxaqueca), que alternam períodos de crises mais intensas e mais leves. No entanto, essa prática pode agravar o problema.
“O uso frequente de analgésicos faz com que o organismo deixe de produzir substâncias importantes para o equilíbrio da sensação de bem-estar plena e do controle da dor. Isso gera uma necessidade cada vez maior do medicamento. Quanto mais associações o analgésico tiver, com três ou quatro substâncias, muitas vezes incluindo cafeína, maior o risco de desenvolver a cefaleia por abuso de analgésicos”, explica.
Segundo o neurologista, trata-se de um efeito rebote. “A dor de cabeça passa a ocorrer com mais frequência e intensidade. Assim, torna-se cada vez mais difícil de controlar e leva ao aumento do consumo de medicamentos.”
Nesses casos, o especialista alerta que pode ser necessário reduzir ou suspender o uso dos analgésicos, o que pode provocar cerca de 15 dias de mal-estar e piora temporária da dor até que se obtenha um melhor controle da cefaleia.
Dor de cabeça está entre as doenças mais incapacitantes do mundo
A dor de cabeça afeta entre 30 e 34 milhões de brasileiros. A Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe) aponta que cerca de 95% da população apresentará, ao longo da vida, pelo menos um episódio de dor de cabeça.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos de cefaleia estão entre as condições neurológicas mais comuns em todo o mundo e impactam significativamente a qualidade de vida, o desempenho profissional e as relações sociais.
De acordo com José Luiz Inojosa, as cefaleias se dividem em primárias e secundárias.
As secundárias são aquelas em que existe uma causa subjacente para a dor de cabeça, enquanto as primárias não estão associadas a outra doença e são as mais comuns na população.
“As cefaleias primárias incluem a cefaleia tensional, que é a mais frequente, e a migrânea, popularmente conhecida como enxaqueca”, explica.
Na migrânea (enxaqueca), o paciente costuma sentir uma dor intensa, pulsátil, geralmente em um lado da cabeça, embora também possa acometer os dois lados.
O neurologista Eduardo Aquino destaca que a enxaqueca pode durar de 4 a 72 horas e tem características próprias como intolerância a luz, barulho e claridade. Tudo isso pode vir associado a náuseas e vômitos.
Outro tipo, de acordo com o médico, é a cefaleia em salvas, considerada uma das dores mais intensas da medicina, que acomete principalmente a região ao redor dos olhos, em crises cíclicas, associadas a lacrimejamento, vermelhidão ocular e congestão nasal.
Segundo o neurologista José Luiz Inojosa, as cefaleias secundárias são as que exigem maior atenção. “Elas podem estar relacionadas a sangramentos, tumores que crescem lentamente ou rapidamente dentro do crânio, meningites e outras condições mais graves”, alerta José Luiz.
“São dores associadas à febre, rigidez na nuca, despertar noturno ou mudança no padrão habitual da dor, como aumento da frequência, da intensidade ou alteração das características. Esses casos precisam de avaliação médica com mais urgência.”
Outro sinal de alerta é quando a dor surge de forma súbita e muito intensa. “Quando, em poucos segundos ou minutos, o paciente apresenta uma dor muito forte ou a considera a pior dor de cabeça da vida, é necessária uma investigação mais cuidadosa”, complementa.
Qual o melhor tratamento para dor de cabeça?
O tratamento da cefaleia varia de acordo com o diagnóstico. Quando a dor é secundária, o foco é tratar a doença que está causando o sintoma. Já nos casos de cefaleias primárias, além dos medicamentos prescritos pelo neurologista, existem outras opções terapêuticas.
“No Brasil, ainda não dispomos de todas as terapias disponíveis em outros países, mas já contamos com alternativas como a aplicação de toxina botulínica, infiltrações em pontos específicos da cefaleia com anestésicos e o uso de anticorpos monoclonais”, destaca José Luiz.
Independentemente da causa, todo tratamento deve ser conduzido com acompanhamento de um neurologista. O diagnóstico adequado é fundamental para controlar as crises, evitar complicações e devolver qualidade de vida ao paciente.












