Alfredo Bertini, idealizador do Cine PE, morre aos 65 anos

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Alfredo Bertini, idealizador do Cine PE, morre aos 65 anos


Formado em economia, Bertini faleceu nesta quinta-feira (4) em decorrência de complicações após uma cirurgia de transplante de fígado

Por

JC


Publicado em 04/06/2026 às 21:39
| Atualizado em 04/06/2026 às 22:32


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O idealizador do festival Cine PE, Alfredo Bertini, faleceu na noite desta quinta-feira (4), em decorrência de complicações após uma cirurgia de transplante de fígado, realizada no Hospital Nossa Senhora das Neves (HNSN), da Rede D’Or, na Paraíba. O velório será realizado nesta sexta-feira (5), das 10h às 14h, na Sede Social do Sport Club do Recife, e a cerimônia de cremação acontecerá às 16h, no Memorial Guararapes.

Nascido no Recife, Bertini deixa a esposa Sandra Bertini, que o ajudou a idealizar o festival do audiovisual, os filhos Patrícia e Vítor, e três netos.

Em nota, a assessoria do Cine PE confirmou o falecimento e lamentou a perda do grande idealizador do festival. “É com profunda tristeza que comunicamos o falecimento de Alfredo Bertini. Neste momento de dor, nos solidarizamos com sua esposa, Sandra, seus filhos, Vitor e Patrícia, além da nora, Íris, do genro, Bruno, dos amigos, parceiros de jornada e de toda a comunidade audiovisual, que perde um de seus mais importantes incentivadores. Sua visão, sua generosidade e sua dedicação à cultura deixaram marcas permanentes no nosso cinema”.

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A 30ª edição do Cine PE iniciou na última segunda-feira (1º) e, de acordo com a organização, a programação do festival seguirá como divulgado.

“Em respeito à sua trajetória e ao legado que construiu ao longo de três décadas, a programação do Cine PE segue como ele, amorosamente, planejou. Mais do que nunca, esta edição se transforma em um encontro de celebração da arte, dos realizadores do audiovisual, valores que Alfredo defendeu com paixão até seus últimos dias. Hoje, lamentamos sua partida, mas escolhemos também celebrar sua existência. Alfredo Bertini nos presenteou com um espaço de sonhos, de resistência cultural, de formação de público e de valorização do audiovisual brasileiro. Que esta edição do Cine PE seja uma grande homenagem à sua memória. Que as salas permaneçam cheias, que os filmes sejam vistos, debatidos e aplaudidos, porque a melhor forma de agradecer por tudo o que Alfredo Bertini construiu é fazer, juntos, uma grande festa do cinema nacional”, informou o comunicado à imprensa.

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, enalteceu a trajetória de Alfredo Bertini e se solidarizou com familiares e amigos. “Recebi com pesar a notícia do falecimento do economista e criador do Cine PE, Alfredo Bertini, na noite de hoje. À Sandra, sua companheira de vida e do amor pelo cinema, também idealizadora do festival, seus filhos, inúmeros amigos e à comunidade audiovisual, expresso a minha profunda solidariedade neste momento de despedida. O seu legado seguirá vivo em nossos cinemas e na programação do festival que ele consolidou como um dos mais importantes do Brasil. Que Deus console o coração de todos”, escreveu em sua conta no Instagram.

O prefeito do Recife, Victor Marques, reconheceu o legado de Bertini para a cultura. “Soube há pouco do falecimento de Alfredo Bertini, idealizador do festival CINE PE. Defensor incansável do nosso audiovisual, que deixa um legado de avanços e conquistas para a cultura do Recife e de Pernambuco. Meus pêsames para a família e amigos. Desejo força neste momento difícil”, postou seu perfil no X.

Já o ex-prefeito da capital pernambucana e pré-candidato ao governo do Estado, João Campos, também lamentou a perda de Bertini. “Recebi há pouco a notícia da morte de Alfredo Bertini, grande gestor, impulsionador de nossa cultura e idealizador do Cine PE, um dos principais festivais de cinema do Brasil. Quero deixar aqui meus sentimentos para a família e amigos e destacar a importância do legado de Bertini para o audiovisual de Pernambuco e de todo o nosso País”, escreveu em suas redes sociais.

Vida pública

Formado em economia, com doutorado na Universidade de São Paulo (USP), Alfredo Bertini foi Secretário Adjunto do Estado de Pernambuco em 1994 e 1995. Também assumiu o cargo de secretário de Turismo e Esportes da Prefeitura da Cidade do Recife, em 2004 e 2005, além de autor do livro “Quando o caso é de cinema, a paixão é um festival”.

Na área da cultura, seu legado começou a ser construído na década de 1990, quando criou o Festival de Cinema do Recife, desenvolvido a partir de suas primeiras experiências no setor público. Um embrião para, no futuro, criar junto com a sua esposa o tradicional Cine PE, um dos principais festivais do País. O evento é, até hoje uma enorme vitrine para as produções audiovisuais brasileiras, dando oportunidade para novos cineastas exibirem seus trabalhos.

Além de fomentar o cinema brasileiro com a exibição de longas e curtas-metragens nacionais, o Cine PE também se transformou num espaço democrático para o debate entre os produtores de filmes, cineastas e cinéfilos, oferecendo ao público grandes seminários com atores e atrizes de longas carreiras, workshops, e outras atividades que alimentavam a produção cultural no Estado.

Junto com a paixão pelo cinema, Alfredo Bertini também nutria um forte sentimento com o seu time de coração, o Sport Club do Recife. Ele, inclusive, chegou a disputar a presidência do clube, em 2004, mas não venceu; além de ter feito parte da diretoria do Sport, na gestão de Arnaldo Barros, ocupando o cargo de diretor Social; e, recentemente, no final de 2025, esteve à frente do comitê de transição do Sport, na saída do presidente Yuri Romão e chegada de Matheus Souto Maior. 

Trajetória do Cine PE

Criado em 1997, o Cine PE surgiu durante um período de retomada do cinema nacional, na segunda metade dos anos 1990. Um economista inquieto, visionário e apaixonado pela sétima arte decidiu transformar um sonho em realidade. Inspirado pelos grandes festivais de cinema do país, Alfredo Bertini deixou uma trajetória consolidada na vida pública para se dedicar à construção de um projeto que mudaria para sempre a história do audiovisual pernambucano e nacional.

Dessa coragem nasceu o Cine PE, um festival que ajudou a revelar talentos, promover encontros e fortalecer o cinema brasileiro ao longo de três décadas.

A primeira edição exibiu os filmes “Baile Perfumado” e “O Cangaceiro”, e, ao longo dos anos, o festival acompanhou o crescimento da produção audiovisual no país.

Ao longo de sua trajetória, o Cine PE atravessou a pandemia da Covid-19, a falta de investimento em políticas públicas, a dificuldade em acessibilizar o transporte público noturno e a criação de leis como Aldir Blanc e Paulo Gustavo, de fomento a iniciativas culturais, consolidando-se como um dos eventos mais importantes do calendário audiovisual do país.






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