Moraes acusa Mendonça de vários tipos de crime e de agir politicamente para fragilizar Alcolumbre, que não quer pautar impeachment de ministros do STF
Romoaldo de Souza
Publicado em 03/09/2026 às 22:11
| Atualizado em 03/09/2026 às 23:40
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O FEITICEIRO E O FEITIÇO
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, escancarou o guarda-chuva do inquérito das “Fake News”, também chamado de “fim do mundo”, para acusar o colega André Mendonça de crime de responsabilidade, abuso de autoridade e improbidade administrativa.
ERA SOMENTE CENSURA
Moraes, que tinha em mãos um inquérito usado apenas para censurar uma revista eletrônica, agora usa esse instrumento jurídico como arma de retaliação contra adversários. O ministro dobrou a aposta e, em outras palavras, dá sinais de que, se cair, vai cair atirando.
HIPÓTESE FANTASIOSA
Moraes tomou por base um relatório de inteligência que sugere que Mendonça queria fragilizar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e, com isso, “prosperar as visões de mundo do grupo do qual faz parte”.
— Avalia-se que Davi Alcolumbre constitui provável alvo estratégico, considerada sua força política, o favoritismo para manter-se na presidência do Senado Federal e o consequente controle da pauta daquela Casa, notadamente quanto ao processamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, insinuou Moraes.
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PROVIDÊNCIAS INÚTEIS
Um ato do presidente do STF, Edson Fachin, dá prazo de cinco dias para que os dois ministros da Corte se manifestem. Fachin também pede a manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
SINTONIA FINÍSSIMA
O presidente Lula da Silva (PT) faz pronunciamento e, mesmo sem mencionar nomes, ressalta que “nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos”. Faltou uma palavrinha sobre seu ex-líder no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), investigado por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva, no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
A BEM DA VERDADE…
…até que houve um esforço concentrado por parte da bancada governista no Senado Federal para votar o fim da escala 6×1. A Casa estava com “lotação” quase completa. Dos 81 senadores, 92,59% estavam presentes — 75, ao todo —, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não quis pautar a PEC.
— Muitos senadores estavam em campanha e vieram a Brasília participar das sessões — comemorou a líder do governo, senadora Teresa Leitão (PT-PE).
ORDEM UNIDA
O ministro Gilmar Mendes, decano do SFT, já tem uma solução mirabolante para pôr fim aos vazamentos de processos que tramitam na Corte. Ele recomendou ao presidente, Edson Fachin, que proíba a atuação de delegados da Polícia Federal nos gabinetes dos demais ministros.
CHORO E RANGER DE DENTES?
Só na Bíblia, amigo, lá no Evangelho escrito por Lucas, 13:28: “Haverá choro e ranger de dentes, pois verão Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas no reino de Deus, mas vocês serão lançados fora. E virão pessoas de toda parte, do leste e do oeste, do norte e do sul, para ocupar seus lugares à mesa no reino de Deus.”
TÁ RINDO DO QUÊ?
Na sessão plenária do STF, descontração e gargalhadas para mostrar os 32 dentes. O presidente Edson Fachin consulta Nunes Marques sobre a antecipação de um voto. Ele ri. Fachin retoma a palavra e afirma: “O primeiro voto que levantou divergências foi o do ministro Flávio Dino.” Também rindo, Dino dispara: “…mas, se o ministro Alexandre [de Moraes] quiser [votar antes], para mim não tem problema. O critério é de Vossa Excelência.” Alguns riem. Dino completa, falando do voto de Luiz Fux e lembrando “sua carreira longeva no Ministério Público”.

STF decide limitar gratuidade em ações na Justiça do Trabalho – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
CHAMA RONY CÓCEGAS
“Você vai me matar de rir / Fazendo cócegas / Você me maltrata assim / Fazendo cócegas / Vou desmaiar, não aguento mais / Fazendo cócegas / Eu estou sorrindo, mas posso chorar / Fazendo cócegas”.
ACLAMAÇÃO NAS “BLUSINHAS”
Quando um tema “espinhoso”, como o fim da taxa das “blusinhas”, está sendo analisado no plenário da Câmara ou do Senado, o acordo recomenda que a votação seja por aclamação.
— Os senhores e as senhoras parlamentares que estão de acordo permaneçam como se acham — brada o presidente. Ninguém põe a digital e não se sabe quem votou contra ou a favor.
SÓ O BALANÇO DIRÁ…
…mas a estimativa no mercado é de que a “taxa das blusinhas”, derrubada pelo Congresso Nacional no apagar das luzes, antes das eleições, causou um rombo de R$ 3 bilhões no caixa dos Correios. A empresa era a principal distribuidora desses produtos importados.
PENSE NISSO!
Os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do STF, juntamente com o presidente Lula da Silva, montaram uma estratégia que fortalece a tese do “eles contra nós”.
De um lado, estão os partidários de Moraes, aqueles que ergueram barricadas na sacada do apartamento de cobertura para impedir que fosse dado um golpe de Estado. Do outro, os aliados de André Mendonça, que surgem com sangue nos olhos e sede de vingança.
O resultado é que, com essa divisão, nada será investigado e não haverá esclarecimentos. Toda a operação consiste em anular todas as provas, e todos estarão livres para continuar tomando seu Macallan.
Pense nisso!













