Alerta sobre a desigualdade

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Alerta sobre a desigualdade



Visita do Papa Leão XIV à África é marcada por discurso acerca dos contrastes que ampliam e aprofundam as crises humanitárias em nossa época

Por

JC


Publicado em 23/04/2026 às 0:00

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A desigualdade no mundo torna os gastos com guerras e armas ainda mais insensato, e a corrupção, ainda mais torpe. Da repartição mais justa das riquezas produzidas pelo esforço de tantos cessaria o escândalo do privilégio de poucos – mais escandaloso quando o privilegiado se torna criminoso, desviando recursos que seriam destinados ao bem coletivo, ou faz fortuna com o sofrimento, a desumanização e a morte de outras pessoas.
A desigualdade não é apenas assunto brasileiro, embora esteja aqui uma das realidades mais desiguais do planeta. No Recife, a manifestação da disparidade gritante se encontra à vista de todos, por trás da beleza dos cartões postais, como se a miséria e a dor fossem invisíveis. Governos passam e as palafitas recifenses ficam, feito monumentos à omissão estendidos sobre os rios da capital pernambucana. Noutras cidades do país, o contraste é o mesmo, e a convivência, pacificada pela naturalização do cotidiano desigual, onde a pobreza pode ser vista deturpada, excêntrica, quando é a verdade em sua agressiva simplicidade.
Em périplo pela África, visitando 11 cidades em quatro países, o papa Leão XIV aproveitou a oportunidade para criticar a distância entre ricos e pobres. Sempre que um pontífice se pronuncia sobre o tema, vale reconhecer uma mensagem sincera de autocrítica, pelos séculos de acúmulo de riquezas na história da Igreja. Robert Prevost se dirigiu também a presos “que frequentemente são obrigados a viver em condições higiênicas e sanitárias preocupantes”. E disse ainda: “A administração da justiça tem como objetivo proteger a sociedade, mas para ser eficaz, deve apostar sempre na dignidade e no potencial de cada pessoa”.
A desigualdade rouba a potencialidade individual e carimba em grupos humanos a discriminação social que os persegue, muitas vezes, uma geração após outra. O papel da religião, e dos líderes religiosos, ao propagarem a esperança do poder transformador da fé, consiste em dar voz a quem não a tem. E cobrar a responsabilidade dos governantes e de toda a sociedade. Um ativista que ficou mundialmente famoso, Dom Helder Câmara perguntava: “Cristo veio trazer paz ao mundo. Pode haver paz se as injustiças só fazem crescer?”, sem descartar a importância do acolhimento proporcionado pela fé.
O papa Leão segue a trajetória do papa Francisco, e denuncia o que está exposto para todos verem. Mas é preciso, primeiro, que se olhe o que está lá, à espera de ser visto. A desigualdade velada em nossa época é um dos grandes problemas do mundo. Se as guerras agravam as crises humanitárias, e a cegueira política promove a primazia do interesse próprio sobre o coletivo, é imprescindível que lideranças como o pontífice continuem a dizer o que segue urgente ser dito, até que a escuta se apure, e a realidade mude.



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