Assassinato brutal de um jovem ativista de direita nos Estados Unidos provoca reações e repercussões, nem todas sensatas, no mundo inteiro
JC
Publicado em 16/09/2025 às 0:00
Notícia
É o fato ou acontecimento de interesse jornalístico. Pode ser uma informação nova ou recente. Também
diz respeito a uma novidade de uma situação já conhecida.
Artigo
Texto predominantemente opinativo. Expressa a visão do autor, mas não necessariamente a opinião do
jornal. Pode ser escrito por jornalistas ou especialistas de áreas diversas.
Investigativa
Reportagem que traz à tona fatos ou episódios desconhecidos, com forte teor de denúncia. Exige
técnicas e recursos específicos.
Content Commerce
Conteúdo editorial que oferece ao leitor ambiente de compras.
Análise
É a interpretação da notícia, levando em consideração informações que vão além dos fatos narrados.
Faz uso de dados, traz desdobramentos e projeções de cenário, assim como contextos passados.
Editorial
Texto analítico que traduz a posição oficial do veículo em relação aos fatos abordados.
Patrocinada
É a matéria institucional, que aborda assunto de interesse da empresa que patrocina a reportagem.
Checagem de fatos
Conteúdo que faz a verificação da veracidade e da autencidade de uma informação ou fato divulgado.
Contexto
É a matéria que traz subsídios, dados históricos e informações relevantes para ajudar a entender um
fato ou notícia.
Especial
Reportagem de fôlego, que aborda, de forma aprofundada, vários aspectos e desdobramentos de um
determinado assunto. Traz dados, estatísticas, contexto histórico, além de histórias de personagens
que são afetados ou têm relação direta com o tema abordado.
Entrevista
Abordagem sobre determinado assunto, em que o tema é apresentado em formato de perguntas e
respostas. Outra forma de publicar a entrevista é por meio de tópicos, com a resposta do
entrevistado reproduzida entre aspas.
Crítica
Texto com análise detalhada e de caráter opinativo a respeito de produtos, serviços e produções
artísticas, nas mais diversas áreas, como literatura, música, cinema e artes visuais.
Clique aqui e escute a matéria
Será que estamos cruzando o ponto de não retorno, a fronteira da qual não poderemos voltar, abdicando da civilidade que um dia imaginamos ter e quisemos disseminar como valor universal pelo bem da humanidade? Não apenas uma civilidade formal, protocolar, mas o conjunto de ritos e modos em reflexo a uma compreensão igualitária e plural de mundo. Entre a utopia da paz geral e a construção democrática de indivíduos livres, o sonho e a vida prática parecem encolhidos à resignação de pesadelo cotidiano, onde o respeito pelo outro e pelos outros é contingente, desnecessário e, muitas vezes, indesejado.
O direito à liberdade de expressão, grande legado iluminista, fragmentou-se em partículas de ódio que formam uma névoa sobre a civilização contemporânea. Que ameaça tapar a visão humana por muito tempo. E produzir consequências terríveis em escala global, depois de arrasar territórios que servem de morada a milhões de pessoas – como em Gaza ou na Ucrânia. Se o ódio continuar alimentando ódio nas populações nacionais, radicalizadas por dentro e buscando identidades visando inimigos comuns, será grande o risco de colapso generalizado do que um dia chamamos de civilidade.
Na tragédia política que abala os Estados Unidos, o assassinato de Charlie Kirk, jovem aliado do presidente Donald Trump, vem causando reações e repercussões que não se restringem à cena norte-americana. Mas o ódio retroalimentado também é visto em contraponto a um passo atrás cada vez mais urgente. A brutalidade do atentado foi seguida por demonstrações melancólicas, cruéis, de descaso com a vida humana. Por detrás da falsa distância das redes sociais, manifestações de regozijo com a morte de um integrante da extrema direita trumpista ganharam status de notícia, com ameaças explícitas de revide pela Casa Branca.
Precisamos de um passo atrás na banalização da vida e na apologia da violência, em qualquer circunstância. E felizmente isso está ocorrendo, em alguns casos emblemáticos, com retratações públicas depois de postagens infelizes. Como fez o historiador Eduardo Bueno. Após comentários sarcásticos a respeito da morte de Kirk, Bueno reconheceu que se excedeu no que havia dito. Mas quem vem se retratando não escapa da perseguição, liderada pela direita dos EUA com o aval do governo e de Donald Trump. No Brasil, o mesmo tipo de represália vem sendo ensaiado, e possivelmente em outros países. O ódio segue mobilizando mais ódio, mesmo quando vê um odiado recuar.
Se a celebração de um atentado merece a repugnância da civilidade que deveria nos unir, a mesma civilidade poderia impor limites à represália a quem celebrou e pediu desculpas, percebendo o erro cometido. O equilíbrio formado entre o pecado e o perdão, no entanto, não é dado imediatamente. Por isso a importância dos passos para trás, individual e coletivamente, quando o volume de sangue derramado não serve de bastante razão para o silêncio da solidariedade e do pesar pela vida perdida – toda vida. Ou será que cruzamos o ponto de não retorno?

/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/04/magnific-mulher-com-cabelo-grey-bl-2885760299.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)





/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/04/freepik-bordo-japones-exuberante-2877647430.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)

/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/04/freepik-closeup-realista-de-artef-2877723051.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)



/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/04/magnific-mulher-com-cabelo-grey-bl-2885760299.jpg?w=150&resize=150,150&ssl=1)



