Professor da UFRPE explica que a população precisa entender riscos climáticos e ambientais antes de entrar no mar na Região Metropolitana
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Diante dos recentes incidentes com tubarões na costa pernambucana, especialistas apontam que a restrição total das praias não é a resposta para o problema.
Para o professor Paulo Oliveira, pesquisador da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e coordenador do Projeto Ecotuba — que expande suas ações de monitoramento de tubarões neste mês através do edital estadual Cientista Arretado —, a chave para mitigar o problema reside na educação ambiental e na conscientização dos frequentadores.
Em entrevista para o Jornal do Commercio, o cientista ressaltou que o comportamento humano diante dos riscos climáticos e geográficos determina a probabilidade de novos casos.
“A prevenção tem que vir a partir de um conhecimento. A ideia do trabalho de monitoramento e de educação ambiental é levar informação para as pessoas, para que, de posse desse conhecimento, utilizem a praia e o mar de uma forma mais consciente”, explica.
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Dados científicos a serviço da comunidade
O Projeto Ecotuba, que já monitora tubarões-tigre no arquipélago de Fernando de Noronha, estenderá o rastreamento por meio de chips ultrassônicos para o litoral de Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes. O objetivo principal do mapeamento de campo não é apenas estatístico, mas pedagógico.
“Esses dados são exatamente as informações que nós vamos utilizar para a pesquisa e vamos traduzi-la para a sociedade. O trabalho de monitoramento vai ser feito em paralelo com o trabalho de educação ambiental”, explica o professor Paulo Oliveira.
Os dados históricos do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) reforçam a necessidade de orientar banhistas e surfistas. Desde 1992, Pernambuco contabiliza 84 incidentes, resultando em 27 óbitos e 57 sobreviventes.
Perfil das vítimas e locais de maior criticidade
- Perfil mais afetado: banhistas lideram as estatísticas com 41 casos, seguidos de perto por surfistas, com 38 ocorrências. Mergulhadores são cinco casos.
- Pontos críticos: a Praia de Boa Viagem (Recife) concentra 25 incidentes, enquanto a Praia de Piedade (Jaboatão dos Guararapes) registra 24. Del Chifre, em Olinda, segue com seis casos.
Quando evitar o banho de mar
A análise do Cemit também aponta fatores astronômicos correlacionados aos ataques: as fases de lua cheia (27 casos) e lua nova (25 casos) concentram a maioria expressiva das ocorrências devido à maior variação das marés.
Oliveira explica que a água turva do período chuvoso funciona como uma “cortina de fumaça”.
“O tubarão percebe a presa, mas a presa não o enxerga. O ser humano acaba aparecendo nessa busca e, embora não faça parte da dieta do animal, ele não consegue fazer a distinção devido à turbidez da água”, exemplifica o pesquisador.
Por isso, a recomendação é que a população aprenda a ler os sinais do ambiente em vez de simplesmente ignorar as advertências.
“O que nós queremos não é fechar totalmente a praia, impedir que as pessoas acessem ao mar. Mas as pessoas vão ter que ter consciência de que, para isso acontecer, existem condições ideais. Se a maré estiver cheia, não tiver o ambiente recifal, que é uma proteção natural, e a água estiver muito turva, não entre na água”, enfatiza.
Medidas preventivas para evitar incidentes com tubarões
O Núcleo de Educação Ambiental da Universidade Federal Rural de Pernambuco (NEA-UFRPE) orienta as pessoas a não tomar banho nas seguintes condições:
- Regiões com placas de advertência;
- Áreas sem proteção de arrecifes;
- Se a água for mais alta que a cintura;
- Ao amanhecer e ao cair da tarde;
- Se estiver com qualquer sangramento;
- Se tiver consumido bebida alcoólica;
- Durante períodos chuvosos e em águas turvas;
- Com a maré alta, que ocorre em luas cheias e novas;
- Se utilizar joias ou acessórios com cores chamativas;
- Em desembocaduras de rios e estuários;
- Se estiver sozinho.














