Produção audiovisual dirigida por Lia Letícia e Beto Hees costura memória, território, música e resistência à vida da cirandeira
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Artista que carrega as raízes pernambucanas, o som e o movimento do mar em sua voz, Lia de Itamaracá vai ter sua trajetória contada em uma nova série audiovisual. “Maria Madalena – Lia de Itamaracá” é uma produção que vai mergulhar na vida e obra da cirandeira, entre o documentário e a ficção.
A série vai reconstruir caminhos, dores, afetos, conquistas e permanências de Maria Madalena Correia do Nascimento, que transformou a ciranda em símbolo de identidade cultural brasileira. A produção acompanha desde a infância marcada pela pobreza até o reconhecimento nacional e internacional conquistado pela música.
Em relatos íntimos de Lia, imagens de arquivo, encenações de atores e atrizes e performances musicais, o projeto se estrutura de forma profunda e acolhe um legado passado a várias gerações de todo o estado.
Fazem parte do elenco Maria Salete e Pietra Victória, sobrinha e sobrinha-neta da artista, que representarão Lia de Itamaracá na infância e no começo da vida adulta e artística.
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Ao longo de seis episódios, a produção, dirigida por Lia Letícia e Beto Hees, costura memória, território, música e resistência. Cada episódio será guiado por uma música, uma lembrança e um espaço simbólico da Ilha de Itamaracá.
“A Lia antes da Lia”

Série vai abordar a trajetória de Lia antes da consagração nos palcos e da fama – Gabi Cerqueira/Divulgação
“Eu sempre soube que seria artista. O povo ria de mim quando eu dizia isso ainda menina, porque naquele tempo uma mulher preta, pobre e da Ilha sonhar isso tudo parecia impossível. Mas eu nunca deixei de acreditar na minha voz, na minha ciranda e na minha história”, relembra Lia de Itamaracá.
A proposta da série nasce do desejo da cirandeira de registrar o que ela chama de “a Lia antes da Lia”. Ou seja: a trajetória de Maria Madalena antes da consagração nos palcos e da fama.
“Contar a história de Lia é também contar a história de um Brasil profundo, popular e muitas vezes invisibilizado. Quando falamos de Lia, não estamos falando apenas de uma artista consagrada, mas de uma mulher negra, nordestina e periférica que atravessou décadas resistindo através da cultura. A trajetória dela reúne questões de território, ancestralidade, memória, racismo, pertencimento e sobrevivência”, afirma a diretora Lia Letícia.
O piloto da produção, incentivado com recursos do Funcultura Audiovisual, começou a ser gravado na praia de Jaguaribe, em Itamaracá. O episódio servirá para a equipe da Ciranda Produções buscar patrocínio para a gravação da obra.
Patrimônio e reconhecimento

Lia de Itamaracá é reconhecida como Patrimônio Vivo da Cultura Pernambucana – Gabi Cerqueira/Divulgação
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Lia de Itamaracá lançou quatro álbuns, tornou-se Patrimônio Vivo da Cultura Pernambucana, recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coleciona homenagens no Brasil e no exterior.
Consolidada no cenário musical, construiu também uma carreira que dialoga com o cinema, tendo participado de produções de diretores como Kleber Mendonça Filho, em Bacurau e Recife Frio, Tizuka Yamasaki e Lírio Ferreira.
Segundo Beto Hees, empresário da cantora há 30 anos, a produção constrói um mapa afetivo da vida de Lia.
“Essa série tem um diferencial, ela não pretende apenas reverenciar uma trajetória individual. A Ilha de Itamaracá surge como ambiente central da narrativa. O território, marcado pela força da pesca artesanal, pelas tradições populares e também pelo abandono histórico, aparece como extensão da própria artista”, aponta.
Em constante movimento e reinventando sons, Lia de Itamaracá lançou recentemente seu quinto disco, aos 82 anos. O trabalho em parceria com a cantora baiana Daúde, “Pelos Olhos do Mar”, chegou às plataformas de streaming pelo SeloSesc, reunindo um repertório que atravessa diferentes sonoridades.
Entre faixas inéditas e releituras, o álbum dialoga com composições de nomes como Emicida, Russo Passapusso, Céu, Otto e Chico César.














