Texto do USTR organiza o discurso sobre demandas de empresas dos Estados Unidos e do próprio governo americano em relação à Lava Jato.
JC
Publicado em 02/06/2026 às 20:00
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Com todo respeito que o presidente Lula tem em ler e interpretar o cenário político, fruto de sua carreira de sucesso que o fez se eleger três vezes presidente da Republica, mas há uma enorme ilusão em achar que o presidente Donald Trump o ver com simpatia e que entre eles rola uma química.
Não existe essa empatia. O presidente americano não quer Lula para ser seu amigo, parente ou parceiro de viagens internacionais. Trump quer Lula para vender o que puder e comprar o mínimo necessário e ganhar dinheiro nas duas pontas da corrente de comércio. Não lhe move nenhum sentimento de amizade a despeito dos mais de 200 anos de relacionamento que temos com os americanos.
Os americanos sabem que o Brasil é grande demais para que eles possam incluí-lo no seu quintal sul-americano e isso não é porque somos o único que não fala espanhol. Ou porque somos o único país da América Latina que não se alinhou com sua nova doutrina
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O Brasil sempre esteve distante dos Estados Unidos, mesmo que compre deles seu maior volume de máquinas e de armas. E nunca esteve alinhado como os americanos gostariam. Até porque sua intelligentsia sempre torceu o nariz para os Estados Unidos, embora tenha se formado nas suas melhores universidades.

Flávio Bolsonaro com Donald Trump – Reprodução/X (@FlavioBolsonaro)
Também não tem nenhuma afinidade com o clã dos Bolsonaro. No primeiro governo todos vimos que ele não deu nenhum tipo de atenção especial. Na verdade, ele sabe que o apoio aos Bolsonaro é mais do grupo liderado por Marco Rubio que está usando os admiradores do ex-presidente para fazer uma espécie de seguro para uma eventual eleição dele no lugar de Trump e até mesmo de Flávio Bolsonaro que ele venha a ter sucesso. Mas é Rubio, não Trump.
O documento assinado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, pela senhora Jennifer Thornton, General Counsel do USTR, é bastante claro quando se o ler com atenção no sentido de que o seu objetivo é pressionar com taxação de 25% assuntos que vão além dos contidos na lista de exceção que é o que os Estados Unidos não têm onde comprar mais barato.
Se a gente tirar pressão sobre o PIX, o etanol e as queixas das plataformas X, Meta e Google, não sobra muita coisa. Ou sobra o mais importante: a questão da propriedade intelectual que não pode ser resolvida rapidamente e o constrangimento das decisões do ministro do STF, Dias Toffoli, que desmoralizou todos os esforços de meses do DOJ (Ministério da Justiça ) para ajudar os promotores da Lava Jato.
No final pode-se dizer que o texto de 33 páginas mais as 74 da lista de exceções é um documento para justificar as novas tarifas já definidas desde o começo do governo Trump para países com o perfil do Brasil.
E de quase nada ou nada adiantou a boa-fé dos negociadores do Brasil em explicar e demonstrar que o estabelecimento de uma taxação de 25% é injusto e equivocado.
Uma leitura mais apurada do texto permite observar que o Brasil já entrou rendido na discussão. Os americanos já têm sua posição sobre a questão da fragilidade do Brasil em relação à corrupção, que não aceitam as novas informações do Brasil sobre o desmatamento e usam a Amazônia como cenário difuso e não aceitam que o Brasil leso sobre restrições que as plataformas americanas autodefinem e que nem sempre estão em linha com o procedimento do direito internacional.
O fato novo é que agora com esse documento os Estados Unidos têm um documento em que possam se apoiar como têm em relação à definição de organizações como CV e PCC. E isso do ponto de vista do governo Donald Trump.
Claro que ao Brasil só resta a opção de atender aquela solicitação meia-boca de apresentar os mesmos argumentos já apresentados no decorrer da investigação que o USTR afirma que passou um ano fazendo.
Países como o Brasil em momentos históricos como o vivido neste momento com a administração republicana tendem a perder todas. A própria lista diz que é uma concessão dos americanos. Se quiser vender, pague a taxa.
Talvez o equívoco tenha sido o Lula achar que o Trump tinha uma química por ele. Ou do ministério e vice-presidente Geraldo Alckmin em acreditar que estavam avançando numa fórmula ganha-ganha.
Vai ser ruim para o Brasil? Vai. Muito ruim porque as empresas terão que refazer todo o seu planejamento. Mas a verdade é que nunca teve negociação nesse nível. A única mudança foi o relacionamento entre os funcionários americanos e os empresários brasileiros. A taxação de 25% já estava decidida por orientação do novo governo.
Mas Lula não tem saída. Vai ter que tentar negociar alguma coisa. Sabendo que não terá ouvidos muito interessados no que ele e suas interlocutoras vão falar.
Isso é o Governador Trump.











