A cultura negra determina a imagem do Brasil no exterior, afirma Seu Jorge

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A cultura negra determina a imagem do Brasil no exterior, afirma Seu Jorge


Para o cantor, compositor e ator Seu Jorge, 55, a cultura negra determina a imagem do Brasil no exterior. O artista tomou posse do título de embaixador institucional do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, nesta quinta-feira (23), em São Paulo.

“A cultura negra brasileira não ocupa um espaço periférico. Ela é a estrutura do Brasil e define linguagens, comportamento, estética e música“, disse durante evento. De acordo com ele, aceitar o título é assumir o compromisso de ampliar essa presença do Brasil no mundo e de garantir que essa cultura permaneça viva e alcance mais pessoas.

A iniciativa busca expandir as conexões do museu com a sociedade, artistas e o setor privado, além de reforçar a difusão das ações culturais e educativas de preservação da memória afro-brasileira realizadas pela instituição, ligada à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado.

“O museu nasce da visão e da força do Emanoel Araújo, que compreendeu que preservar a história afro-brasileira é mais do que olhar para trás. É criar condições para que novos futuros sejam construídos com dignidade, reconhecimento e protagonismo”, afirmou a diretora-executiva Jandaraci Araújo.

Para ela, unir o legado de Emanoel Araújo, morto em 2022, ao de Seu Jorge é uma forma de estabelecer continuidade ao trabalho do museólogo e preservar sua memória.

A participação do artista é de caráter honorífico, sem vínculo comercial. O programa busca ainda ampliar o alcance público do museu e o diálogo com pessoas cujos trabalhos e trajetórias de vida tenham conexão com temas como memória, identidade e cultura brasileira.

À Folha, o cantor disse que visitar o museu é uma das coisas que não se deve deixar de fazer na vida. “Nem que seja uma vez. Para o povo negro, periférico, aqui pode estar a resposta para muitas de nossas dúvidas a respeito da nossa formação e de como as coisas se constituíram nesse país.”

Para Seu Jorge, as políticas públicas que vislumbram a participação de pessoas negras em espaços aos quais antes não pertenciam criaram possibilidades de percepção do mundo. O artista acredita que as novas gerações têm mais vontade de entender sua identidade coletiva e individual.

“Durante muitos anos, o povo negro foi impedido, de alguma forma, de sonhar. Essa possibilidade de sonhar novamente existe e precisa ser estimulada [por meio da arte].”

Seu Jorge foi homenageado no dia de São Jorge, conhecido como o santo guerreiro, do qual é devoto. A data é celebrada por católicos e seguidores de religiões de matriz africana, para os quais a figura corresponde à de Ogum, orixá africano do ferro e da guerra.

Com uma trajetória que atravessa a música e o cinema, ele se consolidou como um dos artistas brasileiros de maior projeção internacional, com trabalhos musicais que vão do samba à MPB, atuações no cinema de alcance mundial e uma presença cultural que conecta diferentes gerações.

Fundado em 2004 a partir da coleção de Emanoel Araújo, o Museu Afro Brasil possui mais de 20 mil obras em acervo e reúne um dos mais importantes conjuntos dedicados à presença africana e negra na formação da sociedade brasileira. A instituição recebe mais de 160 mil visitantes por ano, segundo sua organização.



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