Candidatos ao Governo de Pernambuco também trocaram críticas sobre gestão, bolsonarismo e supostos “gabinetes do ódio” nas redes sociais
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Os dois principais candidatos ao Governo de Pernambuco apresentaram estratégias opostas para a disputa eleitoral em entrevistas publicadas pelo jornal O Globo, nesta segunda-feira (24). Enquanto a governadora Raquel Lyra (PSD) evitou declarar apoio a um candidato à Presidência e reafirmou ser “pernambucanista”, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) reforçou a aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu abertamente a nacionalização da eleição no Estado.
As entrevistas com Raquel e João abrem uma série do jornal com candidatos aos governos dos principais estados do país e reforça a disputa pernambucana como um polo importante da disputa eleitoral a nível nacional.
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Além da relação com Lula, os adversários divergiram sobre os resultados da atual gestão estadual, trocaram acusações relacionadas ao bolsonarismo e disseram ser vítimas de estruturas organizadas para disseminar ataques e informações falsas nas redes sociais.
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Raquel Lyra evita declarar voto para Presidente: “sou pernambucanista”
A candidata à reeleição ressaltou a parceria administrativa mantida com o governo federal desde o início do mandato, mas voltou a evitar uma declaração de voto na disputa presidencial. Segundo Raquel Lyra, a relação construída com Lula permitiu a realização de investimentos e projetos em Pernambuco independentemente das diferenças partidárias.
“Sou grata a ele e seus ministros, mas estamos lançando aqui um neologismo: sou pernambucanista”, afirmou.
Questionada se esperava uma postura mais neutra de Lula na disputa estadual, apesar do apoio do presidente a João, Raquel disse ter pedido, ainda no início da gestão, que uma eventual disputa eleitoral não interferisse nas parcerias entre Estado e União. Segundo ela, Lula deixou claro que continuaria trabalhando com o governo pernambucano.
A governadora também evitou assumir um compromisso eleitoral com Ronaldo Caiado, candidato à Presidência pelo PSD. Raquel afirmou ter recebido do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, liberdade para conduzir a construção partidária em Pernambuco e disse considerar que sua prioridade é a eleição estadual.
João defende nacionalização: “Brasil tem dois lados na eleição e Pernambuco também”
Enquanto a governadora e candidata à reeleição rejeitou a nacionalização da disputa, João Campos adotou uma linha diferente, reforçando sua aliança com o presidente Lula. O socialista afirmou ter orgulho de contar com o apoio do líder petista e sustentou que a divisão política nacional também estará presente na eleição pernambucana.
“O Brasil tem dois lados na eleição, e aqui em Pernambuco também”, declarou.
O candidato afirmou que pretende não apenas vencer ao lado de Lula, mas também governar em parceria com o presidente. Entre os projetos citados, destacou a conclusão da Transnordestina, defendendo que o Estado assuma a coordenação do trecho pernambucano da ferrovia.
João também vinculou a candidatura de Raquel ao campo bolsonarista. Segundo ele, candidatos identificados com o ex-presidente Jair Bolsonaro em Pernambuco fazem campanha pela reeleição da governadora, incluindo integrantes do PL. O socialista mencionou ainda uma publicação recente da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro relacionada à governadora.
Raquel defende governo e ataca PSB; João quer construção de “novo ciclo” no Estado
As entrevistas também evidenciaram a disputa de narrativas em torno do desempenho do governo de Pernambuco.
Raquel atribuiu a melhora de seu desempenho nas pesquisas aos resultados obtidos nos três anos e meio de gestão e rejeitou a avaliação de que o crescimento eleitoral seria consequência do uso da estrutura do governo.
A governadora afirmou que Pernambuco avançou em geração de empregos, segurança e recuperação da infraestrutura e voltou a atacar o período de governos do PSB, partido que comandou o Estado entre 2007 e 2022.
Segundo Raquel, a legenda teria se “ensimesmado no poder” e passado a se considerar “dona do povo”. Ela também afirmou que sua eleição em 2022 representou uma mudança promovida pelo eleitorado depois de um longo ciclo de governos socialistas.
Questionada sobre sua própria passagem pelo PSB e sobre a trajetória política do pai, o ex-governador João Lyra Neto, que foi vice de Eduardo Campos, Raquel disse ter acompanhado momentos em que o Estado funcionou e outros em que “deixou de funcionar”.
João respondeu às críticas lembrando justamente a antiga relação política da adversária com o PSB. Citou os anos de filiação de Raquel à sigla, sua passagem como deputada e secretária estadual e a presença de João Lyra na chapa de Eduardo Campos.
O socialista, no entanto, evitou aprofundar uma autocrítica sobre a derrota do PSB em 2022. Disse considerar normal a alternância de poder e afirmou que pretende concentrar sua campanha na construção de um “novo ciclo”.
Saúde e investimentos
A situação da saúde pública, apontada como uma das principais preocupações dos pernambucanos, também apareceu nas duas entrevistas.
Raquel afirmou ter recebido uma rede hospitalar “completamente sucateada” e atribuiu os problemas atuais a um processo de abandono anterior à sua administração. A governadora negou que tenha reduzido investimentos no setor e disse que o Estado vem ampliando os recursos destinados a reformas, requalificações e aquisição de equipamentos.
João apresentou diagnóstico oposto. O candidato criticou a ausência de novos hospitais construídos pela atual gestão e voltou a citar problemas estruturais nas unidades estaduais. Também afirmou que Pernambuco perdeu competitividade econômica e deixou de atrair grandes investimentos em comparação com outros estados do Nordeste.
Como exemplos, mencionou investimentos industriais destinados à Bahia, ao Ceará e ao Rio Grande do Norte. João comparou ainda o desempenho econômico estadual com o Recife durante sua gestão na prefeitura e afirmou que a capital concentrou 60% dos empregos gerados em Pernambuco no último semestre.
Além da saúde e da economia, o socialista citou como problemas a entrada de facções criminosas no Estado, dificuldades no abastecimento de água e a perda de qualidade da educação.
Acusações de “gabinete do ódio”
Um ponto de convergência entre as entrevistas foi a acusação, feita pelos dois candidatos, de que grupos ligados ao campo adversário utilizariam as redes sociais para promover ataques e disseminar informações falsas.
Raquel afirmou ter denunciado ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) indícios de uso de contas automatizadas e perfis destinados a divulgar fake news contra ela. Segundo a governadora, sua campanha vem recorrendo à Justiça Eleitoral contra esse tipo de conteúdo.
Ao tratar do ambiente político no Estado, Raquel disse ainda que enfrentou CPIs e pedidos de impeachment e classificou a campanha como uma disputa de “amor contra o ódio”, marcada, segundo ela, por um baixo nível de debate.
João também afirmou ser alvo de um “gabinete do ódio”, mas atribuiu a estrutura a grupos de oposição ligados ao governo estadual. Segundo o candidato, os ataques ocorrem há quase dois anos e incluem conteúdos produzidos com inteligência artificial.
O socialista citou denúncias encaminhadas à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal e disse que há investigações e ações na Justiça Eleitoral envolvendo pessoas que associa ao grupo político da governadora.












