Vladimir Carvalho (1935 – 2024) – Morre Vladimir Carvalho, documentarista do cinema novo, aos 89 anos

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Vladimir Carvalho (1935 – 2024) – Morre Vladimir Carvalho, documentarista do cinema novo, aos 89 anos


Vladimir Carvalho, um dos mais importantes documentaristas brasileiros, morreu na manhã desta quinta-feira, aos 89 anos. O cineasta sofreu um infarto em Brasília, foi internado quando seus rins pararam de funcionar e foi submetido a hemodiálise, mas não resistiu. A informação foi confirmada pela família do cineasta.

Um dos maiores nomes do cinema brasileiro, Carvalho produziu mais de dez documentários sobre política e história nacionais em mais de 50 anos de carreira. Dirigiu obras como “Romeiros da Guia“, de 1962, “O País de São Saruê“, de 1971 —seu trabalho mais célebre, sobre as secas constantes na região de Rio do Peixe, na Paraíba—, “Barra 68: Sem Perder a Ternura”, de 2001, “Rock Brasília: Era de Ouro“, de 2011, e também foi assistente de direção em “Cabra Marcado para Morrer“, de Eduardo Coutinho.

Irmão mais velho do também cineasta e fotógrafo Walter Carvalho, o cineasta nasceu em Itabaiana, na Paraíba, em 1935. Em 1959 começou a trabalhar como crítico em um programa de rádio, “Luzes do Cinema” e, neste mesmo ano, Linduarte Noronha o convida para escrever o roteiro de “Aruanda”, do qual também seria assistente de direção, com João Ramiro Mello, em 1960.

“Aruanda” se tornou um marco no cinema brasileiro ao retratar a população de uma área remanescente de quilombo na Paraíba, tema que Noronha já abordara antes, numa reportagem jornalística.

Carvalho conheceu Glauber Rocha na Universidade da Bahia, em Salvador, e participou da vertente de documentários do movimento do cinema novo. Produziu seu primeiro filme em 1962, o curta-metragem “Os Romeiros da Guia”, feito com João Ramiro.

Foi convidado por Eduardo Coutinho para ser assistente em “Cabra Marcado para Morrer”, mas as filmagens foram interrompidas com o golpe militar de abril de 1964. Quando o Exército passou a perseguir a equipe do filme, que só seria retomado e finalizado 20 anos depois, Vladimir providenciou às pressas um abrigo para Elizabeth Teixeira, viúva de João Pedro Teixeira, o “cabra marcado”.

Em seguida, se refugiou em Campina Grande, na Paraíba, e de lá seguiu para o Rio de Janeiro, camuflado na fictícia identidade de José Pereira dos Santos. Instalado no Rio, Vladimir retomou o trabalho em cinema. Foi ser assistente de Arnaldo Jabor em “Opinião Pública” e viveu na cidade até o fim da década de 1960, quando a trocou por Brasília, onde morava.

Em 1967, o fotógrafo Fernando Duarte lhe convida para realizar o projeto do núcleo de produção de documentários do Centro-Oeste na Universidade de Brasília, onde passou a lecionar.

Quando decidiu filmar o curta “Incelência para um Trem de Ferro”, de 1972, Vladimir chamou Walter para ser seu fotógrafo. Sem experiência no cinema e temeroso de errar, Walter titubeou. Vladimir buscou tranquilizá-lo: “Você é meu irmão. Se der errado, não conto a ninguém”. Deu tão certo que Walter recebeu um prêmio pelo trabalho e nunca mais se afastou do cinema.

“Muito difícil falar do Vladimir”, diz o irmão, Walter Carvalho. “Meu irmão era 12 anos mais velho, eu era muito garoto quando ele me aplicou o cinema. E me ensinou tudo o que eu sei.”

Vladimir criou também a Fundação Cinememória, que abriga todo seu acervo –que conta com 23 títulos de documentários, mais de 5.000 livros, equipamentos de projeção cinematográfica, fotos, roteiros, materiais audiovisuais em diversos formatos, entre outros– e fundou a Associação Brasileira de Documentaristas em 1994.

O velório de Vladimir será no Cine Brasília, sala tradicional e sede do festival de cinema da cidade, a partir das 9h30, com sepultamento agendado para as 14h. Ele deixa a esposa, Maria do Socorro.



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