Autor de obras premiadas e referência da literatura, jornalista também inspirou a criação da famosa “Perna Cabeluda”, retomada no ‘O Agente Secreto’
Eduardo Scofi
Publicado em 16/06/2026 às 6:31
| Atualizado em 16/06/2026 às 9:34
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O escritor e jornalista Raimundo Carrero morreu na madrugada desta terça-feira (16), aos 78 anos, em decorrência de um câncer. A informação foi confirmada pela família, que destacou a trajetória do autor como uma das mais importantes da literatura pernambucana e brasileira.
Em nota, os familiares afirmaram que Carrero dedicou a vida à literatura “com paixão, sensibilidade e compromisso”, construindo uma obra que marcou gerações de leitores e contribuiu significativamente para a cultura do país. O velório será realizado na sede da Academia Pernambucana de Letras (APL), da qual era membro desde 2004.
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A despedida de Raimundo Carrero coincide com uma data simbólica para a cultura pernambucana. O jornalista morreu justamente no dia em que Ariano Suassuna completaria 99 anos, caso estivesse vivo.
Amigo íntimo e considerado por Carrero um mestre, o dramaturgo foi uma das maiores influências de sua carreira e o aproximou do Movimento Armorial.
Autoridades e instituições lamentam morte de Carrero
A morte de Raimundo Carrero mobilizou instituições e autoridades de Pernambuco, que ressaltaram a dimensão de sua contribuição para a cultura e a literatura brasileira. Em nota, a APL, da qual o escritor ocupava a cadeira 3 desde 2004, afirmou receber a notícia “com profundo pesar” e destacou que sua obra permanecerá como patrimônio da literatura pernambucana.
Confira a nota da APL
A governadora Raquel Lyra também lamentou a perda do escritor e anunciou luto oficial de três dias em Pernambuco. Na mensagem, destacou que Carrero dedicou sua vida à defesa do jornalismo e da literatura, construindo uma trajetória reconhecida dentro e fora do país. “A escrita de Carrero jamais será esquecida. O seu legado também”, afirmou.
A Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura (SECULT) e da Fundação de Cultura Cidade do Recife (FCCR), definiu a morte do autor como “o silêncio de uma literatura de tantos predicados, que celebrou e ajudou a inventar o Nordeste”. A nota ressaltou ainda sua atuação como formador de escritores, lembrando as oficinas literárias que influenciaram gerações de autores.
Quem foi Raimundo Carrero
Natural de Salgueiro, no sertão pernambucano, Raimundo Carrero nasceu em dezembro de 1947 e construiu uma trajetória marcada pela atuação no jornalismo e na literatura.
Durante 25 anos, trabalhou no Diario de Pernambuco como crítico literário e editor nacional, além de passar pelo rádio e pela televisão. Também integrou o Movimento Armorial ao lado de Ariano Suassuna, presidiu a Fundarpe e ocupou uma cadeira na Academia Pernambucana de Letras.
Considerado um dos escritores mais premiados do Brasil, recebeu distinções como o Jabuti, o Prêmio São Paulo, a APCA e o Machado de Assis. Sua obra foi traduzida para diversos países e inclui títulos como “Somos pedras que se consomem”, “As sóbrias ruínas da alma”, “Sombra severa” e “O delicado abismo da loucura”.
Além dos livros, Carrero também marcou o imaginário popular ao criar a história da “Perna Cabeluda”, em 1976, uma das lendas urbanas mais conhecidas do Recife. Décadas depois, o personagem voltou aos holofotes ao aparecer no filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, reforçando o legado do escritor na cultura pernambucana e brasileira.
A escrita para Raimundo Carrero














