O ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), afirmou ser alvo de uma “milícia digital” e disse sofrer ataques diários nas redes sociais. A declaração foi dada durante entrevista ao Congresso em Foco, nesta terça-feira (2), concedida durante sua participação no Fórum de Lisboa, em Portugal.
Segundo João, os ataques ocorreriam de forma permanente e envolveriam o uso de perfis automatizados e disseminação de informações falsas.
“É um cenário de muita violência política em alguns estados brasileiros, lá em Pernambuco é um desses casos. Eu tenho sido atacado manhã, tarde e noite por uma verdadeira milícia digital”, declarou.
Segundo o socialista, os ataques ocorreriam de maneira coordenada, com uso de mecanismos artificiais para ampliar a circulação de conteúdos e informações falsas.
“Instrumentalizada de forma inorgânica, com presença de robôs, de informações falsas, automatizadas, instrumentalizadas por pessoas da política que querem atacar um adversário político”, declarou.
João também afirmou que a atuação desses grupos já teria sido identificada e denunciada, defendendo que as apurações avancem para identificar quem estaria por trás da estrutura.
“Essa presença que já foi identificada, denunciada e hoje apurada pela Polícia Federal em Pernambuco precisa ser esclarecida. O mais importante é entender quem está por trás disso e como isso é financiado”, disse.
Pix e segurança pública
Além das declarações sobre ataques virtuais, João Campos comentou temas de repercussão nacional e estadual durante a entrevista ao Congresso em Foco.
Ao falar sobre a proposta do governo dos Estados Unidos de impor novas tarifas a produtos brasileiros e as críticas feitas ao Pix em documentos divulgados pela gestão de Donald Trump, o socialista classificou a iniciativa como uma medida de motivação política e defendeu uma reação firme do Brasil.
“Você vê que não é nem algo implícito, é explícito o interesse de atacar conquistas brasileiras”, afirmou.
Segundo João, o país deve atuar com “equilíbrio, mas muita altivez” na defesa de seus interesses econômicos e de sua soberania.
Presidente nacional do PSB, João também elogiou a atuação do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), na defesa da soberania nacional ao lado do presidente Lula (PT).
O pré-candidato ao Governo do Estado também fez críticas ao cenário da segurança pública em Pernambuco e afirmou que o Estado perdeu protagonismo em políticas na área.
“Pernambuco já foi uma referência em programas de segurança pública e hoje amarga a terceira pior posição no Brasil no crescimento da violência nos casos de homicídio”, declarou.
Na avaliação do socialista, o avanço de facções criminosas em territórios pernambucanos e o aumento dos casos de feminicídio exigem mudanças na condução das políticas públicas de segurança.
João defendeu o fortalecimento das forças policiais e uma gestão baseada em critérios técnicos.
“O que se vê na segurança de Pernambuco é preciso mudar”, afirmou.
Fórum de Lisboa
As declarações do ex-prefeito foram dadas durante sua participação no Fórum de Lisboa, evento realizado em Portugal que reúne autoridades, juristas, gestores públicos e especialistas para discutir temas ligados à democracia, governança e desenvolvimento.
O evento é organizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), pelo Instituto de Ciências Jurídico-Políticas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (ICJP) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV), tendo como tema “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”.
No evento, João participou do painel “O futuro do trabalho: Tecnologia, diminuição da jornada e seus impactos econômicos e sociais”.
Em publicação nas redes sociais, o ex-prefeito do Recife destacou sua participação no painel. Segundo João, o tema ganha relevância em meio ao debate nacional sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.
“Este é um assunto fundamental para nosso desenvolvimento, principalmente em uma época de debates a respeito da redução da escala 6×1”, escreveu.
O dirigente nacional do PSB também ressaltou que o partido se posicionou de forma unânime a favor da redução da jornada e defendeu o diálogo como caminho para o desenvolvimento econômico e social do país.
“O avanço sustentável da sociedade e da economia do Brasil se dará, sempre, pelo diálogo”, afirmou.













