Crítica: ‘Love Kills’ é fábula gótica envolvente no centro de São Paulo

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Crítica: ‘Love Kills’ é fábula gótica envolvente no centro de São Paulo


Diante de “Love Kills”, pode-se ficar num pequeno impasse: o que afinal iremos ver? Apesar do título em inglês e de ser do gênero horror, o filme é brasileiro, com elenco brasileiro e todo ambientado no centro velho de São Paulo.

É do tipo de filme que nosso cinema sempre teve dificuldade de fazer, uma espécie de “Anjos da Noite” falado em português. Refiro-me ao longa de Len Wiseman com Kate Beckinsale, de 2003, que opõe vampiros contra lobisomens, batalha um pouco diferente da que temos aqui.

No Brasil, ainda podemos tatear em gêneros como ação e horror, mas temos talento nos quadrinhos. É justamente desse território que vem a trama, baseada numa graphic novel de Danilo Beyruth.

Embora ultimamente essa dificuldade de imitar o cinema de gênero tenha diminuído, isso pode ser mais uma prova de que o cinema brasileiro tem se diversificado, com filmes para todos os gostos.

Grosso modo, trata-se de uma história de vampiros bons contra vampiros maus, em que os bons se alimentam do sangue de machos tóxicos e os maus, do sangue de moradores de rua e viciados em crack.

Um jovem humano, Marcos, vivido por Gabriel Stauffer, é envolvido nessa batalha por ter se apaixonado por uma vampira que frequentava o bar onde trabalha.

Ela é Helena, personagem de Thais Lago, perseguida por outros vampiros porque se a matarem, por ser ela a progenitora, voltam a ser humanos. Ela conta com a ajuda de um padrinho andrógino chamado Victor e do valente rapaz apaixonado.

Ao mesmo tempo, Leander, um homem que ela transformou em vampiro num passado distante, e que abandonou por ter se decepcionado com sua crueldade, está prestes a voltar, com maior força, pois a renovou nas trevas do subsolo.

O impasse se dá principalmente pela sucessão de bons e maus elementos que se alternam, numa outra batalha: pela definição do valor cinematográfico.

Comecemos pelos maus elementos. Há uma câmera lenta, sobretudo no início, que revela no mínimo uma indecisão. Parece que vai fazer um cinema publicitário cheio de afetação e com isso demora um pouco para convencer que vai para o caminho do horror.

Contribui para essa impressão negativa algumas imagens de balada, uma ducha quente, uma caminhada noturna inicial, e o primeiro diálogo, com um heterossexual boboca e rico num balcão de bar, embora as cores e linhas que atravessam o quadro nesse momento componham uma imagem bem interessante.

A caracterização do personagem de Marat Descartes, o dono do bar onde Marcos trabalha, parece desnecessariamente exagerada. Todos no filme são movidos pelo desejo, menos esse chefe, que é apenas um sádico em seu pequeno poder, um personagem que destoa dos outros e enfraquece o filme sempre que aparece.

No lado bom, a trama é surpreendentemente envolvente apesar do começo enganoso, com um triângulo amoroso inesperado e doloroso se desenvolvendo paralelamente à trama de horror.

Há boas cenas de ação e aventura e uma boa ambientação noturna pelo centro decadente da cidade de São Paulo. Até mesmo os diálogos pouco naturalistas, por vezes artificiais, cabem nesse registro de fábula gótica.

Algumas imagens são poderosas, como a de Helena despertando em sua banheira-leito, debaixo da terra, imagem reincidente no filme, ou as que mostram a noite tenebrosa do centro paulistano, incluindo um cachorro feroz sendo mentalmente dominado pela vampira.

Por mais que esse lado bom ocupe menos espaço neste texto, ele consegue tornar os aspectos negativos menos importantes, fazendo com que o balanço geral seja positivo: ou seja, pode-se ver o filme com um leve sentimento de prazer, a não ser que se tenha alguma aversão ao gênero.

A diretora trans Luiza Shelling Tubaldini tem em seu currículo uma comédia romântica, “Perdida”, de 2023, numa assinatura com outros dois diretores, além de alguns trabalhos como produtora e roteirista. “Love Kills” é o primeiro longa que assina como única diretora.



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