A Casa da Concórdia atenderá seis famílias com modelo de aluguel acessível, visando inspirar políticas públicas de habitação em PE
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O Fundo FICA e a ONG Habitat para a Humanidade Brasil inauguraram nesta semana a Casa da Concórdia, um projeto de locação social voltado a migrantes em situação de vulnerabilidade. Localizado na Rua da Concórdia, no Bairro de São José, o complexo habitacional foi estruturado a partir da requalificação de um imóvel comercial subutilizado.
Com um investimento de US$ 200 mil na reforma do prédio, o projeto abriga seis famílias. A gestão do espaço é de responsabilidade do Fundo FICA, que implementa um formato de aluguel acessível focado na permanência dos moradores e não na transferência de propriedade.
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O programa atrela o acesso à moradia a uma rede de assistência para a construção de autonomia das famílias beneficiadas. O acompanhamento contínuo inclui:
- Serviços de assistência social para promoção de saúde, educação e renda;
- Apoio na regularização documental de migrantes;
- Aulas para o aprendizado da língua portuguesa;
- Orientação para a inserção no mercado de trabalho.
Modelo contra a gentrificação
A proposta das organizações é utilizar a viabilidade da Casa da Concórdia para pressionar o poder público a adotar a locação social em larga escala. A diretora-presidente do Fundo FICA, Simone Gatti, aponta a estratégia como uma ferramenta contra a gentrificação, ou seja, a expulsão de populações vulneráveis de áreas revitalizadas.
“O papel do FICA hoje é fazer com que a locação social vire política pública. Estamos falando de áreas em revitalização, onde imóveis que valem pouco hoje podem valer muito em breve. Se dermos a propriedade privada às famílias de baixa renda, elas podem ser afastadas pela gentrificação. A vantagem da locação social é garantir não só o acesso, mas a permanência a longo prazo, oferecendo serviços que a habitação privada não envolve, como acesso a trabalho, renda, saúde e educação”, explica Gatti.
Para Mohema Rolim, gerente de programas da Habitat Brasil, a fixação dessas famílias no centro urbano otimiza o uso de equipamentos públicos.
“O centro é estratégico porque já possui toda a infraestrutura: ônibus, energia, esgoto, cultura e saúde. Faz muito mais sentido usar essa estrutura que já existe do que expulsar quem trabalha aqui ou mora de forma precária. Quem não tem carro é quem mais precisa morar perto dessas facilidades para não perder horas no transporte público”, afirma.
Origem do imóvel
O prédio de três andares que abriga o projeto foi doado por Cíntia Sampaio e sua família, que operava uma empresa no local desde 1958.
“Meus irmãos e eu decidimos transformar a herança de nossos pais em um legado. Batemos na porta de muitos amigos e parceiros até o projeto ganhar corpo. Peço às famílias que venham com a atitude de desenhar este projeto junto conosco; vocês não são beneficiários, são correalizadores”, diz a doadora.
Para uma das mães que residirá no local, a inauguração do prédio representa um marco de estabilidade.
“Quando visitei pela primeira vez, fiquei chocada com o trabalho cheio de amor e cuidado nos detalhes. Agradeço a Deus por escutar minhas orações. O Brasil abriu as portas para nós e este projeto é o começo de algo que abençoará muitas outras famílias”, declara a moradora.
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