Em fala enviada ao JC, governadora afirma que medida beneficia consumidores, mas diz temer impactos sobre competitividade da indústria pernambucana
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A governadora Raquel Lyra (PSD) afirmou, nesta terça-feira (13), que o Governo de Pernambuco vai discutir com representantes do Polo de Confecções do Agreste os possíveis impactos da queda da “taxa das blusinhas”, após decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de extinguir a tributação federal sobre remessas internacionais de pequeno valor.
Em fala enviada ao JC, Raquel afirmou que a redução da cobrança sobre produtos importados pode favorecer consumidores, mas ponderou que o Estado acompanha com preocupação os efeitos da medida sobre empregos e competitividade da indústria pernambucana.
“Todo mundo que é consumidor é privilegiado com essa medida, mas ao mesmo tempo nos preocupa aqui a manutenção de emprego e renda em nosso estado”, declarou a governadora.
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A manifestação de Raquel ocorre após reação de entidades industriais pernambucanas e de representantes políticos ligados ao Polo de Confecções do Agreste, que passaram a cobrar do governo federal medidas para proteger a cadeia têxtil e de vestuário diante do aumento da concorrência com plataformas internacionais de comércio eletrônico.
Segundo a governadora, o governo estadual já abriu diálogo com o setor produtivo e participará de uma reunião marcada para o próximo dia 20 para aprofundar as discussões sobre os impactos da medida.
“Estou em diálogo com o setor de confecções de Pernambuco, que inclusive vai se reunir no dia 20”, afirmou.
Raquel também ressaltou o peso econômico do Polo de Confecções para o Estado. Segundo a governadora, ao menos 40 municípios pernambucanos estão inseridos na área de influência direta da atividade, considerada uma das principais geradoras de emprego e renda no interior.
“O Polo de Confecções do Agreste é lugar de oportunidade, emprego e renda, sendo o maior produtor de jeans do Brasil”, disse.
A governadora afirmou ainda que pretende levar ao governo federal as preocupações apresentadas pelo setor empresarial pernambucano.
“Vamos ouvir o setor e levar ao governo federal ponderações para enfrentar os desafios, manter os empregos e a competitividade com os produtos que vão vir de fora com menos imposto”, declarou.
Pressão sobre Brasília cresce em Pernambuco
A fala da governadora ocorre em meio ao aumento da pressão política e empresarial em Pernambuco em torno da decisão do governo federal.
Mais cedo, a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), o Sindivest/PE e o Sinditêxtil/PE divulgaram manifesto conjunto afirmando que a flexibilização da tributação sobre compras internacionais pode provocar “desequilíbrio concorrencial”, fechamento de empresas e perda de empregos formais.
O deputado federal Mendonça Filho (PL) também criticou a medida e afirmou que o Polo de Confecções do Agreste precisará de compensações do governo federal para enfrentar os impactos da concorrência internacional.
A discussão em torno da chamada “taxa das blusinhas” ganhou dimensão nacional nos últimos meses diante do crescimento das plataformas estrangeiras de e-commerce no mercado brasileiro, sobretudo nos setores de vestuário e acessórios.
Enquanto representantes da indústria nacional defendem maior equilíbrio tributário para proteger a produção brasileira, consumidores e setores ligados ao comércio digital argumentam que a redução da tributação amplia o acesso da população a produtos de menor custo.
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