‘Obsessão’ faz das relações amorosas um assustador teatro de máscaras

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‘Obsessão’ faz das relações amorosas um assustador teatro de máscaras


Quem nunca se apaixonou perdidamente? Em “Obsessão”, essa sina é levada a outro nível. No filme, que estreia nesta quinta, um jovem incapaz de confessar seus sentimentos descobre um feitiço e realiza seu maior desejo. O romance dos sonhos vira realidade, mas efeitos colaterais surgem com a mesma rapidez.

À medida que o amor de Nikki, personagem de Inde Navarrette, cresce exponencialmente, Bear, papel de Michael Johnston, passa a suspeitar que o preço será mortal. “Shakespeare escrevia tragédias. Elas são tão antigas quanto o tempo”, diz o diretor Curry Barker, que se consagrou no YouTube com curtas que unem terror e comédia.

“Nem todos os personagens precisam de finais felizes. Basta que o público se importe. Eles podem amá-los, podem odiá-los, mas precisam se importar com eles.” Numa época em que avatares disfarçam ações questionáveis, o cineasta faz da dualidade síntese do projeto.

Em tela, tiques e violências atravessam a adoração de Nikki por Bear. O resultado, fora o sucesso em festivais que antecedeu o lançamento comercial, é uma divisão assustadora. Ora ela suplica pelo fim da maldição, ora vigia o parceiro durante o sono e o impede de deixar a casa. O limite entre essas metades nem sempre é claro.

“Eu e Curry discutimos muito sobre como Nikki deveria lutar por si”, afirma Navarrette, que por vezes atua como uma boneca de corda prestes a quebrar. “Era importante entender quem ela seria por trás do desejo. Fiquei surpresa que a polícia não apareceu enquanto praticávamos os gritos.”

Do outro lado, o protagonista projeta a culpa sobre a cópia bizarra que criou da amada. Ele teme embaraços em festas e outros encontros —nem mesmo no trabalho ela desgruda do namorado— e começa a evitar todo tipo de contato.

Afinal, beijos apaixonados, noites ardentes e outras cenas de longas adolescentes ficaram para trás. Segundo Johnston, que participou da série “Teen Wolf“, as paixões e frustrações de Bear deram a ele seu papel mais complexo.

Filmes de terror estão mais profundos. Eles se tornaram mais humanos, já que a vida, muitas vezes, é um verdadeiro horror”, brinca. “Adoro ver um filme e pensar —’isso poderia ter acontecido comigo.”

O ator cita a vocação de Barker para investigar jovens adultos com autenticidade, sob um olhar divertido e desconfortável. É uma assinatura que ele desenvolve desde 2021, quando criou com Cooper Tomlinson o canal “That’s a Bad Idea“.

Na época, esquetes sobre fantasmas pervertidos, assassinos atrapalhados e brigas monumentais duravam pouco, mas logo aumentaram em complexidade. Mais tarde, “The Chair” ganhou prêmios ao narrar a derrocada de um casal por causa de uma cadeira amaldiçoada.

O curta de quase meia hora estimulou outros e, em 2025, o média-metragem “Milk & Serial” desembarcou no YouTube. Com câmeras baratas, a produção segue influenciadores que pregam pegadinhas agressivas entre si. No processo, um deles revela traços perturbadores de sua natureza.

“Todos parecem nervosos com a forma como são vistos, sejam famosos ou não. As vidas se tornaram mais públicas do que nunca”, diz. “No filme, Bear tem receio de como os outros enxergam o seu relacionamento. Ele faz o possível para Nikki ser considerada normal.”

Apesar das origens virtuais, o diretor afirma não querer ajustar projetos futuros a estímulos constantes ou outras demandas modernas. Em “Obsessão”, as consequências acontecem de forma vagarosa, e Nikki e seu ninho de amor são consumidos lentamente pela maldição.

Agora, com a excelente recepção do filme mais caro que já fez, o cineasta prepara um longa sobre criadores de conteúdo que encenam atividades paranormais e uma releitura de “O Massacre da Serra Elétrica“, que será produzida pelo estúdio A24.

Nos anos 1970, o filme se tornou um clássico do cinema independente. Nas palavras de Barker, a nova versão manterá a crueza da matança do psicopata Leatherface. “O ‘cinema de guerrilha’ pode ser definido de diversas maneiras. Essas produções não precisam se resumir a filmagens com câmera na mão e enquadramentos tremidos.”

“Farei algo com minha cara. Nada que parecerá modernoso demais e deixará o realismo do original de lado.” Refazer o longa de Tobe Hooper, cujas refilmagens foram rechaçadas ao longo dos anos, está entre os sonhos do cineasta. Se depender das lições de “Obsessão”, o resultado pode ser fatal.

Sobre fãs obcecados, Johnston confessa que já passou por apertos. “Faz parte do trabalho, mas enquanto estivermos seguros. Me sinto honrado de ser a obsessão de alguém. Só não apareçam na porta da minha casa!”



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