“Bixiga é tradição/ É samba pé no chão/ Retrato em preto e branco a poesia.”
O livreiro Beto Ribeiro cita um trecho do samba-enredo da Vai-Vai para descrever a Feira do Livro da Rocha —evento que toma a rua homônima no bairro Bixiga desta sexta (1º) até o domingo (3) com a proposta de celebrar não só a literatura, mas a região que recebe a festa.
“A feira nasceu do desejo de despertar o interesse pela leitura, fortalecer o vínculo da cultura literária entre os moradores e frequentadores do Bixiga e também promover a diversidade cultural da região”, diz Ribeiro, um dos organizadores da feira.
Ele é dono da Simples, uma das sete livrarias que participam desta segunda edição da feira —Miúda, Faz de Conta, Barrilete, Banca Tatuí, Livraria da Nuvem e Livraria da Tarde.
Com programação ampliada, a feira chega ao segundo ano ocupando cerca de 400 metros da rua com mesas, apresentações de música, roteiros turísticos, oficinas e até cortes de cabelos gratuitos. Todas as atividades foram pensadas pelo grupo de curadores composto por Ribeiro, seu sócio Felipe Roth Faya, a jornalista Luciana Araújo e a gestora cultural Bianca Mantovani.
Participam intelectuais, escritores, artistas e políticos. Lilia Schwarcz e Cidinha da Silva ministrarão aulas públicas, Kaká Werá conversará com o equatoriano Alberto Acosta, e Micheliny Verunschk debaterá memória com Geni Núñez.
Todas as 64 atividades gratuitas são voltadas ao tema “Bem-Viver”, conceito presente na cosmovisão de povos originários e movimentos como a Marcha das Mulheres Negras, segundo Ribeiro. A homenagem a Thereza Santos —ativista e multiartista brasileira— busca resgatar as raízes negras do bairro.
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A estrutura da edição de 2026 mantém a base do ano anterior, mas cresce com o engajamento da vizinhança. “É uma feira literária comunitária, realizada com a comunidade e para a comunidade”, afirma Ribeiro.
Esse envolvimento ganha rosto nos personagens do próprio bairro. O Bar do Seu Manoel, localizado no número 180 da rua Rocha, abrirá suas portas para receber aulas públicas. A Escola Paulista de Direito, no número 233, servirá como espaço de convivência para autores e debatedores. E o pastor Daniel, da igreja da rua, já se comprometeu a chegar às quatro da manhã de sexta para ajudar na montagem, como fez no ano passado.
“É muito bonito ver o livro mobilizando as pessoas e um tipo de economia justa e solidária”, diz Ribeiro, para quem a realização da feira só foi possível graças a essa rede de apoio.
Além da vizinhança, a Feira do Livro da Rocha tem a colaboração de 30 organizações, responsáveis por grande parte das atividades, e de 57 editoras, que disponibilizarão seus catálogos com preços mais acessíveis. Parte delas contribui financeiramente com o evento, enquanto a Secretaria de Cultura dá apoio institucional.
São esperados 10 mil visitantes nesta segunda edição. “A expectativa é atrair pessoas que não se reconhecem como leitoras para incentivá-las a fazer parte do universo dos livros”, diz o organizador.
A programação completa da 2ª Feira do Livro da Rocha está no site do evento.
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