Que Deus, tão do Brasil, ajude nosso país nesta Copa de 2026, vestindo-nos de contentamento perante o mundo e nos conferindo o título máximo
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Neste mês de junho, além dos salamaleques do forró, do xote e do xaxado, nós, brasileiros, pelo pulsar dos nossos corações, entramos em campo com os “canarinhos”, à Nelson Rodrigues, “de calção e chuteiras”, para, nos gramados, sonharmos com o hexa para o Brasil.
À frente da seleção, pela primeira vez, um estrangeiro, técnico dos melhores, mas que não conhece plenamente a realidade do futebol brasileiro. Carlo Ancelotti ainda não encontrou o fio de prumo das estratégias dos times formados a cada convocação dos jogadores por ele chamados para os jogos-treino.
Convocar é um grande desafio! Por isso, Vicente Matheus, por muitos anos o folclórico presidente do Corinthians, assegurou: “o difícil realmente não é fácil.”
Ancelotti vive a indecisão entre incentivar o jogo criativo do Brasil, cheio de fintas e firulas, gerador de vitórias, ou adotar o futebol europeu, que demanda preparo físico e busca incessante por resultados.
Se o mundo é uma bola, no futebol, a cada Copa, a bola é o mundo. Sim, porque metade da humanidade se junta, por meio das tecnologias da comunicação – entre elas a televisão e as plataformas digitais -, para acompanhar os jogos da maior competição esportiva do planeta.
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Ainda não saiu do imaginário popular o trauma deixado em 1950, quando o nosso escrete, jogando por um empate, perdeu a Copa.
Segundo a história, diante de milhares de torcedores, na final entre Brasil e Uruguai, já no segundo tempo, com o placar marcando 1 a 1, aos 35 minutos, o uruguaio Ghiggia chutou para o gol brasileiro – defendido por Barbosa -, fazendo a bola passar por um minúsculo espaço entre as mãos do goleiro e a trave direita, desfazendo o sonho dos brasileiros, crucificando Barbosa e mergulhando o estádio em um silêncio sepulcral.
Sobre Barbosa, injuriado e acusado de falha, escreveu o jornalista Armando Nogueira: “Certamente, a criatura mais injustiçada da história do futebol brasileiro. Era um goleiro magistral. Fazia milagres, desviando de mão trocada bolas envenenadas. O gol de Ghiggia caiu-lhe como uma maldição. E, quanto mais vejo o lance, mais o absolvo.”
A derrota do Brasil ficou conhecida como “Maracanazo”, junção de Maracanã – o estádio – com o sufixo espanhol “azo”, que significa algo impactante, chocante.
Que Deus, tão do Brasil, ajude nosso país nesta Copa de 2026, vestindo-nos de contentamento perante o mundo e nos conferindo o título máximo – um laurel a ser erguido no sagrado campo onde venha a rolar a bola.
O Brasil, único país a participar de todas as Copas, também se singulariza por ser o maior campeão. Berço de artilheiros e do futebol-arte, viu, após a perda da Copa de 1982 – a seleção de Zico, uma das maiores da nossa história -, uma mudança de rumo para o futebol de resultado, em certa medida divergente de sua arte, de seu gingado e de sua identidade.
Pelo Brasil, Pelé e Garrincha, juntos, nunca perderam uma partida sequer. O “anjo das pernas tortas”, Garrincha, segundo Armando Nogueira, “dava aulas de meninice”. E nós nos tornávamos crianças, encontrando na bola nossa válvula de escape para a tristeza.
Entre as seleções mais vitoriosas, destacam-se: Brasil, Alemanha, Itália e Argentina. O Brasil conquistou seus títulos em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. A Alemanha foi campeã em 1954, 1974, 1990 e 2014. A Itália levantou a taça em 1934, 1938, 1982 e 2006. Já a Argentina venceu em 1978, 1986 e 2022. Esses números retratam não apenas conquistas, mas tradições consolidadas no futebol mundial.
Em 2014, a seleção brasileira apresentou um desempenho decepcionante. Não correspondeu à equipe que, por mérito, conquistou a Copa das Confederações de 2013. Foi o retrato de uma seleção em entressafra de grandes talentos. A derrota para a Alemanha foi acachapante: sete tentos e um desalento (7 a 1).
A Alemanha, tetracampeã, trouxe ao Brasil a lição de como se deve trabalhar o coletivo de uma equipe: planejamento, como primeiro passo; organização, como consequência; responsabilidade, como dever profissional; seriedade, como base do respeito; compromisso, como conduta de vida. Lições que podem se transformar em êxito, continuidade e conquista na busca do gol que se faz vitória.
Para o torneio de 2026, que será realizado de forma inédita em três países – Estados Unidos, Canadá e México -, o Brasil, com Neymar ou sem Neymar, busca reafirmar seu protagonismo no cenário internacional. A preparação envolve, não apenas a formação de um elenco competitivo, mas também a construção de um modelo de jogo consistente, capaz de enfrentar seleções cada vez mais organizadas e taticamente avançadas.
E que, ao soar o apito final, possamos sentir novamente que o Brasil, de chuteiras e coração aberto, transformou o sonho em glória e fez da bola o mais bonito idioma da nossa esperança.
Roberto Pereira – Cadeira 35 – Academia Pernambucana de Letras



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