Zé Vicente leva suas colagens escultóricas em espuma para nova mostra em São Paulo

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Zé Vicente leva suas colagens escultóricas em espuma para nova mostra em São Paulo


O artista Zé Vicente inaugura nesta sexta-feira (17) a exposição “Supernova” no espaço Lapa Lapa, em São Paulo. A mostra apresenta um conjunto recente de trabalhos que sintetiza uma pesquisa desenvolvida pelo artista ao longo dos últimos três anos, centrada na expansão da colagem para o campo tridimensional.

A exposição inclui também a exibição de uma curta-metragem, de cerca de 15 minutos, que dialoga diretamente com as obras.

A série parte de um procedimento técnico relativamente simples, mas com resultados pouco convencionais. Zé Vicente utiliza imagens impressas a laser em papel comum, que são transferidas para superfícies de espuma por meio de uma cola chamada transfer, comum em processos artesanais.

Após a secagem, o papel é removido manualmente com água, restando apenas a imagem investida, que adere à espuma e pode ser manipulada livremente.

“A pesquisa começou com uma vontade antiga de expandir a colagem para além do papel e do bidimensional”, afirma o artista. Ao adotar esse processo, ele passa a explorar as propriedades físicas do material, criando superfícies que se comportam de maneira instável —enrugam, esticam, deformam-se.

“Foi fascinante transferir imagens para espumas e perceber que eu poderia distorcê-las, pois enrugavam feito pele.”

Por fim, as obras são costuradas com fio de nylon, o que permite a construção de volumes e a ocupação do espaço. “Fui para um lugar de colagem escultórica. Ela tem bastante volume”, diz Zé Vicente.

Nesse contexto, a escolha das imagens deixa de ser apenas iconográfica e passa a ter também uma função estrutural.

“Passei a escolher imagens que me instigassem a costurar por suas linhas e manchas, tendo elas como guias”, conta. Segundo ele, o próprio comportamento da espuma introduz um elemento de imprevisibilidade no processo: “Fui surpreendido pela resposta volumétrica do material, que criou formas peculiares e inesperadas”.

Esse caráter experimental aproxima o trabalho de procedimentos mais abertos, em que o resultado não é totalmente controlado de antemão. As peças resultam de um equilíbrio entre intenção e resposta do material, em um processo que envolve tentativa, erro e adaptação contínua.

Ao longo da pesquisa, essas estruturas passaram a ser pensadas também em relação ao corpo. “Comecei a entender que essas obras poderiam ser vestíveis.”

A partir dessa percepção, o trabalho se desdobrou em experiências performáticas e, mais recentemente, em linguagem audiovisual.

O curta-metragem exibido na mostra foi dirigido por Douglas Ferreira e apresenta uma dessas formas em deslocamento pela cidade de São Paulo.

A narrativa acompanha essa presença ambígua —ao mesmo tempo objeto e corpo— em um percurso que sugere uma espécie de fábula. As peças apresentadas funcionam como desdobramentos desse universo, criando uma continuidade entre o que se vê no vídeo e o que ocupa o espaço expositivo.

O texto crítico da exposição é assinado por Gabriela Leirias, com produção executiva da Ipê Projetos.



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