Projeto Vozes Pretas da PeraBook é expandido e vai publicar 104 títulos de autores e ilustradores negros para os públicos infantil e juvenil até 2027
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Abordagem sobre determinado assunto, em que o tema é apresentado em formato de perguntas e
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Texto com análise detalhada e de caráter opinativo a respeito de produtos, serviços e produções
artísticas, nas mais diversas áreas, como literatura, música, cinema e artes visuais.
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Mais de uma centena de livros para crianças e adolescentes no Brasil reconhecerem sua identidade, valorizarem sua história e exaltarem sua diversidade. O projeto Vozes Pretas da editora PeraBook, com a curadoria de Kiusam Oliveira, passa a ter a previsão de publicação de 104 obras escritas e ilustradas por artistas negros – a concepção inicial era de 60 títulos.
No último dia 31, uma celebração em torno do projeto trouxe a notícia da ampliação, na sede do Grupo Elo Editorial, do qual faz parte a PeraBook. O evento contou com a presença de vários professores, artistas e representantes de governos, entre os quais, Elaine Gomes de Lima, Secretária Executiva Adjunta da Coordenação de Promoção da Igualdade Racial da cidade de São Paulo. Para Kiusam Oliveira, a coleção é “um coro de cura, um ato de retomada. Curadoria, para mim, não é escolher nomes, é afirmar soberanias”, disse na ocasião.
A importância da iniciativa é inegável, num país onde a desigualdade se expressa, também, na oferta do mercado editorial. O projeto acerta em pelo menos dois alvos: abre oportunidade à publicação afro-brasileira e, elevando a representatividade literária, pode aumentar o acesso à leitura.
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A escritora Cristina Padilha – Divulgação
Conexões tardias
A editora Labrador está lançando o romance de estreia de Cristina Padilha. Em “Conexões tardias”, a autora “dialoga com questões atuais, como a falta de tempo ocasionada pela multiplicidade de demandas e seus efeitos nas relações”, segundo a divulgação. A obra “propõe uma reflexão sensível sobre os silêncios que atravessam as relações familiares e os impactos do distanciamento afetivo dentro de casa”.
Prêmio de crônicas
A União Brasileira de Escritores (UBE) prorrogou as inscrições para o Prêmio Ruth Guimarães de Crônica até 15 de abril. Os 20 melhores participam de antologia, e o vencedor terá R$ 2 mil em premiação. O tema é livre, e o texto precisa ser inédito. Mais informações no site www.ube.org.br.
Esquenta para o Flipoços
O Festival Literário Internacional de Poços de Caldas – Flipoços – está com a programação completa disponível. O tradicional evento acontece junto com a Feira do Livro do Sul de Minas, de 25 de abril a 3 de maio, na Vila Literária no Parque José Afonso Junqueira, na cidade mineira. São 255 convidados em diversas atividades, durante os nove dias de festival. Confira em www.flipocos.com.
Letras de Pernambuco
Madu Sansil e Thiago Medeiros são os convidados do projeto Letras de Pernambuco, respectivamente, em lives na terça, 7, e na quinta, 9, sempre às 7 da noite pelo canal do Livronews no Youtube. Artista plástica e escritora, a recifense Madu Sansil é autora de “às vezes esqueço como respirar”, poemas, em publicação da Mondru. O caruaruense Thiago Medeiros, além de escritor, é editor, compositor e agitador cultural. Foi vencedor do VIII Prêmio Hermilo Borba Filho, com a obra “Salas brancas com cheiro de éter não me permitem sentir cheiro de gente”, publicada pela Cepe.

Clarisse Escorel e Dora Vergueiro – Divulgação
O amor na sala escura
Após o sucesso do lançamento na Livraria Travessa do Leblon, no Rio de Janeiro, onde estiveram mais de 300 pessoas, Clarisse Escorel leva seu romance de estreia para noite de autógrafos na Travessa de Pinheiros, em São Paulo. “O amor na sala escura” é uma publicação da Bazar do Tempo, e narra o reencontro de uma mulher com o amor da juventude. O evento em terras paulistanas será na terça, 7, a partir das 19h.

A jornalista Cecilia Malan – Divulgação
Histórias maternas
A jornalista Cecília Malan estará em São Paulo e no Rio de Janeiro esta semana, para sessões de autógrafos de seu livro “Eu e elas: Histórias maternas”. Em conversas com mulheres de variadas partes do Brasil, Cecília Malan apresenta “uma reportagem sobre o afeto”, segundo a divulgação. Na terça, 7, na Livraria Martins Fontes da Av. Paulista, às 19h, e na quinta, 9, na Livraria Travessa do Leblon, às 18h.
A autora concedeu breve entrevista à coluna:
O que há em comum, nos depoimentos do livro, sobre a maternidade contemporânea no Brasil?
Cecília Malan – Que a maternidade é repleta de momentos doces e é, também, trabalho constante. São muitos momentos de exaustão, isolamento e perda de identidade. A gente se ajuda, e se fortalece, ao falar abertamente sobre o processo de ver uma mulher virar mãe. E do processo, igualmente arrebatador, que é uma mãe voltar a ser mulher!
Sua visão sobre a maternidade mudou, Cecília? Como?
Cecília Malan – A minha admiração por outras mães cresce a cada dia. Fico fascinada com a força, a delicadeza, a entrega. Passei a entender melhor a minha mãe. Como ela sempre foi o sistema nervoso central da nossa família. E como isso tem um custo.
Como é ver o livro pronto?
Cecília Malan – Segurei o livro pela primeira vez esta semana e super me emocionei. Ver pronto, poder dividir com as pessoas que eu amo… Emocionante demais. Uma amiga minha chamou de reportagem sobre o afeto. E é bem isso. Um reconhecimento do cotidiano invisível e da coragem silenciosa de mulheres que cumprem papéis extraordinários todos os dias. Quanto mais livros sobre essa maternidade real, não a versão idealizada, melhor!
Direito, saber e método
A Juruá lança na quarta, 8, no Recife, o novo livro de José Luiz Delgado, “Direito, saber e método – Fundamentos, aplicações e desafios do saber jurídico”. O prefácio é do professor Torquato Castro Junior. O autor examina diversas questões, como: o Direito é uma ciência? É o conjunto das leis? Pode-se falar de “verdade” no Direito? O direito é uma linguagem? Qual a relação do Direito com os fatos? O lançamento acontece na Sala Castro Alves da Faculdade de Direito do Recife, a partir das 11h da manhã.
Itamar no Recife
O escritor Itamar Vieira Junior realiza palestra no Recife na quarta, 8. Com o tema “É mesmo ficção?”, o autor de “Coração sem medo”, seu mais recente publicado pela Todavia, irá falar da relação entre homem e território, das desigualdades sociais e do poder da narrativa literária. Na Caixa Cultural, a partir das 7 da noite, com entrada gratuita. Os ingressos serão distribuídos uma hora antes do evento, no local.
Circunstâncias do verso
A acadêmica Anna Maria César lança “Circunstâncias do verso” na quinta, 9, na Academia Pernambucana de Letras (APL). A partir das 18h, com estacionamento gratuito na sede da APL, no Recife.
Biografias
Depois de passar por Curitiba, Pedro de Luna vai lançar as biografias de Planet Hemp e do Mundo Livre S/A em Belo Horizonte, nesta quinta, 9. Os livros “mundo livre s/a 4.0 – do punk ao mangue” e “Planet Hemp mantenha o respeito” foram prestigiados na capital paranaense por vários artistas, entre os quais Madu, vocalista e músico da banda Machete bomb.
Para entender uma história de amor
Atriz, terapeuta holística e escritora, Luciana Palhares apresenta seu primeiro livro na quinta, 9, no Cura Bar, no Rio de Janeiro, às 18h30. Em publicação independente, “Para entender uma história de amor” junta narrativas curtas, ensaios autobiográficos e poesia que abordam relações amorosas e o retorno a si mesma.
Gentinha
A Record promove o retorno de Marcelo Moutinho aos contos, com “Gentinha”, reunindo textos caracterizados pelo cotidiano urbano brasileiro. No lançamento na quinta, 9, o público será contemplado com leituras da atriz Fabíula Nascimento e do ator Bruce Gomlevsky, além de bate-papo entre o autor e Mateus Baldi, antes da sessão de autógrafos. Na Janela Livraria do Jardim Botânico, a partir das 7 da noite.

Cesar Garcia Lima e seu livro – Camilla Shaw
Se não tem paz, vem
A editora 7Letras publica o primeiro livro de contos de Cesar Garcia Lima, “Se você não tem paz interior então você vem aqui pra capital”. O autor envereda pela ficção, após quatro volumes de poesia e um de crônicas. O lançamento no Rio de Janeiro será no sábado, 11, na Livraria Alento, a partir das 5 da tarde.

Bruna Maciel Borges ama cartas – Rodolfo Loepert
Cartas sobre cartas
No próximo sábado, 11, Bruna Maciel Borges e este colunista vamos lançar o livro “Encontro escrito à mão – Cartas sobre cartas”. A troca de correspondências surgiu de oficina literária que damos juntos, e retrata a paixão pela escrita feita à letra no papel, na caligrafia própria de cada um. O prefácio é de Lourival Holanda, que resume, em contraponto à comunicação apressada em mensagens instantâneas pelas telas: “A carta vai mais lenta a um destinatário específico como quem deposita ali o coração; haja cuidado. Há um intercâmbio real, que um interesse comum assegura, numa reciprocidade prazerosa”. Faremos breve conversa, seguida de autógrafos, na Academia Pernambucana de Letras (APL), no Recife, a partir das 4 da tarde deste sábado. No dia 23, quinta, estaremos na Livraria Martins Fontes, em São Paulo, às 18h, e no dia 26, domingo, na programação do Flipoços, em Poços de Caldas, às 10h da manhã.

Hud Cunha fará palestra em São Paulo – Divulgação
O tratado dos opostos
Um diálogo sobre escrita, saúde mental e as experiências emocionais da vida contemporânea, é o que propõe Hud Cunha, autor de “O tratado dos opostos”, em conversa marcada para o sábado, 11, no Cine Belas Artes, em São Paulo, a partir das 9 e meia da manhã. Após o bate-papo haverá sessão de autógrafos. O escritor concedeu a entrevista a seguir à Literária:
Como a escrita de poesia se tornou parte de sua reflexão pessoal e profissional?
Hud Cunha – A escrita veio como uma necessidade antes de ser uma escolha. Não como projeto, não como método, como urgência. Havia dentro de mim uma ambiguidade que eu não conseguia organizar pela lógica, e a poesia foi o único lugar onde essa ambiguidade podia existir sem precisar ser resolvida. Houve um momento, vivendo na Índia, em que isso ficou muito claro. A Índia é um país que não te deixa escolher um lado: espiritualidade e caos convivem no mesmo espaço, beleza e violência dividem a mesma rua, o sagrado e o absurdo se tocam a todo instante. Não tem como separar. E foi nesse ambiente que eu percebi que sustentar os opostos não é fraqueza, é talvez a forma mais honesta de estar no mundo.
Conte um pouco da experiência de produção e compartilhamento do livro.
Hud Cunha – O Tratado dos Opostos nasceu desse lugar. Não foi escrito, foi acontecendo. Dois capítulos: solidão e presença. Não porque sejam contrários que se excluem, mas porque uma só existe pela outra. Não há presença que não carregue alguma solidão, não há solidão que não seja, de algum modo, uma forma de presença. Compartilhar o livro foi o momento em que aquilo que era meu virou espelho. E o espelho só faz sentido quando alguém se reconhece nele.
O que caracteriza a tensão entre opostos na vida contemporânea?
Hud Cunha – Ouvi recentemente de um professor uma frase que me ficou: nada define mais a vida do adulto hoje do que o trabalho. E eu acho que essa frase, ao mesmo tempo que é verdadeira, revela um problema. Porque o trabalho passou a ser o filtro pelo qual a gente se pergunta o que vale a pena fazer, sentir, ser. O que me gera resultado? O que me especializa? O que me destaca? Essa é uma forma de viver que estreita. Ela não é capaz de dar conta da ambiguidade que é existir de fato: ser mãe e estar exausta, ver propósito no que faz e ao mesmo tempo se perder nele, amar profundamente e ser atravessada pela dúvida. Isso não é disfunção. Isso é existência.
E como essa tensão pode ser elaborada pela linguagem poética?
Hud Cunha – A tensão entre opostos não é um problema a diagnosticar. É a própria textura da vida. A poesia é o único lugar que eu conheço onde essa tensão pode existir sem ser forçada a uma resolução. Ela não organiza, ela sustenta. Nilton Bonder tem uma frase que me marcou: um conceito só se define pelo seu oposto. Não entendemos o que é presença sem a experiência da solidão. Não sabemos o que é leveza sem ter carregado peso. A poesia opera exatamente nessa fronteira, ela não escolhe um lado, ela habita o entre.
Qual o oposto de poesia, para você, Hud?
Hud Cunha – Essa é a pergunta que mais me interessa, porque ela me obriga a pensar nos opostos do jeito que o próprio livro propõe: não como excludência, mas como definição mútua. Maria Bethânia diz que precisa se suspender um pouco, que pensa poesia em tudo. E eu entendo isso. A poesia não é uma fuga da realidade, ela é uma suspensão dentro da realidade. Um delírio que só acontece porque a realidade não deixa de existir.
Então o oposto da poesia não é a prosa, não é a técnica, não é nem mesmo o silêncio. O oposto da poesia é a não-existência. Não a morte, mas aquele estado em que a gente cede inteiramente a uma performance que não nos pertence. Quando a vida vira linha reta. Quando a ambiguidade é apagada porque ela é incômoda, porque ela não cabe no currículo, porque ela não produz resultado mensurável. A existência plena é, necessariamente, uma existência de opostos. De sentimentos que se contradizem, de papéis que se chocam, de dor que convive com alegria sem precisar se justificar. Quando a gente abre mão disso, quando entra num modo onde tem que ser sempre o melhor, onde tudo tem que estar em ordem, é quando de fato deixa de existir poeticamente.
E o que é a poesia, além de suspensão?
Hud Cunha – A poesia, no fundo, é o ato de existir com consciência da própria contradição. E talvez seja isso que ela tem a oferecer ao mundo: não respostas, mas a coragem de sustentar as perguntas.
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