Telio Nobre Leite: Expansão e interiorização da educação superior com qualidade e inclusão social

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Telio Nobre Leite: Expansão e interiorização da educação superior com qualidade e inclusão social


Um dos desafios é garantir condições adequadas de permanência para estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica



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A expansão e a interiorização da educação superior brasileira constituem uma das mais importantes políticas públicas das últimas décadas. Aliada à Lei de Cotas, essa estratégia tem contribuído para democratizar o acesso às universidades e promover inclusão social. Ao contrário do que previam alguns críticos no início desse processo, as avaliações oficiais demonstram que a ampliação do acesso não comprometeu a qualidade da formação acadêmica.

O caso da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) ilustra bem essa realidade. Criada há pouco mais de duas décadas, a instituição nasceu com a missão de levar ensino, pesquisa, inovação e extensão ao interior dos estados de Pernambuco, Bahia e Piauí. Nesse período, a universidade se expandiu para novas cidades, inovou em práticas acadêmicas e científicas e fortaleceu seu vínculo com as comunidades locais, contribuindo para a cidadania e para o desenvolvimento regional sustentável.

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Os resultados acadêmicos confirmam a qualidade dessa trajetória. A grande maioria dos cursos de graduação da Univasf recebeu as melhores avaliações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Os dois cursos de Medicina da instituição figuram entre os dez melhores do país no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Além disso, a mais recente Avaliação Quadrienal da Capes reafirma a solidez da pós-graduação da universidade. Esses indicadores demonstram que a interiorização pode — e deve — caminhar lado a lado com a excelência acadêmica.

Naturalmente, essa política também enfrenta desafios. A fixação de docentes em algumas cidades do interior ainda requer atenção especial do poder público. Pesquisadores altamente qualificados que se estabelecem nessas regiões são fundamentais não apenas para a formação de profissionais, mas também para a produção de conhecimento capaz de enfrentar problemas concretos da sociedade brasileira.

Outro desafio, talvez o mais sensível, é garantir condições adequadas de permanência para estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, além de assegurar o suporte necessário aos estudantes com deficiência. A democratização do acesso só se completa quando o estudante consegue permanecer na universidade e concluir sua formação.

Por isso, o Brasil precisa avançar na construção de uma legislação que assegure financiamento adequado e maior autonomia financeira às universidades, protegendo-as de contingenciamentos e de políticas de austeridade que comprometem seu funcionamento.

Nesse contexto, é fundamental aperfeiçoar a matriz de distribuição de recursos da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) e estabelecer fontes orçamentárias claras e estáveis para seu financiamento. Garantir alimentação, moradia, transporte e apoio à saúde mental dos estudantes é condição essencial para reduzir a evasão e assegurar formação de qualidade.

A expansão e a interiorização da educação superior brasileira demonstraram, ao longo dos últimos anos, que são políticas públicas bem-sucedidas. Seguir avançando nesse caminho, aperfeiçoando os mecanismos de financiamento, controle e participação social, é essencial para construir um país mais justo, desenvolvido e com oportunidades ampliadas para todos.

Telio Nobre Leite – Membro da Academia Pernambucana de Ciências e Reitor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf)






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